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    quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] "O Vendedor de Sonhos", por Kal J. Moon

    Estrelado por Dan Stulbach e César Trancoso, dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro best-seller de Augusto Cury, "O Vendedor de Sonhos" tem a difícil missão de adaptar um grande sucesso editorial e, ao mesmo tempo, fugir dos temas em voga no atual cinema brasileiro sem soar forçado ou piegas. 

    Será que consegue? Que bom que perguntou...
    César Trancoso, Thiago Mendonça e Dan Stulbach
    formam o trio principal de "O Vendedor de Sonhos"
    (Divulgação)

    Longe do complexo de vira-latas mas...

    Independente de gosto, não tem como menosprezar o sucesso dos textos de Augusto Cury. Ele fala tanto a profissionais bem-sucedidos quanto a pessoas mais humildes, sem precisar de recursos complementares quando se dirige a um ou a outro. E isso é um fato comprovado a quem já leu seus livros ou frequentou alguma de suas palestras.

    Ok, isso é tangível e não tem como entender por que um de seus livros mais famosos demorou tanto para ser adaptado para o cinema. E isso nem precisaria, pelo visto, ser mérito do cinema brasileiro... Mesmo sabendo que livro é livro e cinema é uma mídia bem diferente e muito mais complexa.

    O Vendedor de Sonhos" conta a história de Júlio César (Stulbach), um renomado psicólogo  que, desiludido com a vida, está prestes a cometer suicídio saltando de um prédio quando é resgatado pelas palavras e atitude do mais improvável dos seres: um mendigo, conhecido como “mestre(Trancoso). Apresentando-se como um 'vendedor de sonhos', o Mestre oferece a Júlio César um dos seus mais preciosos bens - o sonho de recomeçar. Abalado e perdido, o suicida relutantemente desiste de suas intenções e aceita o convite daquele homem intrigante para segui-lo em sua jornada pela cidade para levar ajuda, esclarecimento e esperança a quem precisa.

    Embora, a princípio, o enredo lembre muito o filme "O Pescador de Ilusões" - dirigido por Terry Gillian e estrelado pela dupla Jeff Bridges e Robin Williams -, a trama desenvolvida para o cinema por LG Bayão, LG Tubaldini Jr e o próprio Cury ganha contornos próprios, adaptando os reveses desta curiosa história numa identidade nacional porém afastada do que o espectador possa já ter guardado em seu sub-consciente quando se trata de filmes produzidos no Brasil.
    Stulbach, Mendonça e Kaik Pereira: momentos cômicos
    (Divulgação)

    Um grande destaque é justamente a interessante e criativa direção de fotografia executada com primor por Nonato Estrela (de comédias como "O Candidato Honesto" e "Loucas Para Casar"), trazendo um visual bem diferente do que vem à mente quando se pensa em São Paulo. Todos os ângulos utilizados deram um ar meio futurista muito bem vindo ao filme, impedindo que ficasse datado.

    Outro destaque é a trilha sonora original composta por Alexandre Guerra (da adaptação cinematográfica mais recente de "O Tempo e o Vento"), conduzida com parcimônia, equilíbrio e leveza, acrescentando muito a cada cena.

    E como não poderia ser diferente, o principal destaque do filme é justamente "o mestre", defendido com competência por um inspirado César Trancoso, ator uruguaio que esteve no filme "O Banheiro do Papa" e que "veste a camisa" para dar veracidade a um personagem tão díspar.
    Dan Stulbach num desafio limítrofe - literalmente...
    (Divulgação)

    Mas nem tudo são flores em "O Vendedor de Sonhos". Mesmo que tenha seus méritos, o roteiro peca em não conseguir transmitir profundidade ao personagem Júlio César, interpretado por um esforçado Dan Stulbach mas que mostra-se desfavorecido em seu arco na história. Como muitos filmes da safra atual -  não só no Brasil como no mundo -, temos muitas resoluções rápidas que, em detrimento da história, acabam prejudicando o resultado. Vê-se tudo de forma acelerada, com muitas coincidências estranhas de se ver na tela grande, fazendo com que o espectador sinta-se enganado ou traído.

    "O Vendedor de Sonhos" deve-se orgulhar de passar longe do que é tido como regra no cinema brasileiro, numa adaptação difícil de ser executada com maestria por conta do tema que não é frequente nas tramas nacionais. Mas, por isso mesmo, o espectador espera mais. A ousadia tem seu preço: "não deixar a peteca cair".

    Vale o ingresso? Sim, mas sem esperar nada vultoso ou que valha um debate após a sessão.



    Kal J. Moon procurou a ajuda do vendedor de sonhos. Ele estava com uma baita fome...
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