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    quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Cura", por Marlo George


    Diretor de Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra e O Chamado retorna às telonas com novo filme que mescla fantasia e terror

    Uma produção com pedigree. Isso basta para definir o que é esse novo filme de Gore Verbinski, diretor responsável por filmes que originaram duas franquias que terão sequência esse ano: Piratas do Caribe e O Chamado, cujo terceiro filme já está em cartaz. Repleto de referências e com um elenco mais do que interessante, A Cura (A Cure for Wellness, no original) não se aproxima dos blockbusters que pipocam no carnaval e também não tem aquele clima de "já ganhou um Oscar" que afeta algumas produções que estreiam nos dias que antecedem a premiação. É um longa cerebral, diferente do que está sendo oferecido no momento, que procura instigar o público à acompanhar toda a trajetória do protagonista por aquele terreno perigoso e, por isso, pode ser que desagrade mais do que impressione.

    Um filme difícil, porém, prazeroso

    Com personagens muito bem desenvolvidos e uma locação de tirar o fôlego, o castelo Hohenzollern na Alemanha, A Cura conta a história de um jovem executivo americano, o ambicioso Lockhart, que precisa buscar um dos sócios de sua empresa em um asilo na Suíça. O que Lockhart não sabia era que o tal asilo é cercado de segredos, lendas e uma verdade sinistra. Dizer mais seria dar spoilers e isso eu não faço, de jeito nenhum. Com essa premissa, Verbinski nos apresenta um thriller fantástico e apavorante, com toques de Stanley Kubrick e com o mesmo charme de alguns dos episódios da série Além da Imaginação (Twilight Zone).


    Lockhart é interpretado por Dane DeHaan, o Duende Verde de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro. Com sua aparência estranha, que muito lembra o finado David Bowie, DeHaan caiu como uma luva no papel. O ator, que declarou recentemente que o cancelamento da franquia do Amigão da Vizinhança serviria como um recomeço de sua carreira, vinha, desde então, caindo em algumas armadilhas como Life: Um Retrato de James Dean  e Two Lovers and a Bear, dois filmes sem brilho próprio. Agora ele encontra seu caminho. Tomara que não se perca novamente.

    O filme traz ainda um outro rosto familiar. Jason Isaacs, que interpretou Lúcio Malfoy na franquia Harry Potter ― e que já trabalhou no Brasil, no longa Rio, Eu Te Amo ― dá vida ao suspeitosíssimo Dr. Volmer. Novamente um trabalho impecável. A atriz Mia Goth, que foi introduzida no polêmico Ninfomaníaca: Volume 2, é Hannah, uma menina misteriosa e que tem uma importância crucial na trama. Com beleza feérica, Goth, com seus trejeitos e boas marcações de cena, adiciona o elemento fantástico necessário na composição da personagem. Mostra novamente que é uma grande intérprete e tem carreira promissora.

    A direção de fotografia é espetacular no início, mas perde um pouco a qualidade conforme o filme vai avançando. Outro problema é o corte final que proporcionou um filme muito longo, bem além do que devia. Muitas cenas são dispensáveis e poderiam ter sido removidas sem afetar a narrativa. Aliás, se não fosse a duração, o filme seria ótimo, mas é cansativo e aguardar a conclusão se torna um tanto quanto penoso. Ainda mais quando o filme tem várias cenas que poderiam culminar em seu desfecho, lembrando um pouco o que sentimos quando assistimos O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.

    A trilha sonora foi composta por Benjamin Wallfisch e não impressiona. A Cura é o primeiro filme dirigido por Verbinski, desde A Mexicana, de 2001, que não conta com o compositor Hans Zimmer. Fez falta.

    Após um jejum de 3 anos, desde o fracasso retumbante de O Cavaleiro Solitário, Verbinski está de volta, recuperando seu prestigio e apresentando um filme satisfatório. Os fãs de suspense psicológico irão adorar.




    Marlo George assistiu, escreveu e desde então não vem bebendo água. Cerveja é mais garantido...
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