"The Big Bang Theory" inovou ao colocar o fã da cultura POP, tímido e sem jeito para lidar com as mulheres em papel de protagonismo - algo que não acontecia desde os tempos dos lendários filmes da saga "A Vingança dos Nerds". Doze temporadas após o mais completo esgotamento de parte do elenco principal - Jim Parsons que o diga! -, foi hora de dizer adeus a personagens amados (e considerados problemáticos por algumas pessoas) pois, depois de mais de dez anos, o estilo de comédia promovida pela série pode ter se exaurido de ideias e o público se renovou nesse meio tempo...
O que poderia ser um adeus melancólico a "The Big Bang Theory" tornou-se um até breve com a chegada de "Young Sheldon" - criada dois anos antes do fim da série original -, prequela que explora a infância do personagem e a família Cooper, sob uma perspectiva mais dramática e menos cômica (se distanciando bastante do formato original da "matriz"), conquistando o público ao longo de "apenas" sete temporadas. Em 2024, estreou "Georgie e Mandy - Seu Primeiro Casamento", continuação direta de "Young Sheldon", que acompanha a vida de casado de Georgie, irmão de Sheldon, sua convivência com a família da esposa e os desafios de ser um jovem pai de primeira viagem.
Muito se especulava sobre qual seria o próximo spin-off e até existiam apostas "certas" em algo que seguiria a linha de "Young Sheldon", mas com personagens como Raj, Leonard, Penny ou Howard (cujas versões mirins aparecem num dos episódios da prequela). Porém, para surpresa de todos, o protagonista escolhido foi Stuart, o depressivo dono da loja de quadrinhos. OK, sabemos que Chuck Lorre tinha uma dívida de gratidão com o ator Kevin Sussman pois ele tinha feito teste originalmente para interpretar Leonard em "The Big Bang Theory" mas perdeu o papel para Johnny Galecki - e, pasmem, em seguida, fez teste para interpretar Howard e foi bem, mas, dizem, como estava escalado na série "Ugly Betty", não poderia se comprometer com o papel por força de uma cláusula de contrato. Lorre viu uma oportunidade de, finalmente, trabalhar com Sussman quando criaram o personagem Stuart Bloom - para quem não sabe, Sussman realmente se formou em Belas Artes e já trabalhou numa loja de quadrinhos, sendo um real fã da nona arte.
Na trama, o dono da loja de quadrinhos Stuart Bloom é encarregado por uma versão alternativa dele mesmo de outra dimensão (!) de restaurar a realidade após quebrar um dispositivo construído por Sheldon Cooper, Leonard Hofstader e Howard Wolowitz, causando acidentalmente um Armagedom multiversal. Ele é auxiliado nessa busca por sua ex-namorada Denise, seu amigo geólogo Bert e o implicante físico quântico Barry Kripke. Ao longo da jornada para consertar o estrago, eles encontram em universos paralelos versões alternativas de personagens que conhecemos e amamos de "The Big Bang Theory". E como o título da série indica, as coisas não vão nada bem...
(uma série "multicâmera" como "The Big Bang Theory", por mais estranho que pareça, depende de alguns fatores para "funcionar", como plateia para rir das risadas em tempo real, uma grande quantidade de coadjuvantes para que a trama não pareça ocorrer apenas com o elenco principal e, óbvio, um texto afiado, que pode ser rearranjado imediatamente quando a reação da plateia não for satisfatória - e tudo isso envolve dinheiro, tudo o que a série do Stuart não tem)
(quando nem as numerosas participações especiais empolgam ou agregam valor à trama, é que o negócio foi mesmo para o brejo...)
Quando Lorre revelou que a série "tinha muito CGI", não estava brincando. A equipe de efeitos especiais comandada por Tyler Matson (que trabalhou em alguns filmes da saga "Transformers") faz um trabalho bem convincente, principalmente em relação à criaturas fantásticas e monstros. Os figurinos criados por Valerie Klarich (da série "Girls") cumprem bem o papel de ambientação nas dimensões paralelas - destaque para aquela em que tudo se parece entre meados das décadas de 1960 e 1970, junto com a dimensão dos quadrinhos e a do filme "Matrix".
Porém, todos os méritos técnicos da produção destoam quando comparados ao roteiro pobre e repetitivo, que, desde o primeiro episódio, estabelece que Stuart vai tentar salvar o universo com seus amigos, falhará no processo e vai parar em outra dimensão, onde terá de aprender a sobreviver e descobrir um jeito de voltar para "casa" - antes das coisas darem tão errado -, gerando uma insatisfação e sensação no espectador de estar sendo feito de idiota a cada episódio, vendo a mesmíssima história, só que com cenários ligeiramente diferentes.
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