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    quarta-feira, 13 de julho de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Caça-Fantasmas" (2016), por Kal J. Moon


    Após uma extensa campanha de ódio pela internet, por conta de possuir um elenco principal inteiramente feminino, "Caça-Fantasmas" finalmente estreia no Brasil.

    Estrelado por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Leslie Jones, Kate McKinnon e Chris Hemsworth, dirigido por Paul Feig, cheio de participações especiais, fica a pergunta: este filme é tão bom quanto o original?

    Não tinha como dar errado...

    "Caça-Fantasmas" é uma das mais queridas franquias da História do Cinema e da cultura pop em geral. Possuía dois longas, três séries animadas, diversos games e milhares de itens feitos para licenciamento.

    Iniciou-se como um filme bem despretensioso, sem qualquer planejamento de futuras sequências - tanto que, quando finalmente aconteceu, foi um completo desastre - mas com algo bem poderoso em seu projeto original: o conceito.

    Embasando-se claramente como uma bizarra paródia de "O Exorcista" e "Poltergeist", a trama brincava com a idéia de como seria se as pessoas pagassem para expulsar "maus espíritos" de suas casas. Assim como pagamos para dedetizarem locais. Isso não existe mas como seria se existisse? 

    Simples assim.

    E tinha o elenco, o timing, a direção, a fotografia... Tudo convergindo para que desse certo. E deu. 

    Muito.


    Mas o tempo passou. Apesar de ter conquistado adultos e crianças, a franquia envelheceu mal e a tentativa de ressuscitá-la nunca foi adiante. Dan Aykroyd - que interpretou Ray e coescreveu o roteiro do filme original - sempre esteve envolvido no projeto de um terceiro filme, seja escrevendo ou revisando algum roteiro. Talvez nunca a expressão "em desenvolvimento" foi tão utilizada quanto em algo relacionado a essa continuação.

    E, claro, tinha o "Fator Bill Murray". O ator não queria estar envolvido em qualquer continuação - ele só fez o segundo filme por força de cláusula de contrato - e sempre quis manter distância. Até que alguns tratamentos de roteiro - e talvez muitos fracassos cinematográficos - o fizeram prestar atenção na condução da coisa. A maior de suas exigências era que Peter Venkman - seu personagem no filme original - ou fosse morto ou que aparecesse como um fantasma. Até cogitaram escrever um roteiro com essa premissa mas mudanças de planos por parte do estúdio e, pra completar, a morte do ator Harold Ramis - que interpretou Dr. Egon Spengler e também coescreveu o roteiro do filme original - fez com que a produção tomasse novo rumo.

    Quando o diretor Paul Feig anunciou que não faria uma continuação daquele filme lançado há mais de 30 anos mas sim que usaria o conceito para contar uma nova história, celebrou-se a decisão.
    Mas o primeiro - e principal - problema surgiu quando se anunciou que o filme seria estrelado por quatro atrizes.

    A rejeição foi grande pela internet afora. Muitos diziam que isso macularia o espírito do filme original, um filme cuja visão era de homens urbanos e que, independente do motivo, isso não era o correto a se fazer.

    E a encruzilhada estava bem a frente da produção. Se o filme fosse bom e arrecadasse bem nas bilheterias, ponto pras meninas, empoderamento funciona, festa e fogos de artifício. Mas se desse tudo errado e, principalmente, se o faturamento fosse baixo, bem, talvez aqueles homens que reclamaram tanto estivessem - bem, como se diz mesmo? - ~"certos".

    E aqui estamos em 2016, uma nova audiência, completamente daquela formada em 1984. E talvez isso influencie o jeito de assistir esse filme...


    A trama deste novo exemplar é a seguinte: Erin Gilbert (Kristen Wiig), respeitada professora da Universidade de Columbia, escreveu, em parceria com a colega de faculdade Abby Yates (Melissa McCarthy), um livro sobre a existência de fantasmas  A obra, que nunca foi levada a sério, é descoberta por seus pares acadêmicos e Erin perde o emprego. Quando Patty Tolan (Leslie Jones), funcionária do metrô de Nova York, presencia estranhos eventos no subterrâneo, Erin, Abby e Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) se unem e partem para a ação pela salvação da cidade e do mundo.
    Temos um elenco que se esforça para agradar - com destaque para o vilão interpretado por Neil Casey. Leslie Jones é a única atriz que funciona em todas as cenas e Kate McKinnon é a coisa estranha mas simpática no set. Possivelmente, foi a única a improvisar de fato durante as filmagens.

    O destaque negativo do elenco é, justamente, Chris Hemsworth, mostrando que não funciona com improvisos, humor ou, hã, atuação.

    Mas o restante do elenco parece estar agindo no automático, seguindo o roteiro. Roteiro este cheio de problemas de ritmo e não sabendo brincar com o fantástico em meio ao mundo real. Muitas das piadas simplesmente não funcionam e algumas ideias interessantes se perdem sabe-se lá o motivo. 

    Existem muitas explicações onde não deveria - contar as origens de quatro personagens foi um pouco demais - e algumas explicações foram simplesmente ignoradas.

    Este filme não pode ser considerado um reinício pois tem muitos elementos do original e, a todo o tempo, temos algo que diz que nada é novo ali. Possivelmente, afastar-se do original manteria o frescor necessário à essa arriscada empreitada. Assim como fizeram com os dois "Anjos da Lei", por exemplo...

    Os efeitos especiais são corretos, embora só sirvam para atualizar o que funcionou no original.
    Não adianta nada pensar em representação de parte de um público se não apresentamos um produto que esteja à altura do consumo de todos os públicos.

    Não tinha como dar errado. Mas deu. E muito. Pena.

    Mas quer saber? Se olharmos a História, o filme original teve diversas críticas negativas, apontando um monte de erros - e eles estão lá, acredite - e, mesmo assim, foi um tremendo sucesso.

    E sabem por que? Simplesmente porque quem decide se um filme é bom ou ruim, divertido ou não, é o público. E nada do que alguém disser pode convencer do contrário.

    As participações especiais dos atores do filme original estão lá para servir aos fãs mais antigos e temos diversas referências pra se presenciar. E a continuação - se tudo der certo - deixa bem claro que o roteiro do filme original pode ser, mais uma vez, revisitado.

    (Não saia do cinema ao término pois o filme CONTINUA durante os créditos finais)

    Portanto, vá ao cinema, assista e tire suas próprias conclusões. No fim das contas, é isso que vale...


    Kal J. Moon não rejeita trabalho nem pagamento mas tinha um tio que acreditava ser São Jerônimo...
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    2 comentários:

    1. Kal gostei do fim da sua critica onde você diz que quem manda é o publico, até então achava que so eu pensava assim, tanto concernente a filme, como também a livro... E o ivan Raitman? o que aconteceu que ele não se interessou pelo projeto?

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      1. É uma boa pergunta e talvez só ele mesmo saiba responder. DIZEM que ele saiu do projeto após suas ideias e as de Dan Aykroyd terem sido rejeitadas pelo estúdio mas vai saber até onde isso corresponde à verdade...

        O estúdio confiou em Feig após o grande sucesso de bilheteria de "Spy", dirigido por ele e estrelado por Melissa McCarthy. Foi um filme relativamente barato com um ótimo retorno financeiro.

        Já Reitman... Bem, faz anos que ele não produz algo rentável em Hollywood... (KJM)

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    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Caça-Fantasmas" (2016), por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
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