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    segunda-feira, 12 de setembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Desculpe o Transtorno", por Kal J. Moon

    "Desculpe o Transtorno" é a nova comédia estrelada por Gregório Duvivier. Ator, roteirista, produtor e cofundador do canal de humor Porta dos Fundos, ele divide a cena com Clarice Falcão, Dani Calabresa, Rafael Infante, Daniel Duncan, Marcos Caruso, Zezé Polessa e grande elenco.

    Então, é só pegar a pipoca, se ajeitar na poltrona e começar a rir, certo?

    Comédia "gourmet"
    O plot de "Desculpe o Transtorno" é bem interessante. Trata-se da história de Eduardo (Duvivier) e seu maior inimigo: ele mesmo. Sua vida é obsessivamente organizada e previsível, seguindo planos que se resumem a virar sócio da empresa do pai e casar com a controladora namorada Viviane (Calabresa). Mas uma notícia inesperada transforma sua rotina no mais absoluto caos. Abalado com as lembranças, ele sofre um choque psicológico e se transforma em Duca, seu ~“outro eu”, mais descontraído e bastante inconsequente. Diagnosticado com dupla personalidade, Eduardo terá que se desdobrar para encontrar sua verdadeira identidade e para isso, contará com a ajuda dos amigos (Rafael Infante e Daniel Duncan) e da extrovertida Bárbara (Clarice Falcão), por quem Duca se apaixona.
    Eduardo (Gregório Duvivier) é um homem dividido
    entre Viviane (Dani Calabresa) e Bárbara
    A ideia é ótima (mesmo que pareça muito com uma versão brasileira de "Eu, Eu Mesmo e Irene", estrelado por Jim Carrey - até no cartaz!), a realização, nem tanto pois a trama tem diversos problemas. O principal deles é termos um filme que se propõe ser uma comédia romântica - gênero este já bem desgastado - mas que reforça bastante o foco no romance, deixando a parte cômica bem a desejar. O espectador assiste com risos tímidos, esperançoso de que vai melhorar com o andamento da história.

    Os atores em cena parecem um tanto desconfortáveis em cena, como se não soubessem que caminho seguir e, por isso mesmo, decidem fazer o que lhes dessem na telha. Todos estão "carregando na tinta", muito exagerados, tentando buscar o humor, que não chega na maioria das vezes.
    Dani Calabresa (de roxo) e sua Viviane:
    em dia com o humor!
    Destaque negativo para Daniel Duncan, visivelmente com a postura "o que estou fazendo aqui, ó céus!", que não colaborou em nada em quaisquer cenas em que apareceu, tornando seu "personagem" - um candidato a comediante de stand-up (sério, mesmo?) - completamente irrelevante.

    A única exceção é justamente Dani Calabresa e sua personagem Viviane, uma das responsáveis por "castrar" Eduardo (Duvivier) psicologicamente falando. Os poucos momentos cômicos que realmente funcionam no filme tem sua participação direta ou indireta. E também a realmente hilária participação de Júlia Rabello, cuja personagem também tem múltiplas personalidades.

    O filme ainda tem uma edição canhestra, ora acelerada, ora morosa, tornando a exibição um verdadeiro desafio aos espectadores. O que nos faz pensar que, talvez, muito do filme precisou ser limado, uma vez que o roteiro de Tatiana Maciel e Célio Porto teve tratamento final de Adriana Falcão - que pode ter sido chamada para "fazer o filme funcionar". Infelizmente, todo o trabalho foi em vão.

    Há quem vá colocar a culpa na direção de Tomas Portella por não ter colocado freio nos atores em muitos momentos ou de ter seguido o roteiro mais firmemente. Bobagem. Nenhum ator ou diretor salva um texto ruim, mal desenvolvido ou que não funcione.
    Daniel Duncan, Duvivier, Clarice Falcão e Rafael Infante
    durante a "BARatona": não foi só esse nome que  não funcionou...

    Talvez a ideia de fazer uma "quase-comédia" com muitos tons de romance e algum drama tenha sido a primeira decisão errada tomada pela produção. Se fosse um drama pesado nos moldes do ótimo "Entre Abelhas", quem sabe o espectador talvez tivesse maior empatia com esses personagens. Até porque a trama ganha contornos dramáticos muito válidos e modernos no terceiro ato. Mas já é tarde demais...

    Poderia ser uma queima de fogos de artifício mas acabou tendo o efeito de um "estalinho" - molhado. No fim da exibição, ironicamente, o nome do filme vira quase um pedido de compreensão por parte da produção. Pena.

    Kal J. Moon acha que não sabe quem ele é, do que não gosta...
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    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Desculpe o Transtorno", por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
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