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    quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Capitão Fantástico", por Kal J. Moon

    Após a divulgação de diversos materiais promocionais, finalmente estreia em solo brasileiro o filme "Capitão Fantástico". Estrelado por Viggo Mortensen, George MacKay, Frank Langella e grande elenco, a história abre precedente a um debate muito válido: o quanto a civilização tirou dos seres humanos sua individualidade?
    A estranha porém simpática família de "Capitão Fantástico"
    (Divulgação)

    Familiar estranheza
    Quando a humanidade deixou de se importar com suas próprias características diferenciais para fazer parte de um grupo? Ok, precisar o momento exato talvez seja impossível mas nos faz pensar se foi realmente uma boa escolha. Nos últimos tempos, muitos tem dado vazão às suas vozes, antes reprimidas, por conta da globalização. Mas, claro, nem sempre foi assim. E a simplicidade deu lugar ao artificial.

    "Capitão Fantástico" conta a história de um pai (Mortensen) que se dedica ao máximo para transformar seus seis filhos em adultos extraordinários. Isolada da sociedade, a família será forçada a abandonar seu querido paraíso - criado em meio à floresta - quando é acometida por uma tragédia. A partir desse momento, a jornada para o mundo exterior passa a ser desafiadora, e a ideia do que é ser pai é colocada à prova.
    Ben (Viggo Mortensen) embarcando no Steve, o ônibus
    (Divulgação)

    Dirigido por Matt Ross (mais conhecido por seu trabalho de ator como o Dr. Charles Montgomery da série "American Horror Story"), o filme expõe uma faceta da atual sociedade estadunidense - mas que poderia ser de qualquer lugar -, onde ter opinião e viver à sua maneira parece "errado". O que separa o naturalista do quase extremista religioso - ainda que nem expresse religião alguma?

    Ben, o tal pai dessa família que se convencionou ser chamada de "excêntrica", resume as características de um patriarca do século retrasado que, por acaso, vive e cuida de sua prole em 2016. Mas educa, alimenta, ensina coisas úteis como caçar animais silvestres, fala abertamente de assuntos tidos por tabu como sexo, política e, por que não, vida e morte. Até porque sua esposa morreu em circunstâncias melindrosas mas a verdade não deve ser preterida de seus filhos uma vez que ela também faz parte da pequena célula familiar que se tornaram. E o choque de chegar à sociedade moderna mostra que muito se tem a aprender com quem está unido à natureza.

    O elenco de "Capitão Fantástico" é um dos melhores em muito tempo. Destaque para George MacKay, que interpreta Bo, filho mais velho de Ben, cheio de dúvidas acerca de seu futuro. Expressivo e expansivo em muitas cenas que não requerem palavras, MacKay defende Bo com unhas e dentes, mostrando que podemos esperar um grande astro no futuro.
    Frank Langella: austeridade, rispidez e carinho de forma natural
    (Divulgação)

    Destaque também, claro, à atuação de Viggo Mortensen no papel desse diferente patriarca. Mortensen se despe - literalmente - de qualquer vaidade para interpretar esse personagem tão cativante de atitudes polêmicas mas que fazem todo sentido de acordo com a história a ser contada. E por último, a breve participação especial do veterano Frank Langella, que imprime o tom correto de autoridade como avô dessa família que não vê há tanto tempo. Langella é ríspido quando tem de ser e carinhoso em outros momentos com uma naturalidade que dificilmente veremos tão cedo.

    Mas nada disso seria possível se não fosse o roteiro e a direção de Ross. Uma história conduzida de forma bem diferente do habitual, no tempo ideal para gerar a reflexão necessária ao espectador ainda durante a exibição. Sabe aquele tipo de filme que te faz falar "Caramba, pior que é assim mesmo!". Pois é. "Capitão Fantástico" é esse tipo de filme.

    Não à toa, o filme teve grande destaque em festivais como Cannes e Sundance em 2016, ainda conseguindo a indicação de Melhor Ator para Viggo Mortensen no Globo de Ouro.
    Momento de tensão onde deveria haver compreensão...
    (Divulgação)

    E como se não bastasse o elenco, o roteiro, a direção acertada, a direção de fotografia, o figurino e tudo o mais que fazem desse filme algo especial, ainda possui uma das melhores covers de uma canção da celebrada banda Guns N'Roses - mas que faz total sentido e é parte intrínseca da trama. E quem conhece a fama de Axl Rose, sabe que ele não libera suas músicas para qualquer coisa que não seja, no mínimo, criativa.

    Resumindo: assista no cinema. Permita-se a surpresa em tela grande. O espetáculo vale cada centavo do ingresso...



    Kal J. Moon teve educação diferenciada e pode ser considerado estranho. Ainda bem...
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