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    quinta-feira, 29 de setembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "O Lar das Crianças Peculiares", por Kal J. Moon

    O cultuado diretor Tim Burton está de volta no comando da adaptação cinematográfica de "O Lar das Crianças Peculiares" - baseado no livro de Ransom Riggs. Estrelado por Eva Green, Asa Butterfield, Judy Dench, Rupert Everett, Samuel L. Jackson e um grande elenco juvenil, é o filme perfeito para assistir com a criançada, certo? Bem...
    A turma do 'Lar': quase um freak show
    Quem matou Tim Burton?
    Quando se menciona o nome de Tim Burton, a primeira palavra que vem à mente de muitos é "dark". Dono de uma estética que homenageia grandes baluartes do passado - de Marnau ao expressionismo alemão -, Burton iniciou-se profissionalmente como parte da equipe de animação da Walt Disney Pictures. Mas sua cabeça bolava histórias bem melhores do que as apresentadas pelo estúdio do rato preto naquela época.

    Seu primeiro longa-metragem foi o curioso "As Grandes Aventuras de Pee-Wee" (1985), com Paul Reubens  no papel principal. Depois vieram clássicos "burtonianos" como "Os Fantasmas Se Divertem" - que ganha continuação em breve -, "Eduardo Mãos de Tesoura", os dois filmes do Batman... Nada parecia impossível para o diretor que trazia a temática gótica de volta ao cinema. Nem mesmo adaptar a história do pior cineasta do mundo! Com "Ed Wood" - um de seus melhores trabalhos -, alcançou até mesmo a atenção do Oscar por conta do belo trabalho defendido pelo ator coadjuvante Martin Landau.

    A partir daí, a carreira de Burton oscila com momentos interessantes e outros nem tanto. Curiosamente, 'adaptar' parecia a palavra de ordem pois "Marte Ataca!", "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" e "Planeta dos Macacos" eram produtos com a assinatura visual do diretor mas, infelizmente, menos inspirados. Como se houvesse um cansaço mas a indústria não o permitiria descansar. Então, adaptar, adaptar e adaptar, sem respirar. E sem inspirar-se.
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    é o estranho destaque do elenco
    Mas Burton ainda era sinônimo de força nas bilheterias. Deixou de ser apenas cultuado para tornar-se um forte nome cinematográfico. Porém, depois do belo "Peixe Grande", faltava algo às suas produções seguintes. Mesmo com bilheterias expressivas, "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "A Noiva Cadáver" estavam longe do auge da criatividade do que se espera de um filme assinado por ele. "Sweeney Todd", seu primeiro musical, talvez seja o último suspiro de uma carreira brilhante. Os filmes seguintes - alguns bem sucedidos em bilheteria e outros nem tanto - só mostravam o diretor como que no piloto automático.

    E chegamos a 2016 e mais uma adaptação literária. Longe da Disney desde "Alice Através do Espelho" - continuação de "Alice no País das Maravilhas", onde participou apenas como produtor executivo por força de contrato (ele detesta continuações) -, a Fox Filmes é seu novo lar. E "O Lar das Crianças Peculiares", sua nova cria. Uma cria talvez um tanto bastarda.

    Baseada numa série popular de livros infanto-juvenis (ou não, vai saber...), a trama do filme é a mais genérica de todas. Veja só: jovem de vida ordinária e rejeitado por todos ao redor - incluindo parentes próximos - é alertado por idoso sobre seu destino com poderes extraordinários. Após eventos trágicos, parte numa jornada de auto-conhecimento e acaba descobrindo outros seres semelhantes com poderes incríveis, liderados por mentora exigente porém de bom coração. Ao conhecer o amor, tem de mostrar seu valor perante a vilões que pretendem exterminar seus novos amigos. Todos terão de unir forças para derrotar o exército do mal, que é liderado por um canalha falastrão, loquaz e com desejos nefastos.

    Pode parecer implicância mas já vimos essa mesma história em dezenas de livros, filmes e histórias em quadrinhos, de X-Men a Harry Potter. Mas é aquele negócio: se bem conduzido e estruturado, qualquer história banal pode ganhar contornos épicos. Porém, não é o caso aqui. O roteiro escrito por Jane Goldman é raso, monótono, cheio de furos dignos de iniciantes (em diversos momentos, cria-se uma regra e subverte-se em seguida, sabe-se lá por qual motivo! O vilão não tem escrúpulos mas não mata crianças...).

    O filme é arrastado até dizer chega, correndo com profusão de cenas de ação no terço final - o que parece ser o mal desse século em termos cinematográficos. A impressão que se tem é que, mesmo de natureza genérica, talvez desse para adaptar essa história num seriado para TV, com capítulos que se aprofundassem nos tantos personagens que aparecem em cena.
    Samuel L. Jackson: vilão assustador
    Tirando Samuel L. Jackson - que comprou a briga e mostra que pode fazer coisas bem diferentes do Nick Fury dos filmes da Marvel -, ninguém entrega nada digno de nota. E é bem estranho notar isso com um elenco que conta com Eva Green, Asa Butterfield, Judy Dench e Rupert Everett...

    É constrangedor ver uma mente criativa tão interessante como a de Burton  fazer um trabalho tão burocrático a ponto de não ser mais reconhecível como algo que leve seu nome. Em uma palavra: lamentável.


    A peculiaridade de Kal J. Moon é ser incrivelmente sincero em qualquer situação. É um dom raro, acredite...
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