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    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "O Quarto de Jack", por Kal J. Moon

    Sabe aquele tipo de filme que, se contarmos qualquer detalhe, pode estragar a diversão e até mesmo a possibilidade de se gostar do mesmo?

    "O Quarto de Jack", dirigido por Lenny Abrahamson e estrelado pela afiada dupla Brie Larson & Jacob Tremblay, pertence justamente a essa categoria.

    Pena que isso não faça dele um filme necessariamente bom...

    Sob a égide do medo


    "Viver com medo é quase o mesmo que viver como um escravo", já dizia um certo autômato muito famoso na década de 1980. As palavras não eram ~exatamente essas mas servem para ilustrar toda a saga de Joy (Larson) e o pequeno porém esperto Jack (Tremblay), um espirituoso menino de 5 anos que é cuidado por sua amada e devota mãe, que se dedica em mantê-lo feliz e seguro, cuidando dele com bondade e amor e fazendo coisas típicas como brincar e contar histórias. Sua vida, entretanto, é tudo menos normal – eles estão presos – confinados em um espaço de 10 metros quadrados sem janelas, o qual Joy chama, eufemisticamente, de “O Quarto de Jack”. Ela cria todo um universo para Jack dentro daquele lugar e não parará por nada para garantir que, mesmo neste ambiente traiçoeiro, Jack seja capaz de viver uma vida completa e satisfatória. Mas, enquanto a curiosidade de Jack sobre a situação em que vivem cresce, a resiliência dela alcança um ponto de ruptura. E eles ensaiam um arriscado plano de fuga, o que os leva a encarar o que pode ter se tornado a coisa mais assustadora de todas: o mundo real.

    A primeira metade do filme, talvez lá pelo terceiro ponto de virada da trama desenvolvida por Emma Donoghue - baseada em livro de sua própria autoria - trata dum tema tão pesado mesclando crueza e inocência de uma forma há muito não vista no cinema. As atuações de Larson (que, agora, nem acreditamos tê-la visto no primeiro "Anjos da Lei"!) e Tremblay ("Os Smurfs 2") mostram uma química, proveniente de muito ensaio e improvisação, que faz o espectador acreditar na luta daquela mãe para proteger seu filho a todo custo do que seu destino permitiu que ocorresse em suas vidas - quase como uma versão mais realista de "A Vida É Bela".


    Porém, quando temos o ponto de ruptura principal da trama, sente-se falta do distanciamento entre autora e roteirista. Onde seria o final PERFEITO nesta história, com espaço para um breve epílogo e sua posterior conclusão, alonga-se a narrativa a ponto de todos saberem que o filme já deveria ter terminado há muito tempo. Depois que a porta se abriu, a magia acabou. Pena.

    Destaque à criativa direção de fotografia de Danny Cohen ("O Discurso do Rei", "Os Miseráveis" e o recente "A Garota Dinamarquesa"), pois inventar ângulos interessantes num pequeno espaço não é para qualquer um.

    Mesmo com todos os problemas apontados, ainda vale a ida ao cinema para prestigiar a bela e emocionante - além de totalmente crível - atuação de Brie Larson, merecidamente reconhecida com a indicação ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel.



    Kal J. Moon odeia espaços compactos e abomina abusadores de qualquer espécie...
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