Programa Poltrona Pop,

Game of Thrones: Recap S0803 | Poltrona Pop S07E04

0 comentários:

Crítica Cinema,

CRÍTICA [CINEMA] | "Vingadores Ultimato" - SEM SPOILERS, por Marlo George

Filme que encerra o arco de três fases do Universo Cinematográfico Marvel traz trama coesa, porém com inconsistências e soluções preguiçosas


Vingadores Ultimato finalmente foi liberado para o público e encerra de forma bastante digna a primeira saga do Universo Cinematográfico Marvel (Marvel Cinematic Universe ou MCU), franquia da Marvel Studios que foi iniciada em 2008, com Homem de Ferro e conta com nada mais, nada menos que 22 filmes. O longa é uma das produções mais antecipadas do cinema, pois o vilão principal, Thanos, nos foi apresentado no sexto filme da franquia, Os Vingadores, de 2012. Desde então, o Titã Louco, como também é conhecido tal antagonista, vem fazendo aparições discretas nos filmes do MCU, ameaçando a paz da galáxia, enquanto os Vingadores lutavam contra inimigos menos poderosos.

Com tantas horas de cenas canônicas, é lógico que Vingadores Ultimato não poderia fechar todas as pontas soltas da saga. Aliás, algumas delas, como a ameaça de Mordo, por exemplo, será tratada futuramente e possivelmente no próximo filme solo do Doutor Estranho. Porém, o longa-metragem dá um ponto final em diversos dilemas dos personagens principais. O problema é que as soluções encontradas para dirimir estes dilemas foram, deveras, preguiçosas, nada imaginativas e pouco explicadas.

Para resolver o estalar de dedos de Thanos, que dizimou metade de toda a vida senciente da galáxia em Vingadores: Guerra Infinita, lançado em 2018, a dupla de roteirista Christopher Markus e Stephen McFeely, lançaram mão de um recurso narrativo que é muito comum na ficção científica e na fantasia. Recurso este que é, geralmente, explicado à demasia em obras dos gêneros, para criar a solidez necessária para que o público compre a ideia, por mais impossível que ela seja. E eu afirmo aqui que, sempre que esta solução é não é explicado ou, como no caso de Vingadores Ultimato, sequer é explicada, o resultado final é sempre inconsistente, o que compromete a nossa suspensão voluntária da descrença.

O que é um paradoxo, uma vez que os próprios heróis precisaram suspender sua descrença para aceitar e decidir aplicar esta solução.


Outro problema que notei no roteiro foi o vilão principal. Em Vingadores: Guerra Infinita nós tomamos conhecimento do plano de Thanos. Era um plano embasado na escola filosófica do utilitarismo, uma vez que ele pretendia causar uma atrocidade no presente que, em sua mente distorcida, promoveria inevitavelmente um bem maior no futuro. Aniquilando metade da população da galáxia, Thanos acreditava que aqueles que sobraram iriam procurar viver uma vida mais produtiva e isso culminaria na evolução de todos os seres e sociedades do universo. Já em Vingadores Ultimato, este vilão que tinha um propósito, uma ambição que por mais injustificável que fosse, era um propósito, larga mão deste plano primordial em nome de uma vingança boboca contra aqueles que "melaram" seus planos, neste caso, os Vingadores. Isso diminuiu o personagem, de modo que Ultimato é um filme bem menor que Guerra Infinita, justamente por causa deste pequeno detalhe.

Com fotografia exuberante, edição caprichada e montagem arrojada, Ultimato é um filme gostoso de assistir. Quase não se nota as quase 3 horas de duração. A equipe de CGI e efeitos visuais também fizeram um trabalho primoroso, que é digno de aplausos quando chegamos ao clímax do filme. O trabalho de maquiagem pode levar algumas indicações à prêmios no ano que vem, porém uma das próteses que foram utilizadas em um dos super-heróis ficou muito falsa e isso incomodou-me demais. Além disso, o Hulk não ficou nada realístico, ele realmente parecia um intruso digital enquanto interagia com os atores de carne e osso.


A trilha sonora de Alan Silvestri é um personagem à parte. No primeiro ato do filme, que é angustiante, as músicas compostas pelo maestro auxilia na imersão do público, fazendo-nos sentir como se estivéssemos presenciando os eventos que rolam na telona. Um trabalho digno de nota e que poderia ser premiado no futuro. Os temas são belos.

Dirigido por Anthony e Joe Russo, Vingadores Ultimato é um longa-metragem bem realizado. Os diretores conseguiram extrair dos atores o melhor de cada um deles, em cenas muito bonitas, interpretadas em cenários magníficos. A visão da dupla de como este filme deveria ser é tão precisa que nos faz achar que o filme é nosso também,. pois eu acredito que é sua melhor versão. uma pena que as presepadas do roteiro tenham posto tanto à perder.



Marlo George assistiu, escreveu e também chama a fantasia de querida.

0 comentários:

Anthony Russo,

CRÍTICA [CINEMA] | "Vingadores: Ultimato" - COM SPOILERS, por Andreas César.

ESTA CRÍTICA APRESENTA SPOILERS DO FILME "VINGADORES: ULTIMATO", PORTANTO, SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU E NÃO QUER SABER SOBRE A TRAMA, NÃO LEIA!!!! (Vamos deixar um espaço em branco até o início da crítica, garantindo que ninguém que não queira receber spoilers tenha sua experiência prejudicada)









































A minha ansiedade com o filme "Vingadores: Ultimato" era enorme. Eu acompanho o MCU desde o primeiro filme do Homem de Ferro, então a conclusão dessa saga é algo muito emocional para mim, ainda mais depois de "Vingadores: Guerra Infinita", que foi um filme incrível, deixando-me ainda mais ansioso.

O filme começa bem, com a música "Dear Mr. Fantasy" do "Traffic"(aliás, diversas outras músicas incríveis estão no filme, como "Doom and Gloom" dos Rolling Stones) e com o cenário apocalíptico pós-Thanos, com todos os Vingadores remanescentes tentando encontrar um modo de reverter o estalo de dedos que dizimou metade de todas as criaturas vivas. Depois disso, o filme vai aos poucos desenrolando-se e contando a história a que se propõe. Como essa crítica contém spoilers, eu imagino que você já tenha visto o filme, por isso eu irei ser direto e não explicar muito sobre a trama.

De início, é importante salientar sobre os rumos dados a cada personagem no longa. O Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) tem um final digno do grande herói que foi construído nos últimos dez anos. Desde o início do filme ele passa por situações difíceis em que o personagem poderia literalmente enlouquecer e tornar-se ainda mais egoísta, ao superá-las, do que era no primeiro "Homem de Ferro". Contudo, Tony Stark deixa o egoísmo de lado e pensa naquilo que as outras pessoas, e ele, perderam com Thanos. Assim, mesmo com uma filha e uma vida relativamente normal, ele decide novamente salvar o universo, mostrando que é o principal herói do filme, ao sacrificar-se por, literalmente, metade da humanidade. 


Outro personagem com um final digno de lágrimas foi o Capitão América (Chris Evans), que é meu Vingador preferido do grupo do primeiro filme (de todos, o Pantera Negra é o meu favorito). Ver o romance entre ele e Peggy Carter (Hayley Atwell) finalmente florescer é algo que me deixou muito emocionado no final do filme (e que final, meus amigos).

Personagens secundários como Rocket Raccoon (Bradley Cooper), Nebulosa (Karen Gillan) e outros tiveram sua importância e desfechos interessantes, porém não brilharam tanto quanto os Vingadores originais. Agora, o filme trata três personagens de modo muito ruim: Hulk, Thor e, sobretudo, Thanos.

O desfecho dado ao personagem do Hulk (Mark Ruffalo) é simplesmente bizarro. A fusão entre Banner e a criatura me deixou constrangido o tempo todo de tela, as piadas foram um fracasso e a cada minuto o personagem parecia menos humano. 


O Thor (Chris Hemsworth) é outro caso complicado. Na cena em que ele primeiro aparece, eu fiquei triste. Aquilo que era pra ser uma cena trágica, em que se vê os rumos que um deus tomou após o fatídico estalo de dedos que dizimou metade de sua população, tornou-se uma cena em que muitos riram no cinema. A condição de Thor, um bêbado gordo e sem expectativas, deveria ser vista com tristes olhos, e não com risos. Mesmo assim, os diretores optaram por fazer ele ser uma comédia ao longo do filme, uma decisão que me deixou chateado, visto que o personagem poderia ter tido um rumo de superação melhor do que apenas ir chorar ao colo de sua mãe. 

Mas a pior condução de personagem foi realizada em Thanos (Josh Brolin). Ao final de Guerra Infinita, nós fomos revelados a um vilão incrível. Um vilão com um ideal utilitarista que está disposto a sacrificar não apenas seu maior amor, mas metade de toda a vida do universo, com o fim de que a outra metade prospere. Thanos é um vilão que realiza atos de maldade, mas embaixo dos atos de maldade, há um ideal de bondade. Caso as espécies tratam-se bem o universo e não houvesse guerras, pobreza, desmatamento e outros rumos negativos, Thanos jamais teria realizado o ato de dizimar metade da população (lembre-se, estou falando do Thanos das telas de cinema, e não dos quadrinhos, já que são dois personagens com ideais diferentes, haja vista a inexistência da "Morte" nos cinemas em seu ideal). Por fim, Thanos era mau, mas apenas quando ele sabia que o universo não estava seguindo os rumos que ele considerava corretos.

E tudo isso é desconstruído em apenas uma frase dita por Thanos em "Vingadores: Ultimato". Após ir ao futuro e encarar aqueles que pretendem acabar com seus planos, Thanos os encara e diz algo assim (não me lembro a frase exata): "... eu vou adorar matar vocês". Esse é o grande erro no roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, reduzir um vilão com um ideal a um ser que é inerentemente mau. Reduzir um ideal a uma vilania. Isso acaba com todo o personagem belamente construído desde 2012, naquela incrível cena pós-credito. Torna ele um personagem mau por seu mau, o que é uma pena. Em resumo, ele é reduzido de um vilão no nível de "Ozymandias" para um vilão qualquer.


Agora, mudando de assunto, a fotografia, dirigida por Trent Opaloch (Capitão América 2: O Soldado Invernal), e a trilha sonora do filme, composta por Alan Silvestre, são incríveis. O preenchimento sonoro que a trilha confere casa muito bem com as cenas grandiosas do longa. Além disso, os efeitos especiais nas cenas de batalha são esplêndidos, ainda que falhem com alguns personagens como Rocket Raccoon e o próprio Hulk, que não parecem muito reais. 

As aparições dos filmes anteriores foram uma cereja no bolo do filme. Eu adorei rever cenas icônicas de "Vingadores" e "Guardiões da Galáxia". Também foram boas as aparições de Howard Stark (John Slattery) e Peggy Carter nos anos 70. 

O nível de atuação do filme é muito elevado. Nenhum ator deixa a desejar e todos remetem muita segurança em suas atuações. Os maiores destaques são Robert Downey Jr. (sobretudo naquela cena de discussão no início do filme) e Scarlett Johansson, que estiveram impecáveis ao longo de todo o filme.

Por fim, "Vingadores: Ultimato" é uma boa conclusão a uma das sagas que, sem dúvida, marcarão minha vida para sempre. Porém, o descaso dado a alguns personagens e a desconstrução daquele que poderia ser um dos maiores vilões de todos os tempos do cinema fazem que o filme seja apenas bom, e não espetacular.




Andreas César assistou, criticou e está triste e contente pelo fim de Vingadores. Triste por saber que não mais verei alguns personagens na tela do cinema, e contente por saber que novos irão aparecer para preencher o vazio deixado pelos outros.

0 comentários:

Programa Poltrona Pop,

Vingadores Ultimato - Crítica Com Spoilers | Poltrona Pop S07E03

0 comentários:

Programa Poltrona Pop,

Vingadores Ultimato - Crítica Sem Spoilers | Poltrona Pop S07E02

0 comentários:

Café Pequeno,

FÉ CEGA | Gibi brasileiro ganha versão em 'motion comic'!

A história em quadrinhos "Fé Cega" - criação conjunta de Osmarco Valladão (roteiro) e Fabrício Guerra (arte) - volta à baila. Dessa vez, a trama que mistura terror, religião e crítica social retorna como "motion comic", uma mistura interessante de quadrinhos com elementos de animação e sons para conferir maior imersão aos leitores. O aplicativo para visualizar essa nova experiência já está disponível no Google Play.

>>> Clique AQUI para baixar gratuitamente!

E "Fé Cega" é apenas o primeiro quadrinho a ser disponibilizado pelo aplicativo - que terá uma versão diferente e app próprio a cada novo motion comic.

>>> Já lemos "Fé Cega"! Clique AQUI para ler nossa crítica!

A startup Café Pequeno está em busca de parcerias com editoras e Theo Guedes - designer responsável pelo desenvolvimento do aplicativo - percebe que o formato favoreceria o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos. "Apesar de não ser tão 'streamlined' (algo como 'simplificado') e barato quanto o formato que o Comixology faz por exemplo, é algo que funciona bem para lançamentos de autores independentes ou de editoras. Eu penso no formato como uma edição encadernada digital, mesmo", explica Guedes, que divulga seus projetos através do perfil oficial via Instagram.


>>> Assista abaixo uma amostra de como funciona o aplicativo:



"O processo do case 'Fé Cega' acaba passando por alguma autoria minha, enquanto numa ferramenta que faz aquele processo guiado de páginas, as opções [em outros apps] são bem mais limitadas em termos de forma de mostrar os quadros. É um ótimo processo quando se tem volume pra fazer, mas, talvez para autores indies, poder se aproveitar de efeitos 3D e coisas pensadas só pra versão digital, possa ser uma saída pra ganhar visibilidade", conclui.

Fonte: Café Pequeno (via Facebook)

0 comentários:

Bryce Dallas Howard,

ROCKETMAN | Elton John revela o que queria ver no filme sobre sua vida

A história tinha que ser a mais honesta possível. Os baixos foram bem baixos, mas os altos também foram bem altos. E era assim que eu queria fosse que o filme”, confessa Elton John em vídeo exclusivo sobre o filme “Rocketman”, cinebiografia sobre sua vida - que estreia nos cinemas em 30/05/2019, mas terá sua primeira exibição no dia 16/05/2019, no Festival de Cannes.

>>> Clique AQUI para assistir o vídeo de bastidores!


Dirigido por Dexter Fletcher, o filme é uma fantasia musical épica sobre a incrível história da carreira do ícone da música. “Esse filme é uma releitura mágica do Elton John sobre a sua própria vida. Pelo Elton ser naturalmente quem ele é, sua história nos permite entrar em um mundo de fantasia e imaginação”, revela Fletcher.

Distribuído pela Paramount Pictures, “Rocketman” mostra a fantástica jornada de transformação do tímido garoto e pianista prodígio Reginald Dwight no superstar internacional Elton John, uma das figuras mais icônicas da cultura pop. Coube ao ator Taron Egerton (foto) dar vida a Elton John nas telonas. “É incrível como esse garoto humilde se tornou um dos maiores ícones do mundo da música. A maior alegria da minha carreira profissional foi fazer esse filme”, comemora Egerton.

Além de Egerton, o elenco estrelar conta com Jamie Bell - interpretando Bernie Taupin, o compositor parceiro de longa data -, Richard Madden - como John Reid, primeiro empresário de Elton - e Bryce Dallas Howard, como Sheila Farebrother, mãe de Elton.

0 comentários:

Cecilia Frugiuele,

CRÍTICA [CINEMA] | "O Mau Exemplo de Cameron Post", por Kal J. Moon

Escrito e dirigido por Desiree Akhavan, estrelado por Chloë Grace Moretz, "O Mau Exemplo de Cameron Post" retrata uma dura prática vinda daqueles chamados de cidadãos do bem...


Aloha
Ser adolescente já não é tarefa considerada fácil. Preocupa-se com muitas coisas que, na maturidade podemos vir a achar fúteis como vestimenta e a opinião dos outros. Pior ainda quando os "outros" são aqueles que lhe sustentam...

Na trama, no distante ano de 1993, a jovem Cameron Post (Moretz) é flagrada com outra garota no baile de formatura. Ela é então enviada pela tia para um centro religioso que afirma curar jovens atraídos pelo mesmo sexo, mas para se submeter ou não ao suposto tratamento, a adolescente precisa antes descobrir quem é de fato.

Baseado no livro homônimo de Emily M. Danforth, "O Mau Exemplo de Cameron Post" não passa de uma espécie de denúncia ficcionalizada, como aqueles filmes de desastre ou tragédia que costumavam passar aos sábados às noite na TV aberta feitos para alertar a população acerca de um perigo iminente, para que nunca mais se repita ("vejam o que fizeram com nossas crianças!", "quem vai salvar nossos filhos?"), naquele tom alarmista bem característico.


E este filme tem um grave problema: faz uma denúncia grave sobre profissionais completamente despreparados cuidando de algo que não tem a menor propriedade - por pura falta de conhecimento -, valendo-se de propostas advindas da religião para ~"endossar" suas práticas hediondas - e, vale ressaltar, totalmente reprováveis do ponto de vista da psicologia - com o aval de pais e tutores conservadores ao extremo, que preferem pagar caro por um "tratamento reparador" do que exercer o papel que lhes cabe de entender a questão e orientar adolescentes sem rumo, que estão sendo tratados como criminosos apenas por agirem diferente dos demais.

Mas, infelizmente, enquanto narrativa, o filme peca por deter-se apenas na (necessária) denúncia, com um roteiro - escrito pela própria diretora, ao lado de Cecilia Frugiuele - que esquece-se de entregar uma trama melhor elaborada, com alguns furos imperdoáveis que, de certa forma, só servem para antecipar o inevitável final.

Ainda assim, é muito curioso que a grande maioria das personagens retratadas na trama tenha pele branca - apenas um rapaz tem origem indígena e uma moça seja afrodescendente -, estabilidade financeira, sem qualquer sinal de desajuste social grave. O que denota, por si só, que manter relações (sexuais ou emocionais) LGBTQ+ é virtualmente descabido naquele contexto específico.


Chloe Grace Moretz
está esforçada no papel mas pouco ou quase nada pode fazer com a personagem mal resolvida que lhe incumbiram - e é de se admirar que, talvez, está seja a quarta ou quinta adaptação literária que lhe escalam na tentativa frustrada de alavancar as vendas da obra original (até porque quando um filme não convence, raramente desperta interesse ao que lhe inspirou).

Vale como curiosidade e denúncia de uma prática que, se em 1993 já soava no mínimo ~"bizarra", imagine em pleno século 21...



Kal J. Moon não entende por que muitos religiosos agem como se estivessem em transe o tempo todo... O culto deveria ser racional, não é mesmo?

0 comentários:

Editora Noir,

STEVE DITKO | Cocriador do Homem-Aranha ganha biografia inédita no Brasil

O desenhista de histórias em quadrinhos norte-americano Steve Ditko - que faleceu em junho de 2018, poucos meses antes de completar 91 anos - criou o Homem-Aranha em parceria com o editor e roteirista Stan Lee, em 1962. Mas, seu papel não ficou restrito ao desenho, tampouco ao herói que virou símbolo da Marvel Comics. Sua imaginação privilegiada deu vazão a uma série de características dos personagens da série, inclusive os vilões, nos 39 números que desenhou, até 1965. O mesmo talento que o levou a dar vida, sozinho, a criaturas intrigantes como Doutor Estranho, bizarros como o Rastejante, radicais como o Questão - que "inspirou" o personagem Rorschach da maxissérie "Watchmen" - e polêmicos como a dupla Rapina & Columba.

Mesmo autor de "Stan Lee – O reinventor de super-herois" e "Jack Kirby: O criador de deuses", o jornalista Roberto Guedes imprime ao livro "O Incrível Steve Ditko" (264 páginas, Editora Noir) uma narrativa detalhada, porém ágil, em que resgata desde a infância de Ditko na acanhada Johnstown, estado da Pensilvânia, até sua consagração como coautor do Aranha. Ele mostra a família pobre, as brincadeiras na rua, o serviço no exército americano, o tímido começo na área editorial em Nova York, e até mesmo o primeiro encontro com Stan Lee em uma escola de desenho.

Com certeza, o leitor se surpreenderá com as revelações da vida particular e da carreira dessa misteriosa e, ao mesmo tempo, fascinante personalidade da Arte Sequencial. O livro apresenta uma enormidade de informações que não se vê em nenhuma publicação estrangeira, pois foram buscadas fora do âmbito das HQs.

Guedes esmiúça a personalidade e uma estranha filosofia que conduziu a vida do desenhista arredio e ermitão até seu ultimo suspiro. A partir de determinado momento de sua carreira, Ditko passou a escancarar suas ideias revolucionárias, muitas vezes classificadas como libertárias, nas páginas impressas - principalmente nas publicações independentes, em que tinha completa autonomia.

Porém, para detectar com precisão suas intenções mais obscuras nos títulos das grandes editoras como Marvel, DC e Charlton Comics, Guedes teve de mergulhar em várias obras da filosofa russa Ayn Rand, propagadora da filosofia do Objetivismo, especialmente em livros como A Nascente (1943) e A Revolta de Atlas (1957), para descobrir verdadeiras "mensagens subliminares" nos trabalhos mais famosos de Ditko.

Adepto do Objetivismo de Rand desde os anos 1960, Ditko acabou por se transmutar, dali em diante, em bem mais que apenas um artista da indústria dos comics. Se tornou também um criador compulsivo, um filósofo espontâneo e um crítico implacável da sociedade moderna.

Desagradou muita gente da indústria dos quadrinhos. Rompeu com Stan Lee, oportunidades de trabalho foram perdidas e portas se fecharam para sempre. Amizades de longa data – como a que mantinha com o editor Dick Giordano – foram desmanteladas. Apesar de recluso, inacessível a entrevistas e pouco afeito à premiações e convenções de quadrinhos, Ditko jamais se furtou a defender seus rígidos, mas inteligentes pontos de vista.

"O Incrível Steve Ditko" revela ao público essa faceta praticamente desconhecida do biografado, de uma maneira sensível e reflexiva. Vem recheado de artes maravilhosas, e muitas até então inéditas em publicações brasileiras; com várias reproduções de originais do artista e fotos raras do biografado, em momentos distintos de sua vida.

A belíssima arte de capa (foto) foi concebida e idealizada pelo cartunista Wander Antunes. Para completar, traz textos de Manoel de Souza (editor da revista "Mundo dos Super-Heróis"), Marcelo Naranjo (editor do site "Universo HQ"), Thiago Ferreira (apresentador do canal "Comix Zone") e de Gonçalo Junior, editor do livro. Tudo isso, sob um arrojado design gráfico de André Hernandez, que garante um visual final impactante – digno dos quadrinhos de Steve Ditko.

Fonte: Editora Noir (via press-release)

0 comentários:

Asher Angel,

CRÍTICA [CINEMA] | "Shazam!", por Marlo George

A apresentação do mais novo herói da DC nos cinemas funciona, mas causa um pouco de vergonha alheia


O filme que inaugurou a nova era dos filmes da DC Comics no cinema, O Homem de Aço, tem uma cena que faz referencia óbvia à série Super-Herói Americano (1981-1983). A referida cena é aquela na qual podemos ver o Superman atabalhoadamente fazendo seu primeiro vôo. Destôa totalmente do restante do longa, que após a trapalhada repentina do kryptoniano, para um breve alívio cômico, voltou a ser o épico heróico que se propôs.

Deu um pouco de vergonha alheia, mas era apenas um momento mais relax, que deixava o filme um pouco mais leve, mesmo que por um breve momento.

Agora, imagine um filme inteiro no qual um meta-humano da DC brinca com seus super-poderes, testando-os das maneiras mais idiotas e irresponsáveis possíveis. Pois é, este filme é Shazam!, novo longa do Universo Cinematográfico DC.

Apesar do excesso de cenas constrangedoras - ressaltando que poucas piadas e gags funcionam - a história de origem do Shazam é bem contada, pois todos os elementos que os fãs do herói conhecem estão presentes no enredo e muito bem adaptados. Quem já assistiu a animação DC Showcase: Superman/Shazam!: O Retorno do Adão Negro, de 2010, irá reconhecer a história, pois este desenho animado parece ter servido, em parte, de base para o roteiro, especialmente para o arco que conta a origem dos poderes do herói.

Repleto de cenas de ação criativas, mas que foram prejudicadas pelos efeitos especiais de filme B apresentados pela equipe técnica, o roteiro é bem amarrado, mesclando momentos de tensão e heroísmo com desenvoltura, especialmente no terceiro ato. De fato, o filme vai crescendo conforme a fita vai rolando e os momentos finais do filme são bem interessantes. A história traz ainda uma mensagem positiva relacionada à família.

Outro ponto positivo foi a Nova formação da antiga família Marvel (sim, antigamente a família do herói tinha este nome, apesar de pertencer atualmente à DC. O próprio Shazam! se chamava Capitão Marvel), que passou a ser formada por órfãos de várias etnias diferentes, adotados por pais que formam um casal inter-racial, que também são órfãos. Uma ideia muito bem-vinda e que deu uma identidade e universo interessante para o nosso desaventurado Billy Batson habitar.


Billy Batson é interpretado por Asher Angel, cantor mirim com pouca experiência, mas que apresenta bem sua personagem. Ainda tem muita estrada pela frente, mas mostrou desenvoltura.

O mesmo não pode ser dito de todo o elenco jovem, que é ruim.

Dentre os meninos e meninas, o único destaque, além do protagonista, é Jack Dylan Grazer, que interpreta Freddy Freeman, o irmão adotivo de Billy Batson. A dupla Angel/Grazer mandou bem, apesar de todo o tempo de tela dedicado às suas personagens, que exigiu deles bastante, mas os garotos corresponderam às expectativas. Os momentos mais emocionantes do filme são vividos por suas personagens.

Zachary Levy, o fanfarão da série Chuck, é o alter-ego de Billy Batson, o mago Shazam!. Eu até que tentei comprar sua versão do super-herói, mas o ator o representou de modo tão caricato que não me convenceu. O ator sequer se preocupou em copiar os trejeitos do ator-mirim com quem dividia a personagem. Shazam! é uma criança no corpo de um herói. Levy mais se parecia com um adulto bobalhão. Nem mesmo nas cenas mais tensas ele veste até o uniforme da personagem e continua muito preocupado em fazer caretas e caras-e-bocas descabidas e fora de contexto. Erraram feio na escalação.

O vilão da vez é o Dr. Silvana, que foi belamente vivido por Mark Strong (Kick-Ass: Quebrando Tudo). Strong é um grande ator, geralmente suas atuações estão acima da média e desta vez não foi diferente. Silvana é ameaçador e tem o tom certo, uma pena que o roteiro não desenvolve bem o antagonista, deixando-o demasiado irreal, com um propósito genérico de conquista de poder e nenhum planejamento lógico, o que é requisito fundamental de qualquer mente super-criminosa.

Cooper Andrews, de The Walking Dead, e Marta Milans, atriz espanhola pouco conhecida no Brasil, são os pais da família mais do que funcional de Billy Batson. Ele é uma simpatia e ela é belíssima, formando um casal bacana e engajado que tem tudo pra ganhar a simpatia do público. Nesse caso, bela escalação.

Como já citado, o filme foi prejudicado por efeitos especiais ruins e o mesmo ocorre com os efeitos visuais. Os monstros do filme são inverossímeis e todos os raios disparados pelo herói não convencem. O som é muito bom, o que deu um gás nos raios criados pela equipe de CGI e a mixagem justifica o ingresso mais caros em salas com tecnologia de som de última geração.


A trilha sonora foi composta por Benjamin Wallfisch, de Blade Runner  2049 e do próximo Hellboy. Os temas são bem legais e criativos, mantendo atenção do público nos momentos de maior tensão da trama e presenteando o herói com um tema bacana. As canções utilizaras no filme também foram bem que escolhidas (é lógico que Cherry Pie, do Warrant, toca em casas de striptease), com exceção da que toca nos créditos que demonstra que essa onde de copiar a Marvel, em tudo, depois da demissão de Zack Snyder (diretor de O Homem de Aço e Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça, que desagradou parte do público por seu tom sombrio de contar histórias baseadas em quadrinhos), pode ser um tiro no pé. Quando tocaram a canção nos créditos (que também imitam um filme recente da Marvel com a Sony) a vergonha alheia que já tinha passado no terceiro ato, voltou com força total.

O diretor de Shazam! é David F. Sandberg, que você deve conhecer de Annabelle 2: A Criação do Mal, Quando as Luzes se Apagam e outros filmes de terror. Isso talvez explique a quantidade de decisões erradas que foram tomadas na realização do longa-metragem. Se por um lado Zack Snyder, que já tinha trabalhado em filmes baseados em HQs, trilhava um caminho que levaria, inevitavelmente, à um fechamento de arco épico, provavelmente baseado nos gibis da Crise nas Infinitas Terras, a graphic novel mais importante do Univeso DC, Shazam! de Sandberg não passa de um filme pipoca, chato em alguns momentos e cheio de possibilidades em outros.

Se o objetivo da DC é se rebaixar, perder a identidade e imitar descaradamente a concorrência, tiveram êxito pela quarta vez seguida.


Marlo George assistiu, escreveu e foi recomendado a assistir o filme com o olhos de uma criança pra poder curtir. Teve vontade de replicar sugerindo que os Snyder-haters assistam Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça com os olhos de um adulto para poderem compreender

0 comentários: