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    quarta-feira, 22 de março de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Travessia", por Kal J. Moon

    Dirigido por João Gabriel e estrelado por Caio Castro, Chico Diaz, Camilla Camargo e Cyra Coentro, "Travessia" mostra duas vidas e paralelo diante de problemas pontuais do Brasil de hoje.
    Camilla Camargo e Caio Castro: romance complicado em "Travessia"
    (Divulgação)

    Desfocada sociedade moderna
    Luto. Drogas. Incompatibilidade de gênios."Travessia" mostra como a vida de pai e filho é destruída por conta dos conflitos criados por fatores como dinheiro, individualidade e o frequente desejo por identidade, mesmo que alguns sacrifícios precisem ser realizados.

    Na trama, constantes desentendimentos levaram Roberto (Chico Diaz) a se distanciar de Júlio (Caio Castro), seu único filho - que está envolvido com tráfico de drogas sintéticas. Ambos buscam novos caminhos, movidos por seus desejos, mas um acidente inusitado pode fazer com que se unam novamente. O acidente acaba aproximando Roberto da enfermeira Leila (Cyra Coentro).
    Cyra Coentro e Chico Diaz: romance vindo do acaso
    (Divulgação)
    Uma frequente reclamação sobre o cinema feito no Brasil é justamente quando se analisa a proposta de cada filme. E torce-se o nariz para aqueles que desejam fazer algo mais sofisticado em termos de roteiro, fotografia, interpretação, direção... "Quem pensam que são?!", "Isso não fica nem uma semana em cartaz!", "Não dá para apresentar algo na linha de Truffault para quem está acostumado com Hassum!", dentre outras inverdades. A realidade pode mesmo apontar que o trinômio "comédia-biografia-realidade-urbana" tem resultado comercial agradável e bem sucedido. Mas existe, claro, espaço para todo mundo. Mas, talvez, o mercado do cinema brasileiro não seja mais sustentado por quem curte filmes com roteiros mais sutis e menos explícitos em suas propostas.

    E sutileza é justamente o caso do roteiro escrito por Paulo Tiago dos Santos (Pati), Maria Carolina e do próprio diretor João Gabriel - que teve modificações feitas por Aleksei Habib. Essa sutileza para contar essa história dificulta sua compreensão quando parece que não está acontecendo nada de tão importante assim para que justifique a exibição.

    Mesmo que tudo esteja bem localizado, Caio Castro esforçado que só para dar veracidade à sua personagem, Chico Diaz criando contornos críveis para cada reviravolta que lhe é imposto e mesmo com os romances criados às personagens femininas em cena não serem nada além de distração - destaque à interpretação precisa de Cyra Coentro, cuja verossimilhança faz com que o público acredite que a atriz talvez seja realmente enfermeira na vida real -, a trama aposta na sutileza mas falha ao tentar entregar sua verdadeira intenção.
    Destaque à bela direção de fotografia de Pedro Sotero
    (Divulgação)
    Ok, são vidas destruídas que se complementam num círculo vicioso mas que pouco ou nada tem em comum além da destruição que paira a seu redor. O problema é o que não é contado. Não se sabe o que de fato aconteceu à mãe do filho (Castro) para que odiasse tanto o pai (Diaz). Seria apenas rebeldia de jovem que deseja controle onde não vai ter? Não existe resposta para isso. Nem para o final aberto, deixando o espectador a se perguntar o que aconteceu depois da última cena exibida.

    Salva a bela direção de fotografia de Pedro Sotero (do ótimo "Aquarius"), que capta toda a perturbação e inconstância dessa diferente realidade de Salvador a que os espectadores estão acostumados - fazendo isso de forma angulosa e cromática, com excelentes resultados. Pena que a edição deixa a desejar, com uma montagem que não conversa entre si em todas as cenas.

    Diverso em si só, não é um filme ruim. Faz pensar em todos os problemas atuais e por que as soluções talvez não estejam na tela do cinema.


    Kal J. Moon acha que só mesmo em Salvador um barco faria menção a Jesus e dendê na mesma frase.
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