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    quinta-feira, 1 de setembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Aquarius", por Kal J. Moon

    Aclamado no Festival de Cannes e cercado de uma desconfortável polêmica, o filme "Aquarius" - dirigido por Kléber Mendonça Filho (de "O Som ao Redor") e que traz o retorno de Sonia Braga à sétima arte - finalmente estreia em território brasileiro. Mas será que é mesmo "isso tudo" que estão falando?

    Delicado som de trovão
    Diversas canções brasileiras - dos mais controversos estilos. Freddie Mercury e a banda Queen a todo volume. Aquela versão "diferente" do "Parabéns pra Você". Cenário estabelecido em Recife ou no Nordeste do Brasil. E aquele ordinário cotidiano por todo lugar. Mesmo que o espectador nunca tenha assistido a qualquer filme escrito e dirigido por Kléber Mendonça Filho, alguns - ou todos - esses elementos listados acima podem ser encontrados em sua obra. E isso só revela que seu texto tem uma continuidade nos trabalhos subsequentes.



    Nenhum desses elementos é colocado de forma gratuita em "Aquarius". Talvez nem mesmo se quisesse... Na trama, Clara (Sonia Braga) é uma aposentada jornalista - especialista musical - e a única moradora de um condomínio em Recife que não quer vender seu apartamento para que se construa um luxuoso edifício no local. Os outros moradores já saíram mas ela persiste em ficar, mesmo após ofertas ~"generosas" ou táticas de terrorismo. Ela tem seus motivos.

    E pode até parecer presunção ou exagero mas Clara é uma das personagens femininas mais importantes do cinema brasileiro dos últimos vinte anos. Dona de uma sabedoria ímpar - mas sem rabugice ou nariz em pé -, ela profere verdadeiras pérolas que poderiam ser ditas por qualquer pessoa mas nunca da mesma forma ou com a mesma propriedade. Tudo isso defendido pela voz e a personalidade forte empregada por uma Sonia Braga que nasceu para essa personagem e a recíproca é verdadeira. É hipnótico ver tamanha entrega em cena. Cada fala, cada gesto, cada dança, cada respirar nos faz torcer por um final feliz ou pelo menos digno a essa guerreira.

    O roteiro de "Aquarius" é tão bem construído que consegue transformar (muitas) cenas de nudez e sexo explícito - velha muleta brasileira herdada dos tempos da pornochanchadas - em algo que tenha total relação com a trama apresentada. E faz o maior sentido!


    Mesmo com elementos em comum com o superestimado "O Som ao Redor", o roteirista e diretor amadurece de forma visível em prol da história, plausível, tocante, emocionante e que merecia ser contada com todo esse esplendor.

    Chegando ao terço final, vemos uma obra de total dedicação de todos os envolvidos, com eficiente suspense, drama bem equilibrado com uma fina ironia e um desfecho que, se não é inesperado, encerra com maestria essa trama corriqueira mas que conquista o espectador a cada segundo de exibição.

    "Aquarius" é cinema bem feito, bem escrito, bem encenado, bem dirigido, bem filmado, bem executado. Dá gosto de ver!


    Não importa se terá grande bilheteria, se concorrerá - ou ganhará - ao Oscar, se terá aclamação de público e crítica. "Aquarius" é um filme que merece ser visto com a urgência de quem foge da providencial chuva ao ouvir um delicado som de trovão. "Aquarius" é um filme necessário por sua própria natureza. Em uma palavra? Imperdível!




    Kal J. Moon aplaude toda e qualquer iniciativa do cinema brasileiro para se livrar de vez da "Síndrome de Vira-Latas"...
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