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    quarta-feira, 16 de novembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Animais Fantásticos e Onde Habitam", por Marlo George


    Sou um Potterhead, admito.

    Demorou um tempo, mas em 2004, eu fui fisgado pelo fenômeno literário Harry Potter. Desde o dia em que visitei pela primeira vez a Rua dos Alfeneiros, me tornei um seguidor do "Menino que Sobreviveu". Com ele passei pelo Beco Diagonal e pela obscura Travessa do Tranco. Também frequentei o bairro boêmio de Hogsmeade e, é claro, o encantado Castelo de Hogwarts. Caminhei ao lado de Harry até o fim, em 2007. Faminto por mais informações fui além do cânone bruxo e li todos os demais livros relacionados à série, assisti todos os filmes e até curti as músicas compostas pelas bandas de Wrock (estilo musical criado por fãs, cujas letras das canções são baseadas no universo dos livros de Harry Potter).

    Curto o Universo Bruxo criado pela escritora britânica J.K. Rowling.

    Assim sendo, seria muito fácil ser "pescado" novamente pela nova franquia baseada no livreco Animais Fantásticos e Onde Habitam. Só que não rolou. Infelizmente, o filme que inaugura esta nova série de longas bruxos é equivocado e pouquíssimo atraente, mesmo para mim, um velho fã do universo fantástico de JKR.


    O protagonista do filme é o bruxo inglês Newt Scamander que futuramente, apesar de ter sido expulso de Hogwarts, virá a escrever o bestiário (catálogo de monstros e seres fantásticos) adotado nesta mesma escola de magia e bruxaria. A imagem que eu, Marlo, tinha desta personagem era de alguém no mínimo erudito, maduro e destemido ao ponto de localizar, descrever e catalogar bestas feéricas, desde a mais diminuta fadinha até o maior dentre os gigantescos dragões que habitam aquele mundo secundário. Ocorre que, o interprete de Scamander no cinema, o ator premiado com o Oscar de Melhor Ator, Eddie Redmayne, construiu uma personagem infantiloide, atabalhoada e caricata demais. Entendo que os bruxos, conforme Rowling descreveu no seu primeiro livro, A Pedra Filosofal, são absurdos aos olhos dos trouxas, desconexos do mundo não-mago, mas não são idiotas atrapalhados, como o ator apresentou seu Newt Scamander.

    Cheio de maneirismos e trejeitos que já o vimos fazer em filmes como O Destino de Jupiter e A Garota Dinamarquesa, Redmayne já não vem convencendo como alguém que tem uma estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ele é o principal responsável pela "tragédia". O restante do elenco é competente e seguiu o guião. Colin Farrell, que vem apresentando bons trabalhos nos últimos anos, chama atenção como o auror Percival Graves. Poderia ter sido melhor aproveitado, inclusive em filmes vindouros.

    Ron Perlman encarna um duende, metido a Robert DeNiro, que ficou hilário. Pouco tempo de tela e já se firma como um dos personagens memoráveis deste filme esquecível. O mesmo pode ser dito de Ezra Miller e seu patético Credence.


    Também não posso deixar de sublinhar a participação de Dan Fogler como o "no-maj" Jacob Kowalski, um empreendedor que acaba esbarrando, literalmente, com Scamander e entra na trama de maneira interessante, roubando a cena. Juntamente com RedmayneKatherine Waterston, que vive a desacreditada funcionária do governo mágico Porpentina Goldstein, forma o trio principal da nova franquia, no batido estilo Harry, Ron e Hermione.

    A norte-americana Alison Sudol interpreta a sexy Queenie Goldstein sem exageros. Conduziu seu trabalho com habilidade e escapou ilesa de caricaturas desnecessárias.

    Deixando de lado o fato de Redmayne ter exagerado na tinta, novamente, os demais atores fizeram o dever de casa. Mas, para infelicidade do diretor David Yates, não há elenco no mundo que possa salvar um script ruim.

    O roteiro, escrito pela própria J.K, Rowling, tem boas ideias, mas estas não são bem desenvolvidas. Quase todos os novos elementos do mundo bruxo norte-americano é jogado no colo do espectador sem muitas explicações. Especialmente o tema da intolerância contra os bruxos, que permeia todo o longa (e que tem conexões com o mundo real, especialmente na atual "Era Trump"), mas que é tocado de forma rasa.


    O filme traz vários easter-eggs e fan-services, mas deixa de fora algumas coisas que estão nos livros e que poderiam ter sido usadas, como por exemplo a passagem que cita a inquisição medieval, divertidíssima, no primeiro capítulo do terceiro livro, O Prisioneiro de Askaban. Não foi utilizada na franquia cinematográfica original, mas caberia nesta nova série, principalmente por que um núcleo inteiro foi baseado na caça às bruxas que ocorreu, em dois momentos históricos, em Salem, no estado de Massachussets. Referências ao cânone, como citações a nomes de personagens, lugares e situações, são sempre convenientes, mas quando criam background enriquecem o roteiro.

    Como se não bastasse, a previsível mão-frouxa do diretor David Yates no que diz respeito aos efeitos especiais (ele é muito fraco neste quesito) e a inesperada (e alardeada na internet) participação de Johnny Depp são a cereja podre que confeitam esta torta amarga, ruim de engolir.

    Um dos poucos pontos positivos é a trilha sonora de James Newton Howard, que conversa com a clássica da série e ainda traz elementos de jazz que casa com a época em que o filme se passa, os anos 20 do século 20.

    Repleto de erros, tropeços e boas sacadas mal desenvolvidas, infelizmente não dá pra defender Animais Fantásticos e Onde Habitam. Nem mesmo sendo fã da Saga Potter.

    Que venham os próximos quatro filmes programados.



    Marlo George assistiu, escreveu e ficou doido para dar um Avada Kedrava no David Yates.
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    1 comentários:

    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Animais Fantásticos e Onde Habitam", por Marlo George Rating: 5 Reviewed By: Marlo George
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