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    quarta-feira, 15 de outubro de 2014

    CRÍTICA [CINEMA] | "Festa no Céu", por Marlo George.

    A figura da Morte é muito forte e oferece muitas possibilidades para escritores, compositores e roteiristas. Sombria, misteriosa, fascinante, a morte tem sido apresentada na cultura pop sob diversas formas. Desde a sua versão cadavérica, portadora de foice e encapuzada até a sensual consorte de Thanos do Universo Marvel, a Morte está presente em diversos filmes, livros e quadrinhos. Sua mais nova faceta é apresentada no espetacular filme animado "Festa no Céu", onde a musa mortal é inspirada nas tradições mexicanas.

    Revelo que o modo como os mexicanos comemoram o dia dos mortos sempre me causou uma má-impressão. Nunca estive no México, mas pelo pouco que vi na TV ou em artigos de revistas, a impressão que tinha era de algo bizarro ou macabro. A própria imagem da Santa Muerte, sagrada e venerada por milhares de pessoas, me causava estranheza por parecer-se com uma versão esquelética da Nossa Senhora.

    Em "Festa no Céu" somos apresentados à uma versão não muito fiel àquela que leva multidões a celebrar os mortos, desde antes da chegada dos espanhóis, na terra de Chespirito. Uma versão simpática, divertida e que nos faz desejar, caso exista mesmo vida após à morte, que ela seja uma festa exatamente como aquela.


    A animação é competente e cuidadosa ao ponto de caprichar na movimentação das mãos do músico Manolo, que faz (dentro das limitações do character design) as notas no violão em sincronia com a música que está sendo executada. Um primor. A tecnologia 3D foi muito bem empregada. Vale lembrar que a mesma é alvo da reclamação de muitos espectadores (eu incluso), que a acusam de ser nada mais que um mero meio de encarecer o ingresso, porém, em "Festa no Céu" ela presta serviço à experiencia de assistir ao filme. Repare, por exemplo, no sombreiro usado pela personagem La Muerte. Muito bem feito.

    O roteiro é divertido e não cansa o espectador, tornando "Festa no Céu" um programa ideal para toda a família. As crianças irão se divertir e os adultos certamente se deliciarão com o triangulo amoroso de Joaquin, Maria e Manolo. Referências a músicas pop, videogames e ícones mexicanos dão um toque de classe ao desenho animado.


    A versão nacional traz as vozes de Marisa Orth (La Muerte) e Thiago Lacerda (Joaquin), mas o elenco internacional de vozes é bem legal, contando com nomes como Diego Luna, Zoe Saldana, Channing Tatum, Ron Perlman, Christina Applegate, Ice Cube e Danny Trejo. Quanto à tradução do título do filme achei imprópria. "Festa no Céu" é bem menos impactante do que a tradução literal do nome do filme, "O Livro da Vida". Esta prática de se "adaptar" títulos de livros e filmes deveria acabar, afinal, não sinto necessidade nenhuma de me adaptar ou de ser adaptado a coisa alguma.

    Novamente, o produtor do filme Guillermo Del Toro nos apresenta à mais uma obra bem sacada e que tem tudo pra cair no gosto da galera.


    Marlo George assistiu, escreveu e exige uma festa no dia de sua morte. Mas tem de ser realizada do lado de lá...


    Data de lançamento: 16 de outubro de 2014
    Diretor: Jorge R. Gutierrez
    Roteiro: Jorge R. Gutierrez, Douglas Langdale
    Duração: 95 minutos.

    Sinopse: “Festa no Céu” é uma animação dirigida por Jorge R. Gutierrez e produzida por Guillermo Del Toro e conta a jornada de Manolo, um jovem que está dividido entre seguir o que sua família espera dele, e ouvir seu coração. Antes de escolher que caminho seguir, ele embarca em uma incrível aventura que acontece entre três mundos fantásticos, em que Manolo deve enfrentar seus maiores medos. Colorido e embalado por grandes nomes da música pop, O filme nos encoraja a celebrar o passado enquanto aguardamos o futuro.
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