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    quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Jackie", por Marlo George


    Direção sem originalidade e roteiro equivocado desperdiça trabalho magnífico da atriz e vencedora do Oscar Natalie Portman em Jackie

    A vida de Jacqueline Kennedy (também conhecida como Jacqueline Onassis, Jackie O, ou apenas Jackie), já foi esmiuçada à exaustão por Hollywood. Primeira Dama mais famosa a morar na Casa Branca e ex-mulher do magnata grego Aristóteles Onassis, Jackie já foi interpretada por dezenas de atrizes em mais de 50 produções de TV e cinema. Seu novo avatar é uma estrela que vem despontando como uma das mais importantes estrelas de cinema de seu tempo, a atriz e diretora Natalie Portman.

    Jackie, título do novo filme baseado na vida da socialite, é dirigido por Pablo Larraín, um chileno que tem 10 anos de carreira e apenas um filme de destaque, Neruda, que foi lançado no ano passado. Ele assumiu a cadeira de diretor após ter uma única exigência atendida pela produção do longa: Larraín queria Natalie Portman no papel principal. O produtor Darren Aronofsky, que desistiu de dirigir o projeto, já tinha trabalhado com a atriz em Cisne Negro, de 2010, e atendeu o pedido. O resultado foi a terceira, e justa, indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Portman.

    Vale lembrar que das três vezes em que foi indicada, a israelense levou o careca dourado justamente por Cisne Negro.

    Apesar de ser mais baixa e aparentemente bem diferente de Jackie Kennedy, Natalie Portman a personificou de forma tão honesta que em muitas cenas, principalmente nas que simulam transmissões de TV, confundi a intérprete com a interpretada. A cadência de sua voz, rouca e sexy, ficou incrivelmente parecida com a da biografada, assim como seus trejeitos e maneirismos. De acordo com o diretor Pablo Larraín, um terço das cenas que foram usadas no corte final foram de primeiro take, o que mostra segurança, domínio do texto e preparação completa para viver a personagem. Levando-se em consideração de que trata-se de um filme no qual a personagem central aparece em todas as cenas, o mínimo que posso fazer é reconhecer a excelência do trabalho interpretativo de Portman.


    Buscando uma narrativa não-linear, o roteiro apresenta vários momentos distintos da vida da ex-primeira dama dos EUA, através de reminiscências que a personagem faz durante uma entrevista à um jornalista não identificado. No decorrer da entrevista, Jackie relembra as primeiras horas após o assassinato de seu marido, dos dias que anteciparam o cortejo de seu funeral e as gravações do documentário "The Tour of the White House with Mrs. John F. Kennedy", pelo qual recebeu o prêmio Trustees, honraria especial do Emmy Awards em 1962 e que pode ser assistido neste link,

    Com poucos diálogos interessantes, Jackie tem um roteiro que parte do pressuposto equivocado de que todos já conhecem a história que está sendo contada. Deste modo, algumas das personagens não tem um background suficiente e que explique seus ares vilanescos, como Robert Kennedy (Peter Sarsgaard), .Lyndon B Johnson (John Carroll Lynch) e Lady Bird Johnson (Beth Grant).

    Outra coisa que me incomodou foi a "mão fraca" de Larraín na direção. Ele não conseguiu imprimir sua identidade na obra e acabou apresentando um filme que mais parece um rascunho daquilo que Aronofsky faria se tivesse insistido em dirigi-lo. Falta grave.

    Uma obra bonita do ponto de vista técnico, poética em alguns momentos e intimista, mas que, entre os brasileiros, possivelmente só interessará àqueles que conhecem a personalidade retratada ou estudiosos de história norte-americana. Aos demais, pouco restará, além da performance digna de nota de Natalie Portman.



    Marlo George assistiu, escreveu e também tem uma Primeira Dama em casa.
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