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    quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Quase 18", por Marlo George


    Sem lances fakes ou esteriótipos "Quase 18" é o filme adolescente definitivo.

    Eu simplesmente amo filmes com temática adolescente. Não há melhor locação que um locker room de High School, figurino mais acertado que as jaquetas de time de futebol americano, trilha sonora mais eficiente que Blondies ou melhor celeiro de talentos que esses longas que contam as aventuras e desventuras juvenis.

    Em geral, esses filmes são comédias despretensiosas ou aventuras que exploram a sexualidade juvenil, mas vez ou outra surge uma produção com aquele "algo mais" e nos propõe uma reflexão sobre os aspectos menos "festivos" desse período da vida. Juno explorou a gravidez precoce e Meninas Malvadas mostrou o lado sinistro ascensão social no colegial. São dois exemplos de comédias que, disfarçadamente, entre uma risada e outra, colocaram uma ideia na mesa e me fizeram pensar. Agora entra em cartaz Quase 18, um filme que segue justamente o caminho oposto, propondo reflexão antes das gargalhadas.

    Nasce uma estrela

    Sim, o subtítulo é clichê, mas é verdadeiro. Quase 18 é protagonizado por Hailee Steinfeld, que após ser indicada ao Oscar pelo remake de Bravura Indômita, em 2010, vinha se apagando em filmes ruins como Ender´s Game: O Jogo do Exterminador e A Escolha Perfeita 1 e 2. Pela estrada que estava seguindo, o ostracismo era um destino quase certo. Vale lembrar que muitas crianças indicadas ao Oscar já foram esquecidas e não estrelam em grandes papéis.

    Mas, para sorte de Steinfeld, ela foi escalada para viver a adolescente freak de Quase 18 e quase foi indicada ao Oscar novamente, visto que seu trabalho foi tão convincente, que a atriz figurava entre as favoritas para concorrer ao "Careca Dourado da Academia".


    Steinfeld vive Nadine, uma garota que nunca teve nenhum amigo além de (Krista Haley Lu Richardson), que conhece desde a educação infantil. Deste modo, Krista se tornou o "Mundo de Nadine", o porto seguro que ela buscava para suportar a implicância e o bulling dos outros alunos do colégio onde estudava. Nadine sofria ainda com o sucesso social de seu irmão mais velho, Darian (Blake Jenner), que além de ser ótimo em games e nos esportes, sempre foi desejado pelas garotas de sua idade. O tempo passou, todos cresceram e um belo dia, Krista e Darian inesperadamente se apaixonam. Nadine, inconformada com a possibilidade de perder a melhor amiga, passa a se comportar de maneira afetada, afastando-se de tudo e de todos. Menos de seu professor, o sarcástico e boa praça Sr. Bruner (Woody Harrelson) e Erwin (Hayden Szeto), um rapaz descendente de coreano que tem uma paixão platônica por ela.

    Criada pela diretora do filme, Kelly Fremon Craig, Nadine é uma personagem rica, com muitas facetas que podem estar ocultadas por sua personalidade forte ou por seu medo de encarar o mundo. Não importa sua própria personalidade, não é difícil se identificar com ela, porque, por mais forte e segura que uma pessoa seja, todos nós temos nossos medos e angústias. Em Nadine encontramos espelhos que refletem nossos próprios dilemas. Diferentemente de seus colegas de classe, é muito fácil gostar dela.

    A composição de personagem de Steinfeld é impecável. Apesar de ter a idade da personagem é notável que ela não está interpretando a si mesma, existe um trabalho de construção daquela garota outsider ou, como ela mesma se define, estranha demais. Steinfeld provou-se preparada para viver papéis maiores que os de coadjuvante de luxo que vinha aceitando fazer.

    Com Nadine, Hailee alcançou o status de estrela.

    Um mundo adolescente... e real

    É comum vermos o universo adolescente ser retratado no cinema de maneira irreal. Em Quase 18 temos exatamente o contrário. Tudo no filme é muito crível. Todas as personagens e situações apresentadas tem uma raiz profunda na realidade.

    Kelly Fremon Craig, que dirige seu segundo filme, toca em temas variados em Quase 18. A diretora mostra com precisão as relações da protagonista com seus pais, desde o apego que tem pelo pai até o desenvolvimento de seu afastamento da mãe e do irmão. A maneira abrupta como ela rompe com sua melhor amiga também é mostrada de maneira honesta, sem afetações. Até mesmo o modo como ela usa seu professor, e por tabela um garoto de sua sala, como pseudo-psicólogos é apresentado com destreza pelo roteiro.

    O dilema da virgindade, tema clássico adolescente, também é trabalhado sem cenas gratuitas ou ofensivas.

    Elenco afiado, descolado e que traz algumas surpresas

    Steinfeld esteve incrível, mas não vou repetir o que já disse acima. Afinal, posso ficar sem espaço para os demais componentes do elenco, que é impecável.

    A mãe de Nadine, Mona, interpretada por Kyra Sedgwick, que você deve se lembrar da série The Closer, da TNT. Kyra é experiente e está ótima em Quase 18, passeando pelo cômico e o dramático com a facilidade que apenas os grandes atores são capazes de fazer. O bonachão Tom, pai da menina é Eric Keenleyside, outro veterano, que tem o pouco tempo de tela bem aproveitado.


    Outro veterano no elenco é Woody Harrelson, que vive um professor sarcástico e com ares de perdedor chamado Bruner. Sarcasmo parece ser uma marca registrada por Harrelson, mas neste longa sua personagem sofre uma desconstrução de tipo inesperada e ele dá, mais uma vez, um show de encenação.

    O irmão de Nadine é Blake Jenner, que eu sabia que já tinha visto em algum lugar e me lembrei que foi em Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, de Richard Linklater, um filme chato sobre jovens universitários americanos dos anos 70. Em Quase 18, Jenner mostra carisma e talento que não notei no longa de Linklater. Ele também é conhecido pela série Supergirl, que no Brasil é exibida pelo canal Warner.


    A bela moça do Arizona, Haley Lu Richardson, vive Krista, a melhor amiga de Nadine. Haley vem da TV e nunca pegou nenhum papel de destaque. Sua personagem de maior visibilidade foi Cassie Cage, na websérie Mortal Kombat X: Generations. As melhores cenas do filme são as que contracena com Steinfeld. Uma dobradinha ótima e que deve lhe render futuros convites no futuro.

    Porém, a grande surpresa do elenco é o, pra mim, desconhecido Hayden Szeto. Já balzaquiano, mas com carinha de menino, Szeto rouba a cena em um filme ceio de estrelas. Erwin, seu tímido personagem, tem uma importância grande na trama, mas isso é trabalhado aos poucos. Assim sendo, o personagem vai crescendo enquanto a fita vai se desenrolando.

    Destaco também a diretora do filme, que em seu segundo trabalho já cria um clássico. Um longa que será, acredito, lembrado por muitos anos. Quase 18 é o filme adolescente definitivo.



    Marlo George assistiu, escreveu e já foi adolescente, na idade média, também conhecida como anos 80.
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