Amante a Domicilio,

CRÍTICA [CINEMA]: Amante a Domicílio, por Kal J. Moon

11:54 Kal J. Moon 0 Comments

"Digam o que disserem / O mal do século é a solidão", já disse alguém numa canção que não entrou nas paradas de sucesso. 

E algumas formas de solidão compõem parte da trama de "Amante a Domicílio", simpática comédia escrita, dirigida e estrelada por John Turturro.

Aprendendo com o mestre do diálogo

Embora não seja o primeiro filme dirigido por Turturro, vemos claramente que ele cercou-se de nobres amigos para poder contar a improvável história de um florista (e faz-tudo nas horas vagas) chamado Fioravante que, por influência de Murray, um amigo esperto e falastrão (Woody Allen, claro!), acaba transformando-se num requisitado...  prostituto.

"Bela história, cheia de bom humor, recheada de ótimas atuações e uma irresistível trilha sonora jazzística."

O motivo para tanto tem lá sua sofisticação: a psicóloga Dra Parker (Sharon Stone) - com quem Murray trata suas muitas neuroses - está infeliz no casamento e quer fazer uma menage a trois - com a amiga Selima (Sofia Vergara) mas sem o marido. Como qualquer um na platéia, Fioravante pergunta por que diabos Murray pensou justo nele para a "empreitada"... A resposta: Fioravante tem cara, jeito e age como um homem "de verdade" - seja lá o que isso signifique. 


Murray se utiliza de astros septuagenários do Rock para provar que
se pode ser sexy sem ser necessariamente bonito - e é hilariante!
E por meio dos curiosos diálogos de personagens que julgamos, inicialmente, meros coadjuvantes sem qualquer importância na trama, que vemos como a solidão pode atingir qualquer mortal, desde aquela mulher que, supostamente, deveria entender das artimanhas emocionais, passando por uma viúva judia (Vanessa Paradis) que mal tem coragem de sair de casa para realizar algum passeio ou mesmo um pobre florista que trabalha o dia inteiro para servir e não tem quem o sirva de afeto ao fim do dia.

Sim, no fim do dia, a solidão bate em seu ombro e quer dormir de conchinha.
Cabe a você aceitar ou não...

Confusões e núcleos disfuncionais

Não sei se essa polícia judaica
existe na vida real - mas se não existe,
bato palmas de pé, grande idéia.
Mas o que acontece quando alguém que vende "amor" - ou algo que se convencionou chamar assim hoje em dia - acaba se apaixonando por uma de suas "clientes"? Muita confusão, claro! Principalmente quando a amada pertence a uma comunidade restrita, causando uma espécie de inquérito perante a "polícia judaica", liderada por Liev Schreiber (que interpretou o vilão Dentes de Sabre em X-men Origens: Wolverine e tem alguns motivos escusos aqui também, mesmo que não seja exatamente um vilão...).

Porém, alguns núcleos familiares foram um tanto mal desenvolvidos na trama como a esposa da personagem de Allen e seus filhos (todos negros e aparentemente um tanto incompatíveis emocionalmente) ou os seis filhos da amada de Turturro (assim como os filhos do personagem de Allen, só aparecem na trama por um ou outro motivo cômico, porém, sem a menor importância).

A impressão que temos foi que, para não parecer uma peça teatral filmada, optou-se por dar uma família, mesmo que disfuncional, a algumas dessas personagens para que não pareça tão ruim de longe (Allen precisa de dinheiro fácil e rápido pois perdeu sua fonte de renda e precisa ajudar a sustentar uma família numerosa; a viúva judia teria vários filhos e embora não se saiba sua forma de sustento, teria dinheiro para pagar uma consulta de mil dólares com um "curandeiro da alma" - como Murray apelida Fioravante para que ela aceite o "programa" e ainda diz que ele tem ascendência judaica).

E vamos ser sinceros: como Murray conhece tanta mulher problemática assim?


" Onde há amor, há dor..."

Curiosamente, esta é uma história bem curta. Talvez o espectador sentirá como se estivesse a ler um livro de pouco mais de 80 páginas no metrô e, na melhor parte, quando já está familiarizado com as personagens e aguarda a resolução da trama, tenha de saltar pois chegou sua estação. Mas como em qualquer história romântica, alguém se ferirá profundamente. Quem não sofrerá consequência negativa é o espectador pois acabará de assistir uma bela história, cheia de bom humor, recheada de ótimas atuações e uma irresistível trilha sonora jazzística - que só não daria inveja a Woody Allen porque ele próprio deve ter dado uma mãozinha na escolha dos standards...




Kal J. Moon não gostaria de cair na mão da polícia judaica e queria muito que Sofia Vergara tivesse mais momentos em cena...


Lançamento: 01 de maio de 2014.
Distribuição: Imagem Filmes
Direção e Roteiro: John Turturro
Elenco: Liev Schreiber, Woody Allen, Sharon Stone, John Turturro, Vanessa Paradis, Sofia Vergara
Origem: Estados Unidos
Idioma: Inglês
Classificação: 14 anos
Inadequações: Conteúdo Sexual

Sinopse: Murray (Woody Allen), dono de uma livraria em Nova York, resolve convencer seu amigo Fiorante (John Turturro), um tímido vendedor de flores, a virar um Don Juan profissional. Os dois acabam envolvendo-se em diversas confusões amorosas e financeiras.
Uma divertida comédia com Woody Allen, John Turturro, Sharon Stone, Sofía Vergara, Vanessa Paradis e Liev Schreiber.

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