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    terça-feira, 30 de maio de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Mulher-Maravilha", por Kal J. Moon

    Baseado na cultuada personagem da DC Comics, dirigido por Patty Jenkins e estrelado por Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Connie Nielsen, Elena Anaya, dentre outros, "Mulher-Maravilha" é o quarto filme do universo cinematográfico iniciado em "O Homem de Aço" - além de ser o primeiro grande filme protagonizado pela super-heroína após mais de 70 anos de sua criação. E fica a questão: funciona? (Boa pergunta, aliás...)

    Desejo x Necessidade
    Nunca fui fã da Mulher-Maravilha. Nem nos quadrinhos - apesar de algumas histórias bacanas escritas e desenhadas por nomes como George Pérez, John Byrne, Mike Deodato Jr, dentre outros -, nem nas animações - mesmo que nas séries animadas lhe fizessem jus -, muito menos pelo seu polêmico "uniforme" - que mais parece, bem, você sabe. Porém, independente disso, sempre achei que, com um roteiro equilibrando bom humor, ação e aventura, um gibi ou um filme da personagem era perfeitamente possível e lucrativamente viável. Afinal, nada mais justo que trazer à baila a personagem mais aclamada de "Batman V Superman", ícone de movimentos libertários desde sua criação e que, claro, ninguém que não tenha lido as histórias em quadrinhos sabe muito bem direito quem ela é de verdade.

    Chegamos em 2017 para assistir o filme dirigido por Patty Jenkins (de "Monster" e o seriado "The Killing"). A princípio, o público, apreensivo, pode estranhar que a história se passe entre "Batman V Superman" - filme que ainda divide opiniões mais de um ano após sua estreia. Mas nada que um bom início, mostrando a infância e juventude da amazona, não possa já fazer com que se caia de cabeça e embarcar nesta aventura.

    Na trama, antes de tornar-se a super-heroína Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das Amazonas e, posteriormente, treinada para ser uma guerreira invencível. Diana descobre um grande conflito que assola o mundo quando  um piloto americano chamado Steve Trevor (Chris Pine) cai com seu avião nas areias da costa de Themiscira. Convencida de que é capaz de vencer a ameaça de destruição, Diana deixa a ilha. Lutando lado a lado com homens numa guerra que pretende acabar de vez com todas as guerras, ela vai descobrir todos os seus poderes… e seu verdadeiro destino.

    A trilha sonora conduzida por Rupert Gregson-Williams evoca o espírito de tramas pitorescas com um fundo ao mesmo tempo trágico e heroico. O figurino criado pela ganhadora do Oscar Lindy Hemming é bem desenvolvido e condizente com o que se usava na época da Primeira Guerra Mundial - quando a maior parte da trama se passa. Até mesmo o polêmico uniforme ganhou um upgrade que tem mais a ver com a época do que com sua contraparte dos quadrinhos - ainda que já tenhamos visto modelos parecidos em algumas histórias como "A Nova Fronteira".

    Ainda que não seja um filme que prime pelas grandes atuações - o que é de se estranhar, uma vez que Jenkins levou Charlize Theron a ganhar o Oscar pelo seu desempenho em "Monster", mas enfim -, temos uma boa química entre o casal protagonista Gal Gadot e Chris Pine. Com falas nada românticas (ainda bem!) mas engraçadas sem destoar da trama, é uma grata surpresa. E também podemos destacar Robin Wright (do seriado "House Of Cards") como Antíope, uma das amazonas que treinam Diana e, de longe, uma das melhores personagens, mesmo que com pouco tempo de tela.

    Mas tudo o que há de bom no filme reside nos parágrafos acima. O roteiro escrito por Allan Heinberg (egresso da TV, de seriados como "O.C - Um Estranho no Paraíso", dentre outros ) - baseado no argumento de Zack Snyder (sim, ele mesmo!), Jason Fuchs e do próprio Heinberg - é deveras mal construído, cheio de incongruências e com frases que fariam corar até o mais novato dos roteiristas. Além disso, muitas situações mal resolvidas - e até mesmo esquecidas - faz com que o espectador mais atento fique se perguntando por que determinada cena aconteceu se o completo inverso aparece em seguida, quebrando a sequência e o ritmo da mesma. Também devemos citar que vários personagens perambulam pela trama sem muita importância, como Etta Candy (Lucy Davis), a secretária de Steve Trevor - cujas cenas mais importantes estavam nos trailers. Mesmo a protagonista sofre da falta de entendimento da personagem, tornando-a quase insuportável por conta de suas atitudes, no mínimo questionáveis.

    E esse desleixo da equipe da escrita reflete-se no resto do elenco, que parece estar no automático, garantindo o valor do aluguel e não se importando muito com o que está sendo dito. Algumas cenas dá pena de assistir quando se pensa no desperdício de atores tão talentosos e renomados.


    O efeitos especiais parecem mascarados pela edição de som, que preferiu seguir a cartilha dos atuais filmes de terror com efeitos sonoros no último volume para ~"garantir" a imersão, como nas cenas de explosão, por exemplo. E ainda foi virtualmente estranho ver cenas produzidas em fundo azul - onde estariam paisagem diurnas e externas - onde o recorte dos atores não é bem executado a ponto do espectador saber exatamente o que é real e o que é feito por computador. Não se sabe se faltou tempo hábil para renderização de algumas cenas com problemas ou se o que é visto na tela é mesmo o resultado de algo mal produzido. Ok, sabemos que "Mulher-Maravilha" é um filme visivelmente com menos investimentos do que os outros filmes do estúdio e isso é um fato - mas custava um pouquinho de "carinho" com um filme tão esperado? Várias tomadas parecem-se com aqueles feitas em "modo história" de video-games (Lembra de "Mulher-Gato"? Pois é...)

    Mas aí é que está. Mesmo com todos esses problemas bem pontuais, "Mulher-Maravilha" ainda é um filme que pode ser assistido pelo público que não leu as histórias em quadrinhos - nem precisa pois não existe qualquer elemento "canônico" nessa história - e só conhece a personagem dos desenhos animados e de sua breve participação em "Batman V Superman". Isso é um mérito? Talvez. A Warner Bros produziu o filme que o grande público queria assistir, não o filme que precisavam assistir. E, possivelmente, tem o filme que fará a maioria mudar de ideia quando se trata de filmes baseados em personagens da DC Comics.

    Com momentos divertidos, ação, romance e super-heroísmo de protagonismo feminino, "Mulher-Maravilha" pode ser exatamente o que o Universo Cinematográfico DC precisava para ter credibilidade. E se pararmos para pensar, o que diabos se esperava de um filme da Mulher-Maravilha, afinal? Diz você. Assista e tire suas próprias conclusões...


    Kal J. Moon já esteve na Primeira Guerra Mundial. Ele até lutou ao lado de dois norte-americanos chamados Steve...
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    2 comentários:

    1. Respostas
      1. Não exatamente. O filme tem dois pontos positivos. Mas o conjunto não salva...

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    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Mulher-Maravilha", por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
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