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    quinta-feira, 30 de março de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell", por Marlo George


    Clássico dos animes ganha versão live-action à prova de polêmicas

    Ghost in the Shell surgiu como um mangá (as famosas histórias em quadrinhos japonesas) pelas mãos e mente de Masamune Shirow. Publicada no Japão entre maio de 1989 e novembro de 1990, a série original, que teve ainda duas sequências lançadas nos anos 90, fez tanto sucesso que rompeu fronteiras e foi publicada por editoras mundo afora. A arte impressionante, dinâmica e icônica de Shirow, que até hoje influencia artistas tanto dos mangás quanto dos comics, é a grande responsável pelo sucesso da publicação, que ― como costumeiramente acontece na terra do sol nascente ― acabou sendo adaptada para o cinema, em uma animação assinada por Mamoro Oshii.

    O filme animado de Oshii, exibido no Brasil com o título O Fantasma do Futuro, tinha uma trama densa, intimista e questionadora. Bem diferente das divertidas aventuras fanfarronas, divertidas e eróticas dos mangás. Oshii optou por uma abordagem com aplicabilidade mais psicológica. A androide Motoko Kusanagi, também conhecida como "Major", protagonista da história, aparecia no anime de 1995 muito mais preocupada em entender sua função e lugar no mundo do que sua versão nos quadrinhos.


    Agora, em 2017, uma nova adaptação chega aos cinemas. Uma versão live-action, aguardada por fãs das obras de Shirow e Oshii, e também pelos ardorosos fãs da Marvel que à cada filme de ação protagonizado por Scarlett Johansson matam a vontade de ver o ainda não anunciado longa da Viúva Negra, sua personagem naquele Universo Cinematográfico. Trata-se de A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, segundo longa dirigido por Rupert Sanders, responsável por Branca de Neve e o Caçador, de 2012.

    A nova trama mescla elementos dos já citados mangá e animação, pois as piadinhas e erotismo do gibi estão representadas em pelo menos duas cenas do filme, e as questões asimovianas que a personagem principal levanta na animação também servem de fonte ao novo roteiro. Porém, trata-se de uma nova história e até mesmo as cenas que parecem ter relação com o mangá e o anime foram utilizadas com um argumento totalmente diferente.

    Deixando de lado a nudez e o papo cabeça, o roteiro escrito por Jamie Moss, William Wheeler e Ehren Kruger evitou apelações e cenas de longos devaneios sobre a vida, o universo e tudo mais. Recheado de ação e de cenas eletrizantes, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um filme dinâmico e muito fluído, daqueles que não cansa o expectador. Por outro lado, apesar de não ter deixado a trama inconsistente, essa opção de não abordar o drama psicológico da androide da maneira como deveria tornou o filme menos interessante.


    Porém, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é repleto de referências e tem easter-eggs que deixarão os fãs delirando. Algumas cenas parecem ter sido simplesmente copiadas do anime. O trabalho de direção de arte bebeu diretamente da fonte de Shirow e é possível ver sua arte bem representada na telona. No terço final do longa aparece uma máquina gigantesca que parece ter sido arrancada de uma das ilustrações de Shirow Sensei e usada no filme, tamanha a preocupação da produção em manter no design o estilo do manga-ká.

    Outro ponto positivo do filme é o trabalho cenográfico. O mundo concebido é incrível o suficiente para ser um personagem à parte. A região metropolitana, onde se situa o Setor 9, é imensa e surreal. Rico e exuberante, o centro da cidade, tecnológica ao extremo, exibe tudo que há de bom e ruim, de belo e feio em qualquer capital do mundo. Mas, como no mundo real, em volta da riqueza ficam os bairros pobres, enlameados e abandonados, mostrando que aquela sociedade que tanto se preocupa em avançar no que diz respeito ao aperfeiçoamento humano, pouco se lixa para como os humanos estão vivendo. Uma pena que esse aspecto daquele universo não foi explorado.


    Um ponto negativo é a dublê virtual da Major que, apesar de estar parecidíssima com Scarlett Johansson, é fake demais (confira na foto acima). O trabalho é tão precário que é possível ver o momento em que a transição entre a personagem virtual e a atriz acontece. No restante, o trabalho de efeitos especiais é excelente.

    A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell recebeu algumas críticas quando do anuncio de Scarlett Johansson como a protagonista do filme. Quem leu ou assistiu as produções anteriores sabem que a personagem principal é nipônica e isso acabou resultando em acusações de "americanização" da história. A trama resolveu isso de maneira bem inteligente e o filme acabou sendo "blindado", tornando infundadas qualquer argumentação nesse sentido.

    Falando nela, Johansson, que vive a Major no filme, está belíssima e sensual. No quesito atuação a atriz entrega um trabalho na média, sem nada de especial. Seu parceiro de tela, o dinamarquês e desconhecido Pilou Asbæk, deu vida à Batou, um personagem importante no mundo de Ghost in the Shell. O rapaz é talentoso, mas o fato dele não estar usando sua prótese ocular desde o inicio do longa deve desagradar fãs mais radicais. Isso possivelmente foi exigência de seu agente para garantir tempo de tela pro ator com o rosto "limpo", aumentando a possibilidade dele ficar mais reconhecível pelo público à partir do filme.


    O longa traz ainda Juliette Binoche, mais conhecida como a protagonista de A Liberdade é Azul, da Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski, mas a grande estrela de A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é Takeshi Kitano, que arrebentou com sua versão mais violenta de Aramaki, o mais velho funcionário do Setor 9. O ancião é responsável pela melhor frase do filme que dita pelo veterano ator ficou irada.

    Com um visual ao melhor estilo de Luc Besson e ação à melhor explosão de Michael BayA Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é imperdível para fãs e curiosos.




    Marlo George assistiu e vem escrevendo no Poltrona Pop com aquela mão que se divide em dezenas de dedinhos minúsculos para dar conta do recado.
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