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    terça-feira, 21 de março de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Power Rangers", por Marlo George


    Vinte e dois anos depois, os Power Rangers retornam ao cinema com longa metragem honesto com os fãs do antigo seriado de TV, porém antenado com a geração Z

    Go! Go! Power Rangers!

    Não há como negar. A franquia da Saban Entertainment que adapta séries de outra franquia, a dos Super Sentais japoneses da Toei Company, é um dos fenômenos infanto-juvenis mais importantes das últimas duas décadas. Power Rangers, ou melhor, Mighty Morphin Power Rangers cativou crianças do mundo inteiro com suas séries televisivas, videogames, brinquedos de vários tipos, quadrinhos e até mesmo um filme para cinema foi lançado em 1995. O sucesso é tão grande que todo ano, desde sua origem até 2010, uma nova série foi produzida. À partir de 2011 a periodicidade aumentou para dois anos.

    Agora a franquia se prepara para uma nova fase com um reboot da lenda dos guerreiros coloridos, desta vez em uma franquia totalmente nova ― separada daquela que rola na TV ― no cinema.

    É hora de morfar!

    Com uma roupagem moderna e antenada com as novas tendências, Power Rangers é tão atual que pode acabar ficando datado em breve. Digo isso porque as personagens são típicos adolescentes da segunda metade da década de 2010. A forma como se vestem, falam, andam e até mesmo os dilemas, são os mesmos da nova turma teen. São autênticos, sem esteriótipos e forçação de barra. É um filme feito pra eles e com o qual muitos deles irão se identificar.

    Os novos Rangers são atores promissores

    Mas também agradará aos fãs mais antigos, pois o que não falta é fan service no novo filme. São várias referências às séries antigas, como por exemplo a logomarca da escola, que é a mesma utilizada na série de 1993 e alguns nomes de ruas que remetem às sagas DinoThunder e Jungle Fury, de 2004 e 2008, respectivamente. Isso sem falar na homenagem suprema que o filme faz à franquia, que acontece em um momento chave e que eu não vou entregar aqui qual é. Você precisará ir ao cinema pra ouvir por si próprio e delirar.

    O que foi surpreendente é que Power Rangers superou minhas expectativas. Especialmente no que se refere à roteiro, pois o mesmo é esperto e, apesar de ser um filme de origem, tem um dinamismo inesperado. A trama tem narrativa linear e o esquema utilizado é o mesmo dos episódios das séries de TV, o que poderia ser um erro, mas tudo foi tão bem amarrado que o resultado final funciona.

    As personagens são muito bem construídas e desenvolvidas em um roteiro enxuto, que não abriu espaço para diálogos ou ocasiões desnecessárias que não serviriam à história. Os cinco Rangers vão sendo apresentados para o público aos poucos, cada um com sua personalidade, complexabilidade e contexto. Ao final o que temos são personagens completos, profundos. E o mais legal disso tudo, com uma linguagem da fácil assimilação.

    Não posso deixar de dizer aqui que todas as acusações, que rolaram na internet após a divulgação do primeiro trailer, de que o roteiro do filme poderia ser uma cópia de Poder Sem Limites (Chronicle, no original), do diretor Josh Trank, são totalmente infundadas. Ambas apenas tem os mesmos arquétipos e influências.

    Além disso é um filme ousado por apresentar o primeiro super-herói declaradamente autista de que tenho notícia.

    O elenco jovem conta com atores pouco conhecidos. Dacre Montgomery, de Stranger Things, é o Ranger Vermelho. Naomi Scott, de Os 33, a Ranger Rosa. Ludi Lin, da série Marco Polo, o Ranger Preto. Já a rapper Becky G. defende as cores da Ranger Amarela. Todos são atores com muita estrada pela frente, com pouca experiência, mas que cumpriram bem papel. Porém, o Ranger Azul, interpretado pelo simpático RJ Cyler é a cereja do bolo do cast teen. Engraçado, talentoso e carismático é sem dúvida meu ator favorito de Power Rangers. O rapaz arrebentou.

    O filme traz ainda a bela, Elizabeth Banks, como Rita Repulsa, Bryan Cranston (que já tinha dublado monstros na série original) como Zordon e o canastrão Bill Hader como Alpha 5. Todos ótimos. Até o fato de Banks estar caricata funcionou para uma vilã "maior que a própria vida" como a Repulsa.

    Elizabeth Banks está no limite da caricatura em Power Rangers

    Os efeitos especiais e som são competentes. A trilha sonora incidental, especialmente o tema destes novos heróis é muito legal. Já as canções utilizadas no longa não me agradaram, especialmente a versão de Ring of Fire de Johnny Cash, que é ridícula.

    A direção é de Dean Israelite, que dirigiu o cult Projeto Almanaque, sci-fi que foi lançado no Brasil sem muita repercussão, mas que merece ser assistido por fãs de ficção científica. Power Rangers é tão bem resolvido por ter caído nas mãos de um diretor jovem, com carreira ainda no início (esse é seu segundo longa) e que já tinha mostrado que entende do assunto. Ansioso pra ver seus próximos trabalhos.

    Sem a pretensão de ser Cidadão Kane, nem de ser um mero filmeco de fim de semana, Power Rangers é um bom filme que mostra à que veio e que pode se tornar uma nova franquia cinematográfica. Fique ligado que tem cena pós-crédito.



    Marlo George assistiu, escreveu e também curte Country Music estadunidense... Estranho, não?
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    1 comentários:

    1. Também acho que vão fazer uma franquia de filmes, Hollywood tá muito assim ultimamente.

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    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Power Rangers", por Marlo George Rating: 5 Reviewed By: Marlo George
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