A criança quando inicia sua fase digestiva, geralmente o faz aos poucos. Primeiro, leite materno, depois papinhas e alimentos complementares pastosos e, gradualmente, chega à refeição completa com carnes e proteínas diversas em estado sólido para que mastigue. E, na maioria das vezes, há um embate nessa última fase pois, no início da vida, provava muitos alimentos de sabor doce, palatáveis e muitos parecidos e, ao passar para a fase dos salgados ou outras texturas que não as pastosas, existe uma resistência pois não há o costume em comer esse tipo de alimentação.
Além disso, ainda há a questão de a comida ser própria para o paladar adulto - ou seja, para todos da família comerem - e não somente para a criança (e isso acaba gerando dificuldades de comunicação entre familiares entre "come, está gostoso" e "não, eu não gosto disso". E podemos fazer esse mesmo comparativo com a crítica cinematográfica quando se trata de animação...
Na trama de "Super Mario Galaxy - O Filme", Bowser está minúsculo - pois comeu um Mini Cogumelo no final do primeiro filme - e se tornou o prisioneiro de Mario e Luigi, morando numa miniatura de seu próprio castelo e, apesar disso, ainda segue apaixonado pela Princesa Peach. Mas, quando caem milhares de estrelas cadentes no reino, Bowser Jr. aparece para resgatar o pai, tanto no reino do povo Cogumelo quanto no reino da Princesa Rosalina - que é sequestrada por ele. Princesa Peach recebe um pedido de ajuda e resolve ir em companhia de Toad para resgatar a Princesa Rosalina (e, talvez, descobrir um pouco sobre seu passado)...
Mas, quando trata-se especificamente de animação, exceptuando-se apenas os áureos tempos da Disney / Pixar, diz-se que "há muita exposição e o roteiro não apresenta suas situações e soluções de forma inteligente". Bem, independente de tudo isso ter algum fundo de verdade - spoiler: não tem! -, o real problema dessa "perseguição" da crítica acerca desses tipos de filme é que são mesmo direcionados para um público específico - no caso da animação, o público infantil. E se nem a Disney / Pixar produz mais animações "profundas" como nos "áureos tempos", por que a Illumination deveria?
Simplesmente por que os estúdios e distribuidoras perceberam, através da bilheteria mundial, que longas-metragens animados que tem temas mais profundos, personagens bem construídos, vários temas a serem explorados e outros quesitos apontados como "ideais" para a crítica, não performam bem no quesito "arrecadação" pois diversas produções que "fizeram o dever de casa" para agradar a crítica não conquistou o público em geral - que, na maioria dos casos, preferiu assistir em casa, no conforto do lar. E, vale lembrar, quando um filme de temática infantil atinge seu público-alvo, não será apenas uma pessoa que comprará ingresso para assistir mas sim, dois - uma vez que criança não vai sozinha à sala de cinema, não é mesmo?
Dito isso, pode-se dizer que sim, o roteiro escrito por Matthew Fogel (que também assinou o filme anterior) é simples (e não há nada de errado com isso, visando quem é o público-alvo) mas não simplório, uma vez que há espaço, por exemplo, para - ainda que brevemente - refletir sobre casualidades de uma guerra (numa produção sobre bombeiros hidráulicos bigodudos, cogumelos antropomórficos, cágados falantes e princesas com super poderes) e que um vilão pode ser considerado herói aos olhos do próprio filho (isso sem contar que a apresentação da Princesa Rosalina é uma das melhores do cinema atual, rivalizando, talvez, com a de Jack Sparrow no primeiro "Piratas do Caribe"). E sabe por quê essa produção escolheu o caminho da simplicidade? Porque a criançada não vai prestar atenção em muita coisa além das piadas, do visual colorido e do que é mais próximo da experiência dos games... Por que não precisa.
Além disso, para um filme de pouco mais de uma hora e meia de duração (e filmes infantis com mais do que isso é um virtual erro e potencial perda de dinheiro, uma vez que a baixa duração pode gerar mais sessões ao longo do dia nas salas de cinema), existe uma urgência de situação e bastante coerência em amarrar todas as tramas apresentadas - e suas resoluções são bem satisfatórias para uma produção do ~"sub-gênero". O único porém do roteiro diz respeito à rápida aceitação do personagem Yoshi na trama pelos outros personagens mas talvez seja exigir demais de um longa com diversos outros elementos fantásticos a todo momento...
A direção de Aaron Horvath & Michael Jelenic (também do longa anterior) é consistente e garante o equilíbrio da trama entre momentos engraçados, dramáticos e aventureiros na medida certa para a criançada se entreter e emocionar quando necessário... Como uma criança brincando com seus brinquedos, inventando a trama enquanto a aventura segue seu destino. Vale comentar também sobre o visual da produção, hiper colorida como os games mas não é um espetáculo de luzes - há bastante parcimônia entre o que é escolhido para estar ao centro e o que precisa estar em outro canto mas que também merece atenção (é o tipo de filme que, quando chegar ao streaming, fará fãs pausarem para encontrar diversos easter-eggs espalhados pela tela).
Além disso, a trilha sonora composta por Brian Tyler (de produções tão díspares quanto o filme "Velozes e Furiosos 10" e a série "Yellowstone" - e também do filme anterior) respeita bastante os temas musicais dos games originais mas implementa alguma significância narrativa de acordo com o ambiente apresentado - como na cena do cassino, por exemplo, que se transforma em algo à la big bands.
Outro ponto a se destacar é a dublagem brasileira com nomes como Raphael Rossato (Mario), Manolo Rey (Luigi), Carina Eiras (Princesa Peach), Marcio Dondi (Bowser), Eduardo Drummond (Toad), Aline Ghezzi (Princesa Rosalina) e Charles Emmanuel (Bowser Jr.), que, como de costume, deram um show na interpretação e na localização do texto, evocando o que há de melhor na técnica que faz desses profissionais tão amados há tanto tempo no Brasil e no mundo.
"Super Mario Galaxy - O Filme" não é um filme para adultos (e tudo bem não ser) e não só repete o feito de ser um filme divertido para crianças - e para adultos que só querem desanuviar um pouco a mente com uma diversão descompromissada - como traz toda uma gama de personagens que serão bem importantes no futuro da franquia, num consistente equilíbrio entre "proposta" (entreter crianças de forma satisfatória) e "execução" (ser uma produção agradável e bem realizada em todos os sentidos). Assista na melhor tela possível - de preferência, com boa equalização de som pois fará diferença - e permita que sua criança interior se divirta também. Valerá a pena.
ATENÇÃO: Não saia do cinema quando o filme acabar pois tem DUAS cenas pós-creditos! A primeira, diz respeito a um personagem que aparece no meio do filme e a segunda apresenta uma nova personagem, que deve ser muito importante no terceiro filme...
Outro ponto a se destacar é a dublagem brasileira com nomes como Raphael Rossato (Mario), Manolo Rey (Luigi), Carina Eiras (Princesa Peach), Marcio Dondi (Bowser), Eduardo Drummond (Toad), Aline Ghezzi (Princesa Rosalina) e Charles Emmanuel (Bowser Jr.), que, como de costume, deram um show na interpretação e na localização do texto, evocando o que há de melhor na técnica que faz desses profissionais tão amados há tanto tempo no Brasil e no mundo.
ATENÇÃO: Não saia do cinema quando o filme acabar pois tem DUAS cenas pós-creditos! A primeira, diz respeito a um personagem que aparece no meio do filme e a segunda apresenta uma nova personagem, que deve ser muito importante no terceiro filme...
Kal J. Moon jogou "Super Mario Bros" apenas uma vez, perdeu em menos de cinco minutos e nunca mais tentou. E também é da época em que Bowser era chamado de "Rei Koopa"...
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