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CRÍTICA [CINEMA] | "Uma Longa Jornada", por Kal J. Moon

11:26 Kal J. Moon 0 Comments

Existe o público que conhece a obra de Nicholas Sparks através de seus livros. Também existe aqueles que conhecem os filmes baseados nestes livros. E existem os homens, aqueles que não são público-alvo deste tipo de literatura ou filme mas que provavelmente acabarão assistindo para acompanhar a namorada ou esposa na empreitada. Coisas da vida.

Pois estes mesmos homens podem ficar tranquilos pois "Uma Longa Jornada" - estrelado por Scott Eastwood, Oona Chaplin, Alan Alda e grande elenco - respeita a inteligência de ambos os públicos e não o subestima de forma alguma. Ao invés de ser um filme puramente romântico, é um filme de verdade.

A possibilidade dentro da incompatibilidade

É curioso ver a química do casal Eastwood e Chaplin na telona. A princípio, eles não teriam nada em comum...

O filme conta a história de amor complicada entre Luke - um antigo campeão de rodeios, que está tentando voltar à ativa - e Sophia, uma universitária que está prestes a embarcar em uma viagem para conseguir o emprego dos seus sonhos no mundo das artes em Nova York. Com caminhos e ideais conflitantes testando o seu relacionamento, Sophia e Luke têm um encontro inesperado com Ira, cujas memórias de seu próprio romance inspiram o jovem casal. Tocando gerações, o entrelaçamento das duas histórias de amor explora os desafios e as recompensas infinitas do amor duradouro.


Porém, a história central NÃO é a deles mas sim a do idoso que eles salvam num acidente. Ela encontra uma série de cartas contando a história de amor dele e isso faz paralelo com sua própria - e curiosa - história romântica.

Mas o grande destaque do filme é realmente o ator Scott Eastwood. Além de ser muito parecido com o pai - o grande ator e diretor Clint Eastwood -, ele personifica o peão boiadeiro com uma honestidade tamanha que faz o espectador acreditar não só em seu personagem como na veracidade da história em si. O jeito de falar, andar e até mesmo gestos simples como tirar o chapéu antes de entrar num recinto fechado nos convence que o ator fez o dever de casa. Ele age como um homem de verdade, não como o que geralmente é idealizado em filmes e livros do gênero.

Outro inusitado destaque vai para a inspirada direção de fotografia, um quesito sempre esquecido em filmes do gênero. Alguns closes nos touros dão um tom de perigo real aos rodeios, contrastando com o tom das histórias contadas. Temos tons próximos de sépia para cenas na Segunda Guerra e tons sóbrios nas cenas atuais. Tudo com equilíbrio e parcimônia.

Porém, o melhor de tudo é o inspirado roteiro. Tudo nele poderia acontecer na vida real. E, mesmo assim, ainda há espaço para o lirismo e sensibilidade, sem exageros ou excesso de melodrama.

Agradará a ambos os sexos por respeitar o espectador a todo o momento. Ao que parece, Hollywood cansou de histórias com finais felizes ao preferir histórias com finais possíveis. Finalmente...!



Kal J. Moon já virou fã de Scott Eastwood, espera que ele seja Steve Trevor mas ficará com inveja dele dar um trato na Mulher-Maravilha...

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