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    quinta-feira, 29 de junho de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Colossal", por Marlo George


    Em 2015, a produtora Toho entrou com uma ação judicial contra o diretor e roteirista de Colossal, Nacho Vigalondo, alegando que haviam muitas similaridades entre seu projeto e Godzilla, filme da Toho que foi dirigido por Gareth Edwards e que entrou em cartaz em 2014.

    Em suma, Godzilla declarou guerra à Colossal.

    Ambas as partes entraram em acordo, confidencial, e o caso foi arquivado. Mas agora, passado tanto tempo, eu posso julgar duas coisas: A primeira é que a única similaridade entre as duas produções é a presença de uma criatura gigante em cada uma delas, uma vez que são tramas distintas e cujo gênero sequer é o mesmo. E a segunda é que Godzilla é um filme ruim e Colossal um filme extraordinário.

    Diferente do remake do lagartão japonês, que é um filme de ação e aventura, Colossal é um drama cômico que conta a história de uma alcoólatra, Gloria (Anne Hathaway), que vivia em Nova Iorque se separa do namorado e acaba tendo que voltar para sua cidade natal, no interior. Lá ela reencontra um amigo de infância, Oscar (Jason Sudeikis), e, paralelamente à eventos desastrosos envolvendo a capital da Coréia do Sul e um monstro gigante, Gloria e Oscar precisam resolver problemas do passado, e do presente, numa trama inesperada e surpreendente.

    Contar mais seria entregar o roteiro e você merece assistir esse filme sem spoilers. Se resistir à tentação, não assista sequer ao trailer. Corra pro cinema.

    Apresentado pela primeira vez no Festival de Toronto de 2016, Colossal não teve o trabalho de divulgação que deveria e acabou não causando o impacto que merecia. Arrecadou pouco nos EUA e está sendo exibido no Brasil com atraso de dois meses em relação à sua primeira exibição em circuito internacional.

    É interessante ressaltar que nós estamos vivendo em uma época de "empoderamento" (detesto esse termo, mas vou usá-lo pra ficar na moda) geek. Já foi dito, em redes sociais e canais de Youtube, que "não há época melhor para ser nerd" e isso só é verdade porque hoje, nós os geeks, nerds e outros "freaks" de outrora, invadimos o sistema e estamos com a rédea de vários segmentos, não só do entretenimento. A época não é favorável aos geeks apenas porque temos filmes de super-heróis e remakes de séries clássicas da TV no cinema. É incrível ser nerd nos dias atuais porque temos, além disso, filmes incríveis como Colossal. Produções inteligentes, maduras e que foram feitas especialmente pra nós. Com a nossa cara. Uma pena saber que muitos geeks, da velha ou da nova geração, talvez sequer saibam sobre Colossal, por conta de um esquema de divulgação ineficiente ou tato de executivos da área que não sacaram que este é um filme que poderia render muito, caso fosse bem apresentado. Mas isso requer investimento, riscos e aí a história é outra...


    O filme tem produção executiva de Anne Hathaway, que protagoniza Colossal e apresenta um trabalho soberbo. Vencedora do Oscar pela versão cinematográfica do musical Os Miseráveis, em 2012, Hathaway entrega à sua personagem, Gloria, todo seu talento e experiência em cenas marcantes, como quando ela inadvertidamente descobre que os seus atos irresponsáveis podem ter consequências monstruosas.

    Seu par em Colossal é Jason Sudeikis. O comediante surpreende como o comerciante Oscar, um personagem complexo e bem construído que é, sem a menor sombra de dúvidas, o ingrediente que torna Colossal tão impressionante. A maneira alegórica como Vigalondo conduz a trama, e especialmente a relação entre a confusa Gloria e o conturbado Oscar, só funciona porque esse importante personagem foi interpretado por um ator competente. Todas as saudações à Sudeikis e seu amadurecimento profissional.

    O elenco conta ainda com Austin Stowell (Whiplash: Em Busca da Perfeição), Tim Blake Nelson (Quarteto Fantástico) e Dan Stevens, que ficou mais famoso agora que interpreta o protagonista da série Legião, da Marvel.

    Os efeitos especiais são bacanas, bem realizados, mas dá pra sacar que o filme é barato. Além do mais, Colossal será lembrado pelo argumento esperto e não por cenas em chroma keyer, explosões ou bestas colossais extraordinariamente reais. Aliás, se o monstro não parece real, acredite, isso não é demérito e sim referência. Entendedores entenderão.

    O diretor é Nacho Vigalondo, espanhol e especialmente conhecido por participar de projetos coletivos de terror como O ABC da Morte (2012), The Profane Exhibit (2013) e V/H/S Viral (2014). Não conheço seu trabalho, mas já estou interessado em saber mais sobre este cara que realizou um filme tão magnífico como Colossal. Recomendo que corra atrás também.

    Colossal possivelmente será aquele filme que ninguém viu, mas que pode bombar em home video e streaming. Já está na fila pra se tornar cult.



    Marlo George assistiu, escreveu e também tem um monstro habitando em seu interior.
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