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    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Animais Noturnos", por Kal J. Moon

    "Animais Noturnos" (Nocturnal Animals) é o novo filme escrito e dirigido pelo estilista texano Tom Ford. Estrelado por Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson e grande elenco, o que se vê em tela põe no espectador a questão: qual a real função de um diretor?
    Amy Adams em cena de "Animais Noturnos": apatia e desorientação
    (Divulgação)

    O culto ao desagradável incômodo
    Há quem diga que um filme escrito e dirigido pela mesma pessoa tende a se tornar um produto com uma visão única, por conta do controle de todo o processo. Entretanto, "Animais Noturnos" é um filme incômodo - no sentido mais pesado da palavra. Tenta se apropriar de uma estética que lembra o cinema noir porém sem alcançar um resultado à altura.

    Amor, crueldade, vingança e redenção. Esses são alguns dos temas explorados em "Animais Noturnos". O suspense aborda a história de um casal separado há 20 anos, que passa a descobrir verdades obscuras um sobre o outro. Susan Morrow (Amy Adams) é uma negociante de arte de Los Angeles que vive uma vida privilegiada, mas incompleta, ao lado de seu marido Hutton Morrow (Armie Hammer). Num final de semana, após Hutton partir numa de suas frequentes viagens de negócios, Susan recebe um pacote inesperado: um livro escrito por seu ex-marido - Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal) - e dedicado a ela. Uma publicação violenta e desoladora.
    Jake Gyllenhaal em dois papéis IGUAIS, mas faltou-lhe a estranheza peculiar...
    (Divulgação)
    Tom Ford é inexperiente em seu mister. Escreveu e dirigiu esse filme mas não executou nenhuma de suas tarefas com destreza. Embora busque formas estéticas para chocar e contar essa história - como na longa sequência de abertura com mulheres obesas nuas, que também serve como créditos iniciais E como parte da história, não podendo ser "editada" -, não se esmera em arrancar de seus atores a estranheza necessária para, pelo menos, transformar essa história em algo até mesmo cult.

    Ser diferente não é necessariamente ser ruim. David Cronenberg, David Lynch, Wes Anderson, e muitos outros estão aí para provar isso. E mesmo que Ford tente colocar uma pitada de tudo o que viu de bizarro no cinema mundial, falha miseravelmente por conta da soberba de quem inicia e do fato de que tudo o que aparece em cena lembra outra coisa. Há toques de "Reviravolta" (de Oliver Stone) e "Mapa para as Estrelas" (de David Cronenberg), fortes doses de TUDO o que David Lynch já fez na vida... Porém, soa como cópia ou referência básica e não como homenagem. Assim, fica feio.

    Michael Shannon: roubando cenas, dentre outras coisas
    (Divulgação)
    O filme é um total desperdício de tempo de atores consagrados. Amy Adams parece perdida em cena - assim como o espectador. E seu papel é quase de coadjuvante, uma vez que a trama lhe dá tom passivo o tempo todo, com uma personagem sem carisma que parece somente reclamar por ser rica e infeliz. Coitada...

    Armie Hammer
    serve praticamente como enfeite. Laura Linney profere a melhor fala do filme inteiro e isso não é um elogio - não se desperdiça uma atriz de seu quilate em apenas uma cena... E que ideia foi essa de dar um papel comum a Jake Gyllenhaal, rei das esquisitices?

    Não à toa, a surpresa vem mesmo de onde ninguém estava esperando nada, uma vez que Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson - ambos famosos por participações em filmes baseados em histórias em quadrinhos roubam todas as cenas que aparecem - gerando até uma indicação de melhor ator coadjuvante a Johnson por seu papel. E merecidamente, devo admitir. Shannon e Johnson são as únicas coisas que enchem os olhos em toda essa baboseira. Pois é...
    Aaron Taylor-Johnson - ao lado de Shannon: tirando leite de pedra e arrasando
    (Divulgação)
    O lado roteirista de Ford também não ajuda. Não existem formas cativantes o suficiente em assistir uma personagem lendo um livro durante toda a história. Ou pelo menos Ford não encontrou uma forma cativante o suficiente, vai saber.

    O filme mais parece uma ode à obsolescência, à catarse e ao extremamente desnecessário. Sobram violência, gritos, fotogramas ora saturados ora esteticamente perfeitos mas nada disso funciona quando não há uma boa história sendo contada. Há toda uma preparação para chegar a um final decepcionante, aberto, quando não havia a menor necessidade. E frustrar o espectador é a pior forma de tentar cativá-lo.

    "Mas Tio Kal... No romance 'Tony & Susan', escrito por Austin Wright, é exatamente assim! Está tudo de acordo com a história original!", pode alegar o leitor dessa obra. Daí, reclamo o direito de lembrar a todos sobre o livro "Advogado do Diabo", escrito por Andrew Neiderman, que tornou-se um filme com história muito melhor desenvolvida, mesmo se apropriando de todos os temas da trama original - o que, certamente, não é o caso em "Animais Noturnos".

    Existem vários problemas em "Animais Noturnos". E Tom Ford é responsável por todos eles. De longe, o pior filme de 2016. Veja por sua própria conta e risco. Quem avisa, amigo é...



    Kal J. Moon desconfia que sua vida seja escrita e dirigida por Tom Ford. Isso explica tudo...
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    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Animais Noturnos", por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
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