Crítica Cinema

CRÍTICA [CINEMA] : Amor Profundo, de Terence Davies

11:41 Marlo George 0 Comments


Data de lançamento: 10/05/2013
Estúdio: Music Box Films, Imagem Filmes
Direção: Terence Davies
Roteiro: Terence Davies
Elenco: Rachel Weisz, Tom Hiddleston, Simon Russell Beale, Ann Mitchell, Harry Hadden-Paton, Sarah Kants, Jolyon Coy
Gênero: Drama, Romance
Duração: 99 minutos
Origiem: EUA, Inglaterra
Classificação: 14 anos
Inadequações: Violência, Drogas Lícitas
Site oficial: TheDeepBlueSeamovie.com

Sinopse: Hester Collyer (Rachel Weisz) é a esposa de um juiz do Estado muito importante e influente, Sir William Collyer (Simon Russell Beale). Seu casamento tem afeto, mas morno. Hester envolve-se com um piloto aéreo (Tom Hiddleston) perturbado por suas experiências durante a guerra, em uma relação bem mais excitante. Quando os dois são descobertos, e uma tentativa de suicidio, Hester começa a questionar se todas as suas escolhas, foram corretas.

Um belo dia o diretor Terence Davies, de Vozes Distantes, assistiu o filme "Trazido pelo Mar" de 1997. Ele ficou admirado com o talento da protagonista e ligou para o seu agente dizendo que ela seria perfeita para o papel de Hester Collier, de seu projeto "Amor Profundo".

— Você já ouviu falar de uma tal de Rachel Weisz ? — perguntou Davies.

— Ela é vencedora do Oscar! — respondeu, e ao mesmo tempo ironizou seu agente.

"The Deep Blue Sea", de Terence Davies é a quarta versão da peça de Terence Rattigan, que já havia sido adaptada para a TV em 1954, 1974 e 1994, esta última estrelada por Colin Firth e Ian Holm. Trata-se dos dilemas de Hester Collier, uma adúltera que comete suicídio ao notar que seu amante esqueceu-se de seu aniversário.

Hester e Freddie (Imagem Filmes)
É uma história tocante, e esta versão em particular, tem um roteiro enxuto e bem amarrado. Os atores Rachel Weisz e Tom Hiddleston (mais conhecido como o Loki de "Os Vingadores") estão muito bem no filme. Rachel faz uma personagem à frente de seu tempo que está inserida em uma sociedade conservadora. Hester toma atitudes escandalosas para o lugar e a época em que vive, a Inglaterra dos anos 50, e ,apesar de tentar manter a dignidade e seu lar, também busca o amor em uma relação extra-conjugal. No contexto em que ela vive, dificilmente uma mulher daquela época decidiria por tudo de lado, sua estabilidade financeira e seu casamento tradicional, para viver um amor proibido com um alcoólatra neurótico de guerra. Rachel nos brinda com uma grande interpretação, introspectiva, mas que demonstra com eficácia cada emoção de Hester, à cada gesto. À cada olhar.

A trilha sonora, tocada pela Hilary Hahn & the Saint Paul Chamber Orchestra, conduzida por Hugh Wolff, é uma composição de Samuel Barber, "Concerto para Violino e Orquestra, Op. 14" e é quase que uma personagem à parte. Mesclada à fotografia do filme, por Florian Hoffmeister, torna o mesmo uma experiência agradável aos olhos e aos ouvidos. Você quase não sente o tempo passar ao assistir os 99 minutos do longa.

Rachel Weisz. Linda e competente. (Imagem Filmes)
Quando ficou sabendo da origem de sua escolha para o papel principal de "Amor Profundo", Rachel Weisz achou muito engraçado e, sobre isso, disse:

— Eu não acho que Terence conheça muito bem qualquer pessoa que não esteja em um filme produzido em preto e branco. —

Tendo em vista esta observação de Mrs. Weisz, podemos finalizar dizendo que, vindo de um diretor veterano como Terence Davies, só poderíamos esperar grande filme. Com aquela qualidade e profundidade, raramente vistas nas produções atuais, que tínhamos na época em que os filmes não eram meramente efeitos especiais e, ou, apelação sexual gratuita.

    Avaliação: Excelente

Marlo George escreveu e já voltou no tempo algumas vezes, assistindo alguns filmes...

Trailer

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