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    quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Os Saltmbancos Trapalhões", por Kal J. Moon

    Renato Aragão está de volta aos cinemas revivendo um de seus maiores sucessos. "Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo à Hollywood" - dirigido por João Daniel Tikhomiroff e também estrelado Dedé Santana, Letícia Colin e grande elenco - revisita o primeiro filme e tenta resgatar o tom farsesco de outrora. Mas fica a pergunta: será que o público atual vai abraçar essa proposta?
    Renato Aragão, Dedé Santana e companhia
    estão de volta em "Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo à Hollywood"
    (Divulgação)

    O triste e doloroso lamento do palhaço
    Assistir "Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo à Hollywood" é aceitar algumas condições. A primeira é que de não é um filme do grupo 'Os Trapalhões', mesmo que Didi e Dedé estejam juntos novamente no cinema após muito tempo. Segundo: não estamos mais nos anos 1980, onde podia se fazer de tudo em matéria de comédia, sem reprimendas ou queixas de forma expressiva como temos hoje em dia. Terceiro - e talvez mais importante: Renato Aragão já pode se aposentar.

    O roteiro deste filme - escrito por Mauro Lima, baseado parte no filme original e parte na peça de teatro escrita por Charles Möeller e Cláudio Botelho - usa de tentativas frustradas de trabalhar com a nostalgia do público para que este abrace o pouco de enredo que se apresenta na tela.

    Na trama, desde a proibição de animais em espetáculos, o Grande Circo Sumatra enfrenta uma grande crise financeira. Barão (Roberto Guilherme), dono do circo, aceita propostas indecorosas do prefeito (Nelson Freitas) para realizar leilões de gado, comícios e outros eventos alternativos no circo. Infelizes com a notícia, os artistas circenses decidem se unir para montar um novo espetáculo e voltar a atrair o público, liderados por Didi (Renato Aragão) e Karina (Letícia Colin). O roteiro das atrações é idealizado por Didi a partir de seus sonhos mirabolantes com animais falantes. Ele e sua trupe vão enfrentar a arrogância do gerente do circo Satã (Marcos Frota), a cumplicidade de Tigrana (Alinne Moraes), a ganância do Barão e a prepotência do prefeito corrupto para tentar salvar o circo e levar adiante a ideia de um novo e sensacional espetáculo.
    "Todos juntos, somos fortes!": saltimbancos unidos para salvar o circo
    (Divulgação)

    Apesar de ser um filme relativamente curto - e visivelmente barato -, é arrastado, sem situações relevantes e muitas repetições de piadas que não funcionam desde a primeira vez que são proferidas por Renato Aragão - perde-se a conta de quantas vezes ele repete a expressão "corre junto" durante a película.

    Aliado a esse fato negativo, nenhum dos personagens tem algum destaque, criatividade ou merecimento de tempo de exibição. Alguns atores e atrizes entram e saem de cena sem realmente dizer a que vieram. Muitas piadas ou são fracas ou nada inspiradas - e uma delas ainda brinca com um entrevero da vida pessoal de Renato Aragão, como se isso fosse realmente algo engraçado... E quando, no terço final da história, temos algo de realmente interessante acontecendo - o espetáculo sendo encenado -, apela-se à nostalgia, com cenas dos saudosos 'trapalhões' Mussum (Antonio Carlos Bernardes) e Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves) reunidos a Renato Aragão e Dedé Santana no filme original, com as canções de Chico Buarqueadaptadas do original de Sérgio Badotti .

    Ok, todos sabíamos que em algum momento isso aconteceria - não à toa, o filme é dedicado a eles. Mas como fica aquela parte da platéia - as crianças de hoje em dia - que só vai ao cinema por conta dos pais que vai arrastar seus filhos para rever seus heróis da infância? Boa parte do texto é para os fãs antigos mas com intuito de conquistar um novo público. Porém, esse público não pode ter nostalgia do que não viveu, certo?
    Didi (Renato Aragão) e Dedé (Dedé Santana): juntos novamente
    (Divulgação)

    Existem (poucas) sequências que funcionam. A inicial, simulando uma entrega do Oscar, onde Didi e Dedé cometem suas habituais trapalhadas - cercados por sósias de atores como Stallone, Vin Diesel e outros - são realmente engraçadas (no nível infantil da coisa). E nessa cena teve, finalmente, o reconhecimento a Dedé Santana, algo incômodo durante anos da formação dos comediantes. Os números musicais, em sua maioria, são bem executados - e espanta-se a atualidade da letra de "Meu Caro Barão". Mas tem-se a impressão que o filme foi rodado às pressas - por conta dos cortes bruscos, sem o menor cuidado em muitas cenas e até mesmo o 'chroma-key' inicial que poderia ter sido melhor executado.

    A verdade é que o palhaço morre quando não consegue mais fazer alguém rir. Ou o mundo mudou ou ele virou o retrato de uma época. Mas o público não tem culpa disso. É apenas um sinal de tempos difíceis para quem ainda não se acostumou às novas tendências. Pena.


    Kal J. Moon já nasceu pobre, livre, dá cinco cambalhotas e rabo de arraia em tubarão. Bra-vô, bra-vô!
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