Crítica Cinema

CRÍTICA [CINEMA] : Álbum de Família, por Marlo George

18:01 Marlo George 0 Comments

Data de Lançamento: 27 de dezembro de 2013
Estúdio: The Weinstein Company,
Distribuidor: Imagem Filmes
Diretor: John Wells
Roteiro: Tracy Letts
Elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Juliette Lewis, Margo Martindale, Dermot Mulroney, Julianne Nicholson, Sam Shepard, Misty Upham
Gênero: Drama

Sinopse: Baseado na peça de mesmo nome (August: Osage County), Álbum de Família conta a história de três irmãs que são obrigadas a voltar para casa e cuidar da mãe viciada em drogas (Meryl Streep), depois que o pai alcoólatra a abandona. O encontro provoca diversos conflitos e revela segredos do passado de cada um dos membros da destroçada família.

"Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio". 

Não sei quem escreveu o ditado acima? Se foi T.S. Elliot, que é citado no início do filme ou outro escritor famoso ou anônimo. Mas este é o ditado que sintetiza a família Weston, do filme Álbum de Família que estreia após o natal pela Imagem Filmes.

Mesa de jantar ou campo de guerra? Assista e decida.
Achei bem sarcástica a decisão de lançar este filme no natal, uma vez que, apesar de não ser um filme natalino (e nem deveria, a história se passa em um agosto qualquer), trata-se de uma reunião familiar de última hora, que foi feita em decorrência do sumiço do patriarca da família.

A trama é a seguinte: A matriarca, Violet (Meryl Streep), uma dona de casa comum, tem câncer na boca, doença que ela usa como desculpa para abusar no uso de remédios controlados. Seu marido Beverly (Sam Shepard), carinhosamente chamado por todos pelo apelido Bev, é um escritor famoso, alcoólatra, que decide contratar uma empregada doméstica (Misty Upham), para cuidar dos afazeres da casa e, se necessário, de Violet. Bev e sua mulher iniciam uma briga em razão de a empregada ser bonita e, principalmente, indígena. Bev, farto das brigas decide ir pescar e não volta mais pra casa. Preocupadas com os pais, uma à uma das três filhas do casal, se reúnem à mãe e à partir daí todos as cartas são postas na mesa e os problemas de todos são expostos em uma casa que mais parece um hospício.

Até rezando Juliette Lewis é sexy.
De todas, uma das coisas que me chamaram a atenção foi o tratamento do tema "drogas" neste filme. Em Álbum de Família, podemos ver o problema completo se juntarmos as histórias de três personagens diferentes. Em Jean (Abigail Breslin, que disputou e ganhou o papel de Chloë Grace Moretz) temos a adolescente que flerta com o fascínio que as drogas exercem em algumas pessoas. A garota, que tem problemas de relacionamento com os pais, busca na maconha um meio de afrontá-los e, ao mesmo tempo, mostrar-se "adulta". Em Steve Huberbrecht (Dermot Mulroney) temos o balzaquiano descolado que lida bem com as drogas. Nele vemos o status e o glamour inerente ao uso de substancias proibidas. Porém em Violet, temos o fundo do poço, que é o caminho inevitável. Enfim, os três estágios do problema, o início, o meio e o fim, são apresentados no texto, de modo singelo, até mesmo porque este não é um filme que levanta a bandeira anti-drogas.

Chris arrebentou, já Bené, nem tanto...
Outros temas tão fortes quanto o apresentado acima são derramados na audiência com o mesmo tom poético e, por que não dizer, romântico. Incesto, traição, homossexualismo, insegurança, matrimônio, preconceito, alcoolismo, alienação e até mesmo hábitos vegetarianos são discutidos no roteiro. Tudo isso em um clima que mescla o amor e o ódio.

Álbum de Família é baseado na peça homônima de Tracy Letts, que é o roteirista do filme e acredito que a trama seja maior no teatro que na telona. Acho que algumas pessoas poderão achar o filme chato, pois o mesmo tem a pegada de peça. Alguns takes são enormes, muitas das falas são complexas e longas e o texto exige demais dos atores, principalmente de Julia Roberts. O próprio número limitado de locações nos lembra uma peça de teatro. As cenas mais importantes se passam na casa dos Weston, principalmente na mesa de jantar. Dá pra imaginar as cortinas se fechando entre uma cena e outra para a troca de cenários e atores no palco.

Abigail Breslin fazendo pós-graduação com Meryl Streep.
No que diz respeito às atuações, podemos dizer que todos os atores estão bem. Não poderia ser diferente, afinal trata-se de um elenco experiente e premiado. Os destaques vão para Juliette Lewis (que disputou o papel da fútil e deslumbrada Karen Weston com Renée Zellweger e Andrea Riseborough) e Chris Cooper, que tem um discurso nos momentos finais do filme que é de cortar o coração. Julianne Nicholson também está bem no filme como Ivy Weston. Quem decepcionou um pouco foi Benedict Cumberbatch, que fez uma ponta. Ele estava muito canastrão e não me convenceu. Esperava mais dele.

Única cena que justifica o título nacional do filme.
Meryl Streep com certeza aumentará seu recorde de indicações ao Oscar com sua Violet Weston, mas não o de vencedora ao prêmio de Melhor Atriz. A personagem que interpretou estava muito bem caracterizada. Meryl parecia uma defunta ambulante, especialmente quando usava uma hedionda peruca negra. Sinistra.

Não sei se devo recomendar o filme. Definitivamente, não é pra qualquer um.

     Avaliação: Bom

Marlo George assistiu, resenhou e já acha que seus problemas não são nada, perto dos da família Weston.

TRAILER

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