Crítica Cinema

CRÍTICA [CINEMA] Nebraska, por Marlo George

05:30 Marlo George 0 Comments

Woody Grant recebe um dia uma carta via mala direta, onde consta que ele ganhou 1 milhão de dólares. Convencido de que a carta, que é uma mera propaganda de assinatura de revistas, é pra valer, Grant, um senhor de idade, sai de sua casa em Montana rumo à Nebraska para regatar seu rico dinheirinho.

Woody Grant: Enigmático, instrospectivo ou alienado?
Com este plot modesto se alicerça Nebraska, um dos filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano e que traz veterano Bruce Dern no papel principal. O longa conta  a história de Woody Grant (Dern), um homem bom, porém confuso pela idade e pelo uso de bebidas alcoólicas e seu filho David (Will Forte). David decide levar o pai até o Nebraska para convencê-lo de que a carta não passa de um truque de marketing, e de quebra passar um tempo com ele. No caminho, David decide fazer uma visita ao seu tio, irmão de Woody, afim de animá-lo e aos poucos a família Grant acaba se reunindo para um inesperado, porém necessário, acerto de contas.

Não é a primeira vez que assisto um filme tocante sobre uma família que resolve seus conflitos em uma viagem repentina e não planejada. Pequena Miss Sunshine tem um plot muito parecido.
...um filme sobre a dificuldade de mensurar o valor de tesouros alheios.
Dern e Forte. Pai e filho em uma das diversas cenas impagáveis do longa.
O roteiro é muito bem amarrado e com tiradas inteligentes. A maior parte delas são ditas pela personagem Kate Grant, mulher de Woody, interpretada por June Squibb, que está maravilhosa no filme, tanto é que ela está sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Dupla de ouro. Dern e Squibb. Ingenuidade e sarcasmo.
Nebraska é um filme sobre a dificuldade de mensurar o valor de tesouros alheios. Apesar de toda a atmosfera alienada e da introspecção catatônica de Woody, a personagem é de uma profundidade que dificilmente será notada por um espectador menos interessado. O próprio filho, David, leva algum tempo até que se convence de que por trás de tamanho desinteresse pelo mundo à sua volta, Woody nada mais é que uma vítima de sua ingenuidade. Durante a estada dos dois na cidade natal de Woody, conforme vamos encontrando cada lugar e amigos (ou inimigos) que ele conheceu durante a juventude, vamos tirando uma camada de sua vida e de sua alma, tornando-se impossível não amar a personagem. Este amor pode ser personificado pela personagem Peg Nagy, que é interpretada por Angela McEwan, que faz uma participação especial no filme.

Nunca é tarde para se aprender algo com seu... filho.
No aspecto técnico o filme é excelente. Totalmente filmado em preto e branco, a produção acerta por não usar recursos modernos para simular um filme antigo. Juro que quando vi a antiga vinheta da Paramount Pictures na tela, pensei — Já estão começando errado! — mas o temor passou logo em seguida. A edição foi muito bem executada, respeitando o timming de Bruce Dern e usando as belas locações para compor um filme coeso e gostoso de assistir.

A trilha sonora, composta por Mark Orton, é um "grude" e me peguei assoviando-a diversas vezes na última semana. Tem uma levada folk, com um violino muito presente. É bem impactante.

Vá ao cinema e se emocione com Nebraska. Recomendadíssimo.






Avaliação: Ótimo.

Marlo George assistiu, escreveu e, às vezes, também tem vontade de sair andando por aí, à esmo...





Data de lançamento: 14 de fevereiro de 2014
Studio: Sony Pictures
Direção: Alexander Payne
Roteiro: Bob Nelson
Elenco: Bruce Dern, Will Forte, Stacy Keach, June Squibb, Bob Odenkirk
Gênero: Drama

Sinopse: Um pai idoso e alcoólatra (Bruce Dern) viaja de Montana ao Nebraska com seu filho (Will Forte), na intenção de receber o brinde vencido em uma promoção na TV.

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