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    quinta-feira, 9 de junho de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Mais Forte que o Mundo", por Kal J. Moon

    O Cinema brasileiro, após a Retomada, ficou caracterizado - para o bem ou para o mal - em três gêneros bem específicos: filmes sobre a violência urbana - apelidados de "filmes de favela" -, comédias - românticas ou rasgadas - e, claro, biografias.

    Com o sucesso de público, alta bilheteria e o reconhecimento da crítica com prêmios nacionais e internacionais, era viável e comercial fazer Cinema novamente no Brasil.

    O problema é que, com o passar dos anos, alguns poucos cineastas ganharam o circuito comercial mostrando mais do mesmo com filmes que não despertavam a inteligência do espectador e toda uma nova geração de contadores de histórias era tolhida pelo fato de se investir somente na fórmula que dá certo, sem ousadia, apenas para se manter na assim chamada "zona de conforto".


    Que bom que "Mais Forte que o Mundo" é dirigido por Afonso Poyart (de "2 Coelhos" e o recente "Presságio de um Crime", alguém que pensa fora da caixinha...
    Underdog

    A trama conta a trajetória de José Aldo (José Loreto), forte rapaz de família pobre, marcada pela violência doméstica, que deixa o Estado do Amazonas e parte em direção ao Rio de Janeiro para buscar uma chance como atleta. Para vencer os oponentes no octógono e se tornar o primeiro campeão peso-pena do UFC, ele terá antes que acertar suas contas com o passado e superar velhos traumas. 

    O roteiro escrito pelo próprio Poyart em parceria com Marcelo Rubens Paiva traduz, de forma ímpar, o conceito internacional de "underdog", que, aqui, ficou conhecido como "vira-lata" ou "marginal" mas que não é bem isso. Trata-se daquele tipo de pessoa enjeitada, que não se encaixa muito bem naquilo que os outros chamam de "normal". Com isso, enfrenta problemas até encontrar sua "praia" ou aquilo em que pode dizer, indubitavelmente, que é muito bom.

    Com isso, Rocky Balboa diz bom dia, Daniel Larusso acena com a cabeça e até mesmo Jack LaMota abre um largo sorriso. Mas, ainda assim, mesmo com todas as licenças poéticas, essa é uma biografia, uma história baseada em algo real. Como ir além do palpável?

    O jeito encontrado por Poyart foi investir na forma para valorizar o conteúdo. Não contar essa história de dificuldades, luta e vitória de forma totalmente linear foi uma delas. A trama avança ou volta no tempo para mostrar uma trajetória que seria monótona se fosse construída de outra forma. Utilizar diversos recursos visuais - e até mesmo animação! - colaboraram para fazer dessa história talvez a mais criativa biografia brasileira a chegar ao cinema.


    O filme também conta com desempenhos satisfatórios e totalmente convincentes de José Loreto, Cléo Pires, Jackson Antunes, Cláudia Ohana e grande elenco. E mesmo sendo uma história com diversos momentos pesados, há espaço para humor, o que torna esta biografia algo que conversa com diversos públicos ao mesmo tempo.

    "Mais Forte que o Mundo", por si só, é uma história que merece ser contada desse jeito: como se fosse a primeira vez, sem rodeios mas mantendo o interesse até o final.
    Lembre-se: Poyart não decepciona. Loreto domina a tela. Pires convence a cada segundo. E a história cativa aos poucos, sem pressa. Do que mais você precisa?



    Kal J. Moon tem quebrado muito playboy por ...
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