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    quinta-feira, 7 de abril de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Rua Cloverfield, 10", por Marlo George.

    Cerca de 10 anos atrás eu tinha uma locadora de vídeos e no acervo tinha uma fita VHS inusitada: Um guia de sobrevivência ao apocalipse digital que iria impactar o mundo com o advento do "bug do milênio". Dia primeiro de 1º de janeiro de 2000 chegou, os computadores não "piraram" e toda aquela gente que fazia parte do elenco do documentário, possivelmente, ficou com cara de otário, com seus kits de sobrevivência, armas de grosso calibre, cães de guarda, estoques de comida e todo tipo de coisa que os ajudaria a superar o caos.

    Mal sabiam que um saco de papel pra enfiar na cabeça seria mais útil naquela hora do que toda aquela parafernália.


    Rua Cloverfield, 10 conta a história de um destes precavidos americanos, paranoicos com a possibilidade de um ataque estrangeiro, alienígena ou divino. Howard (John Goodman) construiu um bunker para se proteger destas possíveis, mas improváveis, ameaças que fica no sub-solo de sua fazenda. No cafofo anti-nuclear ele abrigou duas pessoas, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) que foi acolhida após um acidente automobilístico e  Emmett (John Gallagher Jr.) um vizinho de Howard que buscou abrigo no bunker após acontecimentos inexplicáveis acontecerem nos arredores de sua casa.

    Apesar da aparente benevolência de Howard, o anfitrião não confia em seus "hospedes" e os mantêm em cativeiro, sob regras rígidas, enquanto aguardam que a situação lá fora, ainda desconhecida, melhore.

    O filme é tenso e pontuado com uma trilha sonora e som angustiantes. Rodado em poucas locações, como o clássico "Cães de Aluguel", de Quentin Tarantino, Rua Cloverfield, 10 é claustrofóbico e perturbador. A motivação de Howard é um mistério e a personagem transita entre o bem, o mal e o cinza diversas vezes durante o longa. Michelle e Emmett  tendem a não confiar nele, apesar do esforço tremendo que o fazendeiro faz para agradá-los e parecer digno de confiança. Há algo de negativo em sua bondade, mas suas verdadeiras intenções só são reveladas no final. E quando digo reveladas, não quero dizer explicadas...

    Assista e tire suas próprias conclusões.


    John Goodman está incrível no filme e seus companheiros de cena, Winsted e Gallagher Jr., apesar de atuarem muito bem, não estão à sua altura e ficam pequeninos em sua gigantesca presença. Howard é um papel feito sob-medida para Goodman, assim como Michelle o é para Winsted, que foi a única escolha para interpretá-la. O filme tem ainda participações especiais de Douglas M. Griffin, Suzanne Cryer, Bradley Cooper, Sumalee Montano e Frank Mottek.

    O diretor do filme é o novato Dan Trachtenberg e este é seu primeiro longa para o cinema. O filme é produzido por J.J. Abrams e sua produtora Bad Robot que também produziu Cloverfield: Monstro (2008). Apesar dos títulos similares, e de vários easter-eggs e referências, os dois filmes não tem ligações diretas, sendo, de acordo com Abrams, apenas "consanguíneos". O projeto Rua Cloverfield, 10, assim como o de Cloverfield: Monstro, foi mantido em segredo e só foi oficialmente anunciado dois meses atrás.

    Com um final inesperado, que deixa um gancho para uma sequência, Rua Cloverfield, 10 tem o mérito de extrair do elenco aquilo que este tinha de melhor, mas peca por ser arrastado e longo demais.

    Se fosse um curta, talvez fosse mais eficaz ao contar esta interessante história.



    Marlo George assistiu, escreveu e tem um bunker lotado de fitas VHS e rosquinhas. Vai que o mundo acaba mesmo...
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