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    sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Trumbo - Lista Negra", por Kal J. Moon.

    Discordar e pensar diferente não é crime. Mas menosprezar um artista, sob qualquer pretexto, deveria ser. É sobre essa curiosa dicotomia que o diretor Jay Roach estabelece o andamento de seu filme "Trumbo - Lista Negra", estrelado por Bryan Cranston (do seriado "Breaking Bad"), que está concorrendo ao prêmio Oscar de Melhor Ator.




    O Ocaso da Estupidez

    A trama relata parte da vida do roteirista Dalton Trumbo (Bryan Cranston) e sua singular história em Hollywood pois apesar de ter escrito algumas das histórias de maior sucesso da época, como “A Princesa e o Plebeu” e "Arenas Sangrentas" (ambos ganhadores do Oscar de Melhor Roteiro Original), ele se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso, acabou preso e proibido de trabalhar. Mesmo quando saiu da prisão, Trumbo demorou anos para vencer o boicote do governo, sofrendo com uma série de problemas envolvendo familiares e amigos próximos.

    A trajetória deste injustiçado roteirista parece dizer ao espectador, a todo momento, que a paciência é uma virtude pata poucos e saber esperar traz as melhores recompensas. Trumbo precisou lutar contra a intransigência de quem tinha posição política diferente daquela que ele defendia. Mas com uma diferença básica: enquanto os partidários do lamentável Macarthismo (pesquisem sobre o assunto pois é fundamental para quem ama cinema) insistiam numa infrutífera paranoia contra o comunismo e a suposta "invasão vermelha" bem própria da Guerra Fria, Trumbo preferia entender que existiam muitas outras evidências de que impedir milhares de trabalhadores de exercerem seus ofícios apenas por uma diferença de opinião era virtualmente muito, muito errado. Mas durante aqueles tempos, isso era inadmissível e completamente imperdoável...

    O mais estranho é ficar sabendo que astros da época como LucilleBall, Gregory Peck, Ronald Reagan e, acima de tudo, John Wayne - dentre muitos outros - decidiram apoiar o Governo dos EUA - ou aqueles que diziam representar o interesse dos ianques - naquele movimento absurdo e completamente incoerente em vez de aliar-se aos responsáveis pelos seus sucessos. Quem é da classe artística deve ficar do lado de quem respira arte e não de quem tenta controlá-la, medí-la ou calá-la.. O tempo mostrou a todos o quão errado foi aquele ato.


    O roteiro de John McNamara - baseado no livro de Bruce Cook - e a direção concisa de Jay Roach (mais conhecido por comédias como as trilogias "Austin Powers" e "Entrando numa Fria") fazem o diferencial num filme deste tipo, que poderia cair no sentimentalismo barato dos anos de sofrimento, dor e penúria por que Trumbo passou. Porém, ao mostrá-lo como alguém que desafiava sua própria condição e exigia ir além, mostra a velha corrida rumo à vitória por parte de alguém que teve de se virar para alcançar seus objetivos. Trumbo, neste filme, é mostrado como alguém a frente de seus inimigos, como um experiente jogador de pôquer, memorizando cada movimento e esperando fielmente pela cartada final.

    Claro que ter um ator do porte de Bryan Cranston, num merecido reconhecimento no cinema para alguém advindo da TV, é um luxo partilhado por poucos. Cada palavra proferida por ele em cena emprega uma validação e uma sinceridade pertencente apenas àqueles que dominam cada elemento de seu ofício. Sua atuação vale cada segundo em cena e valoriza cada centavo gasto no caro ingresso do cinema.

    Deve-se reconhecer também os talentos em cena de Helen Mirren, Louis C.K., Diane Lane, a jovem e promissora Elle Fanning e, claro, John Goodman, num pequeno porém hilário personagem - que até merecia uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

    "Trumbo - Lista Negra" não é um filme perfeito, poderia passar em qualquer sessão noturna de sábado na TV ou, em outros tempos, alugado em alguma promoção de videolocadora. Mas, ainda assim, é um corajoso exemplo de mostrar o lado podre de Hollywood e ainda fazê-lo aplaudir. Isso não é para qualquer um. E se hoje temos uma crise de criatividade no cinema, talvez devêssemos pensar nos talentos extintos naquela época e que essa crise criativa seja consequência de tudo aquilo, afinal...



    Kal J. Moon ainda se espanta de saber que tentaram calar a criatividade no lugar que já foi um dos mais criativos do mundo...
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