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    quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Assassin's Creed", por Andreas Cesar.


    Um grande problema de muitas adaptações cinematográficas é a necessidade da complementação da história, que deveria ser bem realizada no roteiro, pela obra original. É preciso que ao final do filme o espectador tenha entendido a trama como um todo, sem necessidade de consulta ao jogo, livro ou afins que originaram a adaptação.

     Posso citar dois exemplos para explicar melhor meu ponto : Senhor dos Anéis e Divergente. Já no primeiro filme da franquia baseada na obra de J. R. R. Tolkien os cinéfilos conseguem entender o universo místico de Tolkien sem precisarem ler os livros para tal, contudo o primeiro filme baseado nos livros de Veronica Roth é tão confuso que eu sai com dúvidas básicas sobre o universo ao qual tinha sido apresentado, que provavelmente seriam respondidas com a leitura da saga.

    Infelizmente "Assassin's Creed" sofre do mesmo problema de "Divergente". A adaptação da famosa série de games tem um roteiro surpreendentemente fraco, que deixa muitas dúvidas e pouco explica e aborda os conceitos mais interessantes que são apresentados. Só que o que mais se destaca entre os erros do roteiro é seu final, que desconstrói uma das personagens mais importantes e também termina de maneira decepcionante e literalmente "do nada".

    Muitos erros e a dependência do material original transformam "Assassin's Creed" em um filme fraco.

    O filme se passa entre o passado e o presente, sendo esse um dos pontos marcantes dos games originais, só que o roteiro se foca principalmente no presente. Mesmo com muitas cenas no passado, sendo inclusive as únicas partes empolgantes da adaptação, elas não apresentam muita relevância na história do presente e são marcadas principalmente por ação e romance, não tendo sido bem trabalhadas pelos roteiristas.


    Um filme com muitos astros nem sempre consegue ser salvo pelos mesmos, e no caso isso ocorre devido a um script fraco e que os condiciona à atuações simplistas e pouco relevantes. Michael Fassbender atua de modo inconstante entre cenas em que está muito bem e cenas em que está muito mal. Marion Cotillard está surreal demais para o papel que deveria desempenhar e sua personagem é muito prejudicada pelo fato de ter sua moral facilmente corrompida. Jeremy Irons não inova, atuando no automático. O resto do elenco segue a mesma linha de Irons, já que as linhas não proporcionam boas atuações.

    Os efeitos especiais do filme são muito bons, principalmente os relacionados ao som. A cidade espanhola e as locações são incríveis, o figurino é espetacular e a coreografia das cenas de ação são perfeitas. A edição e a mixagem do áudio sem dúvida se destacam nos pontos positivos do filme, porém não se pode dizer o mesmo sobre a trilha sonora.


    A escolha da Inquisição Espanhola foi sem dúvida a melhor que o filme poderia ter feito. As cenas que mostram a Inquisição ocorrendo são magníficas e os efeitos utilizados nelas são convincentes. No tudo, o filme teria sido bem melhor se focasse no passado ao invés do drama no presente, marcada pela quantidade de clichês e péssima construção de personagens. Com o passar do tempo, são alternadas várias vezes as sensações de se estar vendo um bom filme e de se estar vendo um filme ruim.

    Ainda que tenha muitas referências bacanas ao games originais e o passado seja bem representado, o grande número de erros e a dependência do material original transformam "Assassin's Creed" em um filme fraco, com um potencial desperdiçado. Os personagens são do "bem" ou do "mal" somente porque isso está em seu sangue e muitos dos conflitos do roteiro são mal explicados ou até mesmo não há preocupação de que o espectador os compreenda, o que me faz presumir que tenham achado que fosse de conhecimento necessário antes de se assistir ao longa.

    Ainda assim, o filme tem muitas cenas boas de ação, mesmo que no seu todo ele não seja bom, proporcionará diversão aqueles que não se importam muito com uma história incrível, e provavelmente também agradará aos fãs dos jogos.


    Andreas Cesar assistiu, criticou e ficou triste com mais uma adaptação de um bom jogo não conseguir se equivaler à obra original.
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