A franquia "Se Eu Fosse Você" existe desde 2006 (exatos vinte anos!), é composta por três filmes e uma série de TV (que durou duas temporadas, exibidas entre os anos de 2013 e 2015), sendo um grande sucesso do cinema e no imaginário coletivo brasileiro - gerando até uma deliciosa paródia pela galera do saudoso programa "Choque de Cultura".
A ideia não era nova: pessoas em conflito emocional acabavam, misteriosamente (ou não) trocando de corpos e tendo de lidar com os problemas através de espírito de equipe e compreendendo as dificuldades de calçar os sapatos de outro alguém - temática explorada em filmes como "Sexta-Feira Muito Louca" (a versão original de 1976 tem Jodie Foster adolescente no elenco!), "Vice-Versa" (com Fred Savage pouco antes de estrelar a série "Anos Incríveis") e até o recente (e cultuado) anime "Your Name". A questão é que a fórmula poderia ser aplicada em personagens de qualquer lugar do planeta, explorando particularidades daquela cultura e, claro, que o Brasil acertou em cheio em replicar aqueles conflitos com nosso tempero.
Essa terceira incursão da franquia cinematográfica tende a pisar (um pouco) o pé no freio, abordando o estabelecimento do problema e sua consequente resolução sob um ponto de vista mais íntimo, fazendo com que o escopo da produção seja bem menor que os dos dois filmes anteriores - o que, por um lado, é bom, uma vez que existem menos cenários, personagens e possibilidades a se explorar; mas, por outro lado, limita um pouco alguns aspectos da trama que poderiam ser melhor explorados.
Durante um desentendimento entre o casal, ambos proferem a fatídica frase "Se eu fosse você", trocam de corpos um com o outro e enfrentarão um novo desafio pois Bia está esperando a visita de jurados de um importante ranking gastronômico em seu restaurante enquanto que Aquiles tem uma competição de corrida e esportes radicais para vencer no parque onde trabalha. O problema é que Bia morre de medo de altura e não tem perfil atlético - e, pra piorar, Aquiles precisa aprender a cozinhar para conseguir tocar o restaurante! Além disso, Bia descobre que está grávida, mostrando que, mais do que nunca, será necessário se colocar no lugar do outro... literalmente.
O roteiro escrito por Leandro Soares (do recente filme "Família, Pero No Mucho" e do vindouro "Overman - O Filme") estabelece bem a premissa de um casal que, talvez, não esteja muito em sintonia, tentando resolver um problema grave que precisa de atenção e esforço mútuo. Também não perde muito tempo explorando muitas facetas desse relacionamento: o que se sabe é o que é dito pelos personagens e pronto.
Porém, mesmo que possa parecer um pouco de exigência, saber como esse casal tão diferente se conheceu e se apaixonou poderia resolver alguns conflitos da trama de forma um pouco mais orgânica. Nada que, necessariamente, estrague a experiência - mas complementaria algumas situações que aparentam alguma falta de lógica como as reclamações e a decisão de separação por parte de Bia, por exemplo (os motivos apresentados não são nem um pouco razoáveis perante ao que a trama aborda como "defeitos" da parte de Aquiles, por exemplo). É como se os problemas abordados não fossem lá tão grandes assim antes da troca de corpos...
Porém, mesmo que possa parecer um pouco de exigência, saber como esse casal tão diferente se conheceu e se apaixonou poderia resolver alguns conflitos da trama de forma um pouco mais orgânica. Nada que, necessariamente, estrague a experiência - mas complementaria algumas situações que aparentam alguma falta de lógica como as reclamações e a decisão de separação por parte de Bia, por exemplo (os motivos apresentados não são nem um pouco razoáveis perante ao que a trama aborda como "defeitos" da parte de Aquiles, por exemplo). É como se os problemas abordados não fossem lá tão grandes assim antes da troca de corpos...
A direção de Anita Barbosa (que codirigiu o filme "Tudo Por Um Pop Star" - e, anteriormente, foi assistente de direção do filme original) é funcional e coordena bem o caos instaurado e a providencial restauração à ordem. O que leva à atuação da dupla Cleo Pires e Rafael Infante, que tem a difícil missão de substituir Tony Ramos e Glória Pires nesse novo capítulo da franquia.
Cleo Pires (do recente filme "O Velho Fusca", mas já chamava a atenção desde que apareceu interpretando a versão mais nova da personagem de sua mãe na minissérie "Memorial de Maria Moura") segura bem a peteca e consegue captar bem o jeito quase aparvalhado mas de bom coração do personagem Aquiles, até ao abrir um pouco mais a boca ao sorrir (uma característica marcante do ator Rafael Infante) e imprimindo bem o modus operandi psicológico dele.
Já Rafael Infante (mais conhecido por inúmeras esquetes do grupo "Porta dos Fundos" e do recente filme "Um Pai em Apuros") até consegue entregar uma performance convincente, mas faltou alguma sutileza em reproduzir parte do comportamento da personagem Bia - Cleo Pires interpreta de forma um pouco mais "centrada" e "focada" do que o que o ator apresenta em sua versão daquela pessoa...
Já Rafael Infante (mais conhecido por inúmeras esquetes do grupo "Porta dos Fundos" e do recente filme "Um Pai em Apuros") até consegue entregar uma performance convincente, mas faltou alguma sutileza em reproduzir parte do comportamento da personagem Bia - Cleo Pires interpreta de forma um pouco mais "centrada" e "focada" do que o que o ator apresenta em sua versão daquela pessoa...
O restante do elenco está bem funcional e não existem muitos destaques pois a trama faz com que os coadjuvantes orbitem em função dos protagonistas, sem arcos narrativos significativos ou realmente importantes na história.
A direção de fotografia comandada pelo trio Lucas Bobst (da série "Homem em Chamas"), Gustavo Lucciola (da série "Cidade Invisível" e do vindouro filme "Cabras da Peste 2") e Fernanda Pinheiro (do recente filme "Corrida dos Bichos") se utiliza bastante do recurso de filmagens com drones, garantindo ótimas panorâmicas em externas, com bom controle de luz natural e captura ideal de paisagens - mas também deixando o produto com "cara de comercial". A trilha sonora do saudoso Guto Graça Mello (1948-2026) também é funcional, evocando o tema principal da franquia, mas adicionando batidas mais modernas em outros trechos.
"Se Eu Fosse Você 3" é o típico filme leve, divertido, gostosinho de assistir e com um tantinho de emoção, feito especialmente para ser assistido naqueles dias em que se precisa desanuviar um pouco a mente. Que não demore mais vinte anos para ter outro exemplar da franquia...
Kal J. Moon ainda quer saber o que aconteceu com os personagens de Thiago Lacerda e Lavínia Vlasak após trocarem de corpos no final do primeiro filme, riu da piada envolvendo Nova Iguaçu e já teve uma vizinha fofoq- hã, "cronista da vida pública" chamada... Dona Neide.
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