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CRÍTICA [CINEMA] | "Presságio de um Crime", por Kal J. Moon

17:17 Kal J. Moon 0 Comments


Imagine que você é um jovem e talentoso diretor brasileiro de cinema. Tem um grande filme no currículo e é chamado para sua grande estreia em Hollywood. Te prometem a famosa liberdade criativa, elenco a sua escolha e tal. Mas com uma condição: consertar um filme encalhado há tempos. 

O que você faz? Reinventa a roda ou serve o velho e bom feijão com arroz?

O espectador tem essa impressão ao assistir "Presságio de um Crime", filme dirigido pelo brasileiro
Afonso Poyart (do sensacional "Dois Coelhos", que já tem seus direitos vendidos para um remake a ser rodado nos EUA).

Sem dor, sem ganho?

É difícil mensurar até que ponto a influência de Poyart sobre o roteiro e a condução de "Solace" - nome original do filme - serviu para transformar o projeto no que vemos em tela. Possivelmente, a parte mais marcante é ter justamente o montador Lucas Gonzaga (que já trabalhou com o diretor em "Dois Coelhos") para burilar visualmente uma história tão clichê...

Na trama, quando Joe Merriwether -agente especial do FBI (Jeffrey Dean Morgan) - encontra-se de mãos atadas na investigação de um serial killer, decide recorrer à ajuda de seu ex-colega, Dr. John Clancy - médico aposentado  (Anthony Hopkins) e suas visões premonitórias.

O elenco ainda conta com as presenças de Colin Farrell (que vem surpreendendo ultimamente, como no ignorado "Um Conto do Destino") e Abbie Cornish (que esteve brevemente no reboot de "Robocop", dirigido pelo também brasileiro José Padilha) - mas nada que chame realmente a atenção.

Porém, este não é um filme de grande roteiro - escrito a quatro mãos por Sean Bailey (Tron - O Legado) e Ted Griffin (Roubo nas Alturas) -, principalmente se levarmos em conta que a trama é "muito parecida" com diversos episódios de seriados como "The Dead Zone" (aqui, "O Vidente") e o já clássico "Millenium".

E talvez tenha sido essa a intenção de Poyart. Sai a maestria e mirabolância, entra a execução correta e visual deslumbrante.

Embora não seja nada ousado, o filme consegue entreter e traz um final que ainda cria um gancho bem interessante, com possibilidade de se transformar numa nova franquia.

Resumindo: funciona.


Kal J. Moon sorriu ao presenciar falas entre Morgan e Hopkins envolvendo... piadas!

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