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CRÍTICA [CINEMA] | "Elsa & Fred", por Marlo George

17:46 Marlo George 0 Comments

É possível encontrar o amor.

A afirmativa acima é a mensagem do novo filme do diretor Michael Radford (1984, O Mercador de Veneza). A trama de "Elsa & Fred" nos mostra, através dos protagonistas, que mesmo quando nos aproximamos do fim de nossa jornada é possível encontrar a felicidade.


Elsa é uma mulher de bom gosto e fino trato, viúva de longa data, mas que vive a vida acumulando mentiras e se perdendo em seus próprios devaneios. Já Fred é um idoso que recentemente perdeu a esposa e que, desde então, mantém uma rotina de enclaustro auto-imposto. Enquanto Elsa vive a vida em technicolor, Fred enfrenta a solidão em branco e preto. Duas almas destinadas a terminar seus dias completando um ao outro.

Uma homenagem aberta ao cinema de Frederico Fellini e ao mesmo tempo uma celebração à carreira de Shirley MacLaine e Christopher Plummer, este remake do premiado filme argentino de Marcos Carnevale, de 2005, é uma das gratas surpresas deste fim de ano. MacLaine e Plummer mostram que experiência é um dos fatores mais importantes na difícil equação que é atuar. Ambos os personagens, apesar de curriqueiros, são de uma profundidade abissal e qualquer afetação, ou falta de intimidade com o tablado, poderia por tudo a perder e torná-los caricatos e impossíveis. Não foi o caso.


O elenco de apoio também é excelente, servindo de escada para as mais hilariantes situações, "Elsa & Fred" é uma comédia romântica de humor fino, de bom gosto. Entre os grandes astros que enriquecem a produção estão os já veteranos Marcia Gay Harden, Scott Bakula, George Segal e Wendell Pierce.

A trilha sonora, minimalista, dá o tom do filme e é espetacular. A edição competente é uma das comparsas de Elsa, escondendo o que é verdade e mentira do espectador, surpreendendo-o pelas revelações do que é fato ou delírio sempre no momento certo. O roteiro, coeso e sem momentos desinteressantes, foi escrito pelo diretor e Anna Pavignano, ambos indicados ao Oscar pelo filme "O Carteiro e o Poeta", de 1994.

Recomendadíssimo.


Marlo George assistiu, escreveu e quer ser tão maluco quanto Elsa quando ficar velho.

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