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    terça-feira, 19 de abril de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Ave, César!", por Kal J. Moon

    Será muito difícil que vejamos, algum dia, um jovem crítico de cinema exaltando, com brilhos nos olhos e de forma copiosa, a assim chamada "era de ouro" de Hollywood, com todos os seus maneirismos, atores monotemáticos dramaticamente, os eternos musicais sem trama convincente e com trilha sonora praticamente igual, dependendo do enredo contado...


    E é sobre essa tão bem falada Era de Ouro do Cinema que "Ave, César!" - novo filme dos Irmãos Coen, estrelado por Josh Brolin, George Clooney e grande elenco - nos leva e desmistifica tudo, mostrando a real faceta dos bastidores dessa verdadeira máquina de fazer doidos!

    Uma verdadeira aula de Cinema
    Eddie Mannix (Josh Brolin) é um cara ocupado. Ele gerencia um grande estúdio de cinema e tem de tomar decisões rápidas porém certeiras. Do contrário, milhões podem ir pelo ralo. Uma de suas mais promissoras produções, o filme "Ave, César!" acaba de ter um pequeno problema... Seu protagonista, o ator sem muitos recursos dramáticos Baird Whitlock (George Clooney) é sequestrado e isso pode atrasar as filmagens do épico à la "Ben Hur". E atraso significa gastos. Sempre.


    Enquanto investiga o sumiço do ator e tenta providenciar soluções cabíveis - ou não - para colocar "panos quentes" enquanto não dá um jeito na situação, ainda tem de lidar com colunistas, atores que subiram de posto, comunistas e tudo o que mais pudermos imaginar.


    Há quem pense que misturar tramas e estilos possa resultar num desastre em mãos menos habilidosas. E que filmes que não se explicam a cada cinco minutos podem desmerecer a atenção do público atual. Bobagem! Estamos falando dos irmãos Ethan e Joel Coen, responsáveis por obras lisérgicas como "O Grande Lebowski", farsescas como "E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?" - ainda a melhor versão da "Odisséia", de Homero - e densas como "Onde Os Fracos Não Tem Vez"! São confiáveis, ora bolas!


    E desta vez, pasmem, eles resolveram fazer uma grande homenagem como todos os filmes que ninguém os deixariam fazer. Todos esses filmes em apenas um! Temos investigação noir ao melhor estilo "O Falcão Maltês"! Temos, claro! Temos musicais com canções mal-escritas e tão inocentes que chegam a enrubescer a face de qualquer adulto? Lógico! Esse musical é acompanhado de uma genial inclusão de uma coreografia executada por atores vestidos de marinheiros? Sem dúvida! E ainda sobra tempo para debochar do Macarthismo sem dó, com direito a brincar de parodiar astros do passado como Carmem Miranda, Roy Rogers - ou seria John Wayne? -, Alfred Hitchcock, Otto Preminger, dentre outros.


    Além de ser uma verdadeira aula de como fazer cinema sem se prostituir - e consegue nos fazer gargalhar bem alto enquanto isso! -, ainda tem as participações mais do que especiais de atores e atrizes como Clancy Brown, Scarlett Johansson, Ralph Fiennes, Frances McDormand (óbvio!), Tilda Swinton, Jonah Hill que, junto às revelações Alden Ehrenreich e Channing Tatum, formam um elenco afiado e surpreendente em muitos momentos deste verdadeiro espetáculo!


    Kal J. Moon sabia cantar e dançar ao estilo da Era de Ouro. Até que assistiu 'Blade Runner' e tudo mudou...
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