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    quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Lei da Noite", por Kal J. Moon

    Escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Ben Affleck - ao lado de um elenco estelar com nomes como Zoe Saldana, Sienna Miller, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Chris Cooper - além de participações especiais de Anthony Michael Hall e Clark Gregg - "A Lei da Noite" ('Live by Night') traz de volta todo o charme do submundo da máfia mas num cenário bem diferente: Flórida!
    A bela Graciela (Zoe Saldana) e Joe (Ben Affleck) se conhecem melhor (Divulgação)

    Intolerância, preconceito e dois dedos de rum
    Foi com grande reserva que este nada humilde escriba foi à cabine de imprensa para assistir "A Lei da Noite". O filme teve uma péssima recepção perante à crítica norte-americana, com pesadas reclamações quanto às atuações e à ~"complicada" trama. Bobagem. Um grande alívio veio à minha alma cinéfila quando terminou a exibição pois o filme não tem nada de complicado e muito menos de malfeito.

    Ben Affleck pode realmente ter sofrido algum ataque de rejeição por conta de estarmos em novos tempos, onde muitos espectadores não suportam filmes com mais de duas horas de duração, sem piadas a cada cinco minutos e que se passe numa época onde tudo se resolvia no cano do revólver ou na ponta da faca. Talvez se o filme fosse protagonizado por Leonardo DiCaprio - que é um dos produtores -, a recepção poderia ser bem diferente.
    Chefe Figgis (Chris Cooper) e Joe (Affleck): estratégia de xadrez

    Na trama, Joe Coughlin (Ben Affleck), veterano da Primeira Guerra Mundial, é um autoproclamado e convicto fora da lei, apesar de ser o filho do Superintendente da Polícia de Boston. Mas Joe não é uma pessoa tão ruim a ponto de se bandear pro lado da máfia. Porém, após uma traição, acaba sendo pego por um mafioso e quer vingança. Mas, para isso, terá de ajudar a administrar o negócio de bebidas de outro mafioso na ensolarada Flórida, onde encontrará mais do que rostos bronzeados, miscigenação e pessoas sorridentes. E, mesmo tendo a vingança um gosto mais doce que o melaço presente em cada gota do rum ilegal contrabandeado por ele, Joe vai aprender que tudo tem um preço.

    O roteiro de Affleck - baseado no premiado livro "Os Filhos da Noite", de Dennis Lehane (já publicado no Brasil) - marca a segunda colaboração com Lehane, após o sucesso do elogiado “Medo da Verdade” - Lehane é também autor do livro "Sobre Meninos e Lobos", igualmente adaptado, com sucesso, para o cinema. E acerta em cada detalhe.

    O tom do filme passa da vingança pura e simples para uma crescente progressão de amadurecimento de um personagem que poderia muito bem ser considerado um herói. Mas Joe pode ser tudo menos alguém admirável. Suas ações falam por si. Cada vez que precisa falar e dar ordens é com seu intuito maior em mente.

    Alguns espectadores podem reclamar do texto com falas afiadas e com lições de moral em muitos momentos - como nos conselhos do pai de Joe. Todos os filmes de máfia tem esse tipo de abordagem - "o crime não compensa!" - e isso não é defeito, é referência.

    E como diretor, Affleck não decepciona mais uma vez. A exemplo do que fez em "Argo", inteligentemente escolheu uma história onde, apesar de protagonista, a situação vivida é maior do que desejos de cada personagem. Destaque para Elle Fanning (se redimindo do recente "Demônio de Neon") no papel de uma fanática religiosa e Matthew Maher como um irritante protegido da lei- curiosamente, o elenco foi escolhido a dedo, com atores e atrizes com rostos e biotipos que parecem saídos dos anos 1920 e 1930!

    Todos os detalhes técnicos foram observados por Affleck para que fossem os mais bem executados da atualidade, tornando "A Lei da Noite" um filme lindo de se ver. Figurino (de Jacqueline West, que já havia trabalhado em "Argo"), esperta direção de fotografia (de Robert Richardson, responsável pelo cultuado "Os Oito Odiados"), maquiagem - reparem no que fizeram ao personagem de Anthony Michael Hall! A única "falha" talvez seja a trilha sonora de Harry Gregson-Williams, sem momentos marcantes e completamente esquecível.
    A fanática religiosa Loretta (Elle Fanning) sendo interpelada por Joe (Affleck): embate feroz (Divulgação)
    E como não gostar de uma história que mostra que a intolerância religiosa dos EUA estavam de braços dados com mafiosos para defender uma ideologia com base frágil - e que acabou vitimando seus baluartes?

    Este é um filme injustiçado por tocar em feridas que estão abertas até hoje - principalmente quando fala sobre imigração. Affleck sabia com quem tava mexendo. Mas, como seu personagem, pode ter ido longe demais. Entretanto, continuará tendo o apreço de quem curte cinema feito com esmero. Resumindo: "A Lei da Noite" não é um filme para qualquer um. Affleck não é qualquer um. Escolha sabiamente de que lado quer ficar...


    Kal J. Moon conhece um cara que conhece um cara...
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