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    sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Logan", por Kal J. Moon

    Dirigido por James Mangold, "Logan" marca a despedida do ator Hugh Jackman a Wolverine, anti-herói mutante baseado nos quadrinhos publicados pela Marvel. Ao lado de Patrick Stewart - novamente como o Professor Charles Xavier - e com a valiosa adição da novata Dafne Keen, este filme mostra um aguardado adeus e um recomeço.
    Logan (Hugh Jackman) está lá e de volta outra vez... (Divulgação)

    Uma última vez
    Sexta-feira de Carnaval. Enquanto digito estas palavras, sinto-me cansado mas de alma lavada. Hugh Jackman encarna, pela nona vez (!), o personagem que não só lhe deu fama mas status de super-astro do cinema. Sempre quis fazer um filme solo para cativar os fãs que o acompanharam desde '"X-Men - O Filme" (do distante ano de 2000). Um filme que fosse honesto com toda a trajetória da estigma de justiça envergada pelo personagem nas histórias em quadrinhos escritas por diversas mãos mas nunca respeitada na tela do cinema.

    Os filmes fizeram sucesso? Sim, claro. Porém estavam bem longe da essência de uma criatura rica em sentimentos e que poderia render melhores histórias em nome de... de quê mesmo?! Não custa perguntar: por que demorou tanto para vermos o verdadeiro Wolverine numa tela de cinema? O público não estaria preparado para ver sua real face numa história que o mostrasse como ele deveria ser encarnado? Haveria a necessidade de amadurecimento tanto do personagem quanto do ator e, talvez, do público e do próprio cinema repleto de super-seres?
    Laura (Dafne Keen) esconde um segredo que não é nada legal de se saber (Divulgação)

    A resposta não deve ser simples. Mas pensar que um filme com um certo mercenário tagarela - *cof DEADPOOL cof* -, cheio de palavrão, violência desmedida e censura para maiores de 18 anos ganhando o topo das bilheterias mundiais pode ter, de alguma forma, ajudado a mostrar que um filme do mutante mais querido de todos poderia seguir uma linha mais séria, com altos níveis de violência, linguagem chula, porém com uma história que pudesse cativar tanto o fã dos filmes quanto aqueles que torciam por uma adaptação mais próxima daquilo que se lia nas histórias em quadrinhos - com um lembrete de que nem todas eram destinadas às crianças.

    A trama de "Logan" é bem simples e direta: no nem tão distante ano de 2029, nosso anti-herói trabalha como motorista de limusines para juntar um bom dinheiro para fugir com um quase demente Professor Charles Xavier (Patrick Stewart) e o mutante Caliban (Stephan Merchant). Xavier diz que existe uma mutante chamada Laura (a estreante Dafne Keen) que precisa de sua ajuda. Por conta de uma encrenca não-prevista por Logan, acaba encontrando Laura e, principalmente, quem estava caçando-a. Laura precisa chegar a um lugar chamado Éden, onde estará salva ao lado de outros iguais a ela. Mas a grande questão é: quem é ela e por que estão perseguindo-a? Contar mais do que isso seria estragar boa parte de sua diversão, ok?
    Professor Charles Xavier (Patrick Stewart) garante momentos de humor e drama (Divulgação)

    Com um texto inspirado nos grandes road-movies, hiper-violento - desde o primeiro minuto! - porém com muito bom humor - e isso não é sinônimo de piadas a cada cinco minutos -, "Logan" acerta no tom, na caracterização de um futuro que, se não é pós-apocalíptico, chega bem próximo, mas traz a mensagem de esperança do legado de Charles Xavier. Afinal, todos querem, um dia, chegar ao Éden, não é mesmo?

    Destaque óbvio às atuações de Hugh Jackman e Patrick Stewart. Ambos entregam uma evolução de suas personagens que não passam por soluções fáceis ou composições exageradas. A novata Dafne Keen traz uma mistura estranha e cativante como a mutante Laura, que assusta mas é terna como qualquer criança de sua idade. Mas quem rouba todas as cenas em que aparece é justamente Stephan Merchant como Caliban. Egresso de comédias como "The Office", "The Big Bang Theory" e o filme "Passe Livre", está quase irreconhecível sob pesada maquiagem, gestual condizente com o físico frágil de sua personagem mas sem perder parte de seu bom humor quando necessário e adicionando o bom e velho drama quando solicitado. Uma grata surpresa.

    Mas o destaque maior vai à precisa direção de James Mangold. Com uma visão bem precisa do que gostaria de ver em cena, adaptou o desejo de Hugh Jackman em ver uma história mais ~"crível" de sua personagem com doses equilibradas de drama, belas cenas de ação e humor na medida certa.
    Caliban (Stephan Merchant): De vilão à grande aliado... (Divulgação)

    A direção de fotografia de John Mathieson (do recente "Peter Pan") não reinventa a roda. Poderia utilizar ângulos ousados para contar essa história, é verdade, mas talvez tenha sido essa mesma a intenção, vai saber... E se a trama escrita por Scott Frank, Michael Green e o próprio Mangold não tivesse pego um ~"desvio" - uma longa cena com participação do sumido Eriq La Salle (de "Um Príncipe em Nova York" e do seriado "ER - Plantão Médico") -, "Logan" seria um filme perfeito, Mas mesmo os grandes clássicos tem lá seus erros, não é mesmo?

    "Logan" utiliza todo seu potencial para contar esse crepúsculo de um herói relutante e se transforma num necessário encerramento de uma franquia e - por que não? - início de outra. É preciso apreciar corretamente pois o canto do cisne é sempre mais belo perto de seu desvanecer. Portanto, pare de ler isso e vá AGORA assistir esse filme no cinema. Vale cada centavo do caro ingresso...


    Kal J. Moon sabe que, quando estiver mais velho, assistirá "Logan" num fim de domingo à noite na TV aberta - se isso ainda existir até lá...
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