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CRÍTICA [CINEMA] | "Os Boxtrolls", por Marlo George.

18:57 Marlo George 0 Comments

"Rodolfo, a Rena de Nariz Vermelho", animação de Jules Bass e Arthur Rankin Jr. (os responsáveis pelos infames desenhos animados "O Hobbit" e "O Retorno do Rei"), era reprisado à exaustão nos anos 80 e foi uma das primeiras aventuras animadas em stop-motion com a qual tive contato. Este método de animação consiste em "dar vida" à bonequinhos articulados, mudando-os de posição e registrando cada uma destas mudanças, frame à frame, a fim de dar a impressão de movimento.

De lá, pra cá, diversas foram as produções lançadas que apresentavam animações com esta técnica, que foi evoluindo bastante com o passar dos anos. Se já havia me impressionado com o trabalho de Henry Selick, que adaptou o livro de Neil Gaiman "Coraline" para as telonas em 2009, agora me encantei com o filme de Graham Annable e Anthony Stacchi, "Os Boxtrolls".


Na minha opinião, a melhor animação do ano, "Os Boxtrolls" leva para o cinema uma divertida versão do mundo criado por Alan Snow no livro "A Gente é Monstro!" (Here Be Monsters!). Lá coexistem as pessoas do mundo superior e os "monstros" do subterrâneo conhecidos como "boxtrolls", que apesar da fama de "assassinos de criancinhas" e "perturbadores da paz noturna", não passam de seres dóceis que se vestem com caixas de produtos curriqueiros. Estas caixas, inclusive, servem como inspiradora para os nomes dos boxtrolls. Se um deles usa uma caixa de morango, por exemplo, seu nome será Morango. Caso seja de aspargos, este atenderá pelo nome Aspargo e por aí vai.

É neste ambiente subterrâneo, pelos esgotos da cidade, que vive Ovo, um menino que foi adotado por um boxtroll chamado Peixe. Sem saber de sua natureza humana, Ovo pensa que é um boxtroll, agindo como tal. Ele vive se escondendo daqueles de sua própria espécie, uma vez que os homens, influenciados pelo inescrupuloso Archibald, estão à caça dos monstrinhos.


Apesar de bastante diferente do livro de Snow, "Os Boxtrolls" funciona muito bem, por utilizar apenas o material realmente significativo da obra original. Se no livro os boxtrolls (Caixatrolls na versão brasileira publicada pela Cia. das Letras) são responsáveis por restaurar os encanamentos do esgoto das ruas de Ponterrato, no filme eles são meros monstrinhos assustados que se escondem nos subterrâneos da cidade. Sua habilidade em reparos e construções está no filme, mas nos é apresentada de forma diferente à favor da narrativa. O roteiro é muito bem amarrado.

Números musicais chatos, comuns em filmes do gênero, foram deixados de lado e em seu lugar temos uma sequência, lindamente realizada, que mostra o crescimento de Ovo, desde que é um bebê até se tornar um rapazola curioso sobre sua própria condição e seu passado.


O character design dos personagens é de um bom gosto impressionante. Lembra um pouco o traço do desenhista espanhol Francisco Ibáñez, do clássico "Mortadelo e Salaminho". Mas a cereja do bolo é mesmo a animação, dos mesmos criadores de "Coraline" e "ParaNorman", que parece ter dado um salto gigantesco em termos de qualidade técnica.

E no final do filme ainda rola uma cena durante os créditos que é magnífica. Uma das melhores piadas internas já exibidas nas telonas. Enfim, "Os Boxtrolls" é um filme imperdível.


Marlo George assistiu, escreveu e tem vários boxtrolls de estimação aqui na redação do Poltrona Pop.




Data de Lançamento: 02 de outubro de 2014
Estúdio: Universal Pictures, Focus Features 
Diretor: Anthony Stacchi, Graham Annable 
Roteiro: Irena Brignull, Adam Pava 
Elenco: Ben Kingsley, Isaac Hempstead Wright, Elle Fanning, Dee Bradley Baker, Steve Blum, Toni Collette, Jared Harris, Nick Frost, Richard Ayoade, Tracy Morgan, Simon Pegg 
Gênero: Aventura, Animação, Fantasia

Sinopse: Com direção de Anthony Stacchi e Graham Annable, a animação em 3D é baseada no livro “Here Be Monsters”, de Alan Snow, e retrata a história de uma cidade habitada por pessoas fanáticas por elegância e queijos. Amaldiçoada por monstros que moram no subterrâneo, a região sofre com roubo de suas crianças e de seus adorados queijos durante as noites.      

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