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CRÍTICA [STREAMING] | "Fallout" (Temporada 2), por Marlo George

O retorno de Fallout ao Prime Video traz consigo o peso da expectativa. Se o primeiro ano foi marcado pelo impacto da descoberta, este novo ciclo parece se deleitar excessivamente com a própria aura retrofuturista. Graham Wagner e Geneva Robertson-Dworet mantêm a sátira ao american way of life afiada, mas a jornada por New Vegas flerta com uma estática que testa a paciência de quem busca resoluções imediatas. Leia a crítica da primeira temporada neste link.

No roteiro, a estrutura de múltiplas frentes revela sinais de cansaço. Há uma insistência em subtramas que pouco movem o arco principal, como a jornada de Moises Arias (Norm MacLean), estagnada em descobertas que o espectador já antecipou, ou a presença de Kyle MacLachlan (Hank MacLean), cujo potencial como antagonista é diluído em uma espera excessiva por confronto. Essa lentidão cria a sensação de que a narrativa "ganha tempo" para preservar os grandes trunfos para o final.


Em contrapartida, os pontos altos surgem onde a trama ousa expandir. Annabel O’Hagan brilha como Stephanie Harper, trazendo camadas de ambiguidade que energizam o núcleo dos Refúgios, enquanto a introdução da Legião é uma adição revigorante. Sob o comando de Macaulay Culkin como o enigmático Lacerta Legate, a série encontra o equilíbrio perfeito entre ameaça e carisma, injetando a vitalidade necessária à trama no deserto.

O elenco principal continua sendo o porto seguro da obra. Ella Purnell refina a transição de Lucy de uma otimista ingênua para uma sobrevivente pragmática sem perder sua essência. Entretanto, é Walton Goggins quem rouba os holofotes com uma entrega estóica e melancólica; como o Necrótico, ele domina a cena apenas com o olhar e o peso de seu silêncio. A química do trio central, completado pelo heróico Maximus de Aaron Moten, se solidifica em um tom que entende perfeitamente a linha tênue entre a tragédia e o absurdo.

A produção mantém o rigor estético, mas o apuro visual parece, por vezes, sobrepor-se à fluidez da história. O uso de planos abertos e o enquadramento meticuloso situam o homem como um ponto insignificante na vastidão, mas esse preciosismo artístico acaba reforçando a sensação de paralisia narrativa. No aspecto sensorial, a série segue absoluta: a fotografia contrasta a luz estéril dos refúgios com o granulado áspero da superfície, enquanto o design de som utiliza a trilha sonora para ironizar a brutalidade. Contudo, tamanha sofisticação funciona como uma maquiagem luxuosa para uma trama que demora a engrenar.


O subtexto político permanece como o ponto mais forte. Ao mergulhar na burocracia do fim do mundo, a série mostra que a ganância corporativa é o mutante mais resiliente do deserto. É uma reflexão atemporal e sofisticada, mas que exige do público um fôlego que o ritmo da temporada nem sempre ajuda a sustentar.

Em resumo, a segunda temporada de Fallout entrega um espetáculo técnico de primeira ordem, mas sofre da "síndrome do segundo capítulo". O medo de esgotar o material de origem resulta em um passo mais lento do que o necessário, faltando-lhe o dinamismo da estreia. Atravessar o deserto pode ser fascinante, mas quando o destino parece nunca chegar, até a paisagem mais bela começa a cansar.


Marlo George assistiu, escreveu e sabe que, no deserto, a única coisa mais perigosa que a radiação é uma corporação com um plano

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