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    sexta-feira, 14 de outubro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "É Apenas o Fim do Mundo", por Kal J. Moon

    Dirigido por Xavier Dolan - que adapta a peça escrita por Jean-Luc Lagarce - e estrelada por um elenco estelar formado por Léa Seydoux, Marion Cotillard, Vincent Cassel, Nathalie Baye, Gaspard Ulliel, dentre outros, "É Apenas o Fim do Mundo" fala do dilema de algo tão corriqueiro mas terrivelmente incômodo a todos nós: a iminência da morte e seus efeitos.
    Quando um almoço de família
    pode revelar muito sobre ser humano...
    Parente é serpente...
    A morte é tudo o que se imaginar: brutal, injusta, violenta, intrometida, insensível, absurda... Comunicar o falecimento de alguém é das piores tarefas dadas a qualquer ser humano - principalmente porque ninguém quer ser portador de más notícias.

    E esse é o dilema do protagonista desta singular história. Na trama, ​após 12 anos distante, um escritor retorna a sua cidade natal para contar à família sobre sua morte iminente. Mas o ressentimento logo altera seus planos para aquela tarde, dando lugar a rixas que todos alimentaram e ainda alimentam, à solidão e dúvidas, enquanto todas as suas tentativas de empatia são sabotadas pela incapacidade das pessoas em dialogar de forma pacífica.
    Nathalie Baye: mãe preocupada e meio louca
    Mas ao contrário do que possa parecer, o filme não trabalha isso de forma cômica mas sim com um pesado drama, mostrando a impossibilidade e o adiamento do protagonista para contar uma notícia tão devastadora quanto à de sua própria morte.

    Não existem soluções fáceis em "É Apenas o Fim do Mundo". A começar pela direção de fotografia de André Turdin, construída através de close-ups durante toda a exibição - que poderia se mostrar cansativo e tedioso em mãos nada habilidosas, mas não é o caso aqui. Muito pelo contrário: o espectador pode testemunhar cada olhar, cada gesto, cada expressão e cada variação de humor de acordo com os rumos da história.

    Curiosamente, o protagonista é apenas o degrau para que o restante do elenco mostre toda a dinâmica de dramaticidade necessária em cada cena. Nada é gratuito e isso é mérito principalmente do roteiro - adaptado pelo próprio diretor. E mesmo que a história venha de uma peça teatral, não temos "teatro filmado" em cena. Mesmo que exista espaço até mesmo para solilóquios, todos ganham a dimensão própria do diálogo corriqueiro, dito por pessoas comuns como cada um de nós.
    Marion Cotillard e Vincent Cassell: casal em crise
    O elenco afiado, transportando a naturalidade do texto para algo palpável, agregando valor a cada fala. Destaque para Vincent Cassell, que interpreta o irmão mais velho do protagonista, tem claramente ciúmes de sua carreira bem sucedida e trata mal todos a seu redor, sendo um verdadeiro "poço de ignorância". Até o determinado momento do "ponto de virada" de seu personagem, valorizando muito o terceiro ato de forma surpreendente.

    "É Apenas o Fim do Mundo" mostra que o cinema francês é mais do que comédias agridoces e reforça a sensibilidade em tratar um tema tão delicado de forma natural como a vida. É, disparado, o melhor filme de 2016. E tenho dito.

    "É Apenas o Fim do Mundo" ganhou, merecidamente, o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2016 e faz parte da programação do Festival do Rio 2016.



    Kal J. Moon espera não comparecer a seu próprio enterro pois tem coisa mais importante pra fazer...
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