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    quinta-feira, 12 de novembro de 2015

    CRÍTICA [CINEMA] | "Aliança do Crime", por Marlo George.

    "Nossa! Que rapaz caricato.", me disse uma vez um ex-cliente de minha falida videolocadora cerca de 10 anos atrás. Ele era um ator de teatro, não me lembro de seu nome, com quem conversava sempre sobre cinema e outras coisas. Na ocasião, estava sendo exibido na TV da antiga "Marlo Videolocadora" o filme "Os Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra" e lógico que ele estava se referindo à Johnny Depp.

    Pois é! Não há como negar que Depp seja caricato, afinal de contas, não é de hoje que o ator vem nos entregando personagens exagerados, 'carregados na tinta forte', como dizia esse meu ex-cliente. Desde "Cry-Baby", passando por "Edward Mãos de Tesoura", "Jack Sparrow", o "Chapeleiro Maluco", entre outros, Depp vem errando mais do que acertando ao exagerar demais em sua performance. Além disso, o ator vem fazendo péssimas escolhas ultimamente, entrando em 'barcos furados' como "O Cavaleiro Solitário", "Transcendence: A Revolução ", "Tusk" e "Mortdecai: A Arte da Trapaça".

    Ocorre que "Aliança do Crime", novo filme do ator que está entrando em cartaz no Brasil, é um filme muito maior que toda a fanfarronice de Depp.

    Apesar de estar novamente maquiado, o filme de Scott Cooper não abre brechas para que Johnny extrapole ou exagere na tinta, ma vamos falar disso mais pra frente. Trata-se de um drama, baseado em fatos reais, sobre a vida de um dos criminosos americanos mais icônicos das décadas de 70 à 90, James 'Whitey' Bulger. Assim sendo, não havia espaço para cacos e outros improvisos.



    Pontuada pela bela trilha sonora de Junkie XL (Animatrix), as ações criminosas de Whitey são contadas através de delações de seus antigos aliados, que vão desde bandidos sem importância até ex-agentes do FBI. O roteiro é bem escrito, com diálogos interessantes e que mantém a atenção do expectador, apesar do filme ser meio arrastado. A  edição também é competente e tem seu ápice técnico nas cenas finais do longa, que tem um dos desfechos mais legais do ano, fruto da união coesa de música, texto e transições de cenas.

    Quanto ao elenco, Joel Edgerton divide o palco principal com Depp e em muitos momentos me lembrou Harvey Keitel em "Cães de Aluguel", de Quentin Tarantino, o que não é um demérito, muito pelo contrário. Edgerton possivelmente fez um profundo trabalho de pesquisa, pois ele convence como aquele tipo de Agente, ou gente, em quem você, definitivamente, não pode confiar.

    Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Peter SarsgaardRory Cochrane completam o time principal, com atuações competentes, mas sem muita presença, pintando o cenário ideal para o trabalho de Depp e Edgerton. Com isso, quem acabou chamando atenção foram as atrizes Julianne NicholsonJuno Temple que desenvolveram muito bem suas personagens, apesar de terem participações pequenas no longa.

    Infelizmente o mesmo não pode ser dito de Dakota Johnson, que mais uma vez demonstra imperícia e falta de talento, numa performance semelhante à de "Cinquenta Tons de Cinza".


    Mas a grande estrela do filme é mesmo Johnny Depp, de quem eu esperava menos. Ele deixou de lado a forma canastrona que vem empregando em seus personagens, entendeu (finalmente) que menos é mais e, praticamente engoliu os outros atores em cena. Ele estava terrivelmente amedrontador e nem precisaria de maquiagem para isso. Estava nefasto por sua construção precisa da personagem e não por qualquer recurso de efeitos especiais, o que prova que é um grande ator.

    Pode ser que não ganhe o Oscar, mas eu posso apostar que com seu "Whitey", Johnny entra pra corrida, com chances de ser indicado pela quarta vez aos Academy Awards.



    Marlo George assistiu, escreveu e tem amigos em Boston.
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