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    terça-feira, 4 de julho de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Homem-Aranha: De Volta ao Lar", por Marlo George


    Após errar a mão desastrosamente em Vingadores: Era de Ultron e Capitão América: Guerra Civil, a Marvel Studios acerta com a produção, conjunta com a Sony Pictures, Homem-Aranha: De Volta ao Lar

    Dentre as gratas surpresas reveladas pelo grupo de hackers Guardians of Peace, em novembro de 2014, no cataclísmico evento de nosso tempo conhecido como Sony Hack, a que mais chamou atenção foi a intenção da Sony Pictures em ceder o personagem Homem-Aranha para a Marvel Studios. Isso realizaria o sonho de milhares de marvetes pelo mundo: Ver o Homem-Aranha finalmente agindo ao lado dos bem-sucedidos Vingadores da Disney.

    Uma ano e meio depois, vimos o amigão da vizinhança em uma participação especial no filme Capitão América: Guerra Civil. Sendo o único elemento que funciona em um filme muito ruim, o Homem-Aranha foi introduzido no Universo Cinematográfico Marvel e agora ganha seu novo filme solo: Homem-Aranha: De Volta ao Lar. A nova aventura só não é o melhor longa inspirado no personagem, criado por Steve Ditko e Stan Lee, porque Homem-Aranha 2, de Sam Raimi é um filme genial. Mas é, sem dúvida, um longa inspirado e que merece figurar entre os grandes filmes de super-heróis.

    Trama bem tecida

    O grande trunfo de Homem-Aranha: De Volta ao Lar é o roteiro, que foi escrito por seis escritores, que tinham a missão de reapresentar o herói a um público que já o conhecia muito bem, seja pelos gibis, publicados desde os anos 60, os desenhos animados, a série de TV e os filmes de Sam Raimi e Marc Webb.

    Foram bem-sucedidos. A trama é fluída e o filme não cansa, apesar da longa duração. Os roteiristas utilizaram recursos narrativos interessantes para recontar a história do Aranha sem que fosse preciso revisitar a sua origem. A morte do tio Ben, o incidente com a aranha radioativa e a descoberta dos poderes ficaram de fora. Porém, todos estes fatos ocorreram anteriormente aos eventos deste filme e foram apresentados na forma de diálogos concisos e de maneira bem inteligente. Além disso, a narrativa traz reviravoltas imprevisíveis que enriquecem a história que está sendo contada.

    O protagonista e o vilão principal foram muito bem construídos. Peter Parker nunca foi tão bem retratado em uma mídia ― diversa dos gibis da Casa das Ideias ― como neste longa-metragem. Sacana, bem-humorado, moleque e ainda aprendendo a lidar com as responsabilidades e deveres de um superdotado, Peter está muito parecido, neste filme, com sua versão dos quadrinhos.

    O homem, ou garoto, por trás do novo Parker é Tom Holland, que encantou o mundo como Lucas, o garotinho do filme, indicado ao Oscar, O Impossível, de 2012. Apesar da pouca idade e experiência, Holland mostrou maturidade artística e convenceu como o novo Aranha.


    O vilão da vez é o Abutre, que teve um inesperado desenvolvimento na trama. Porém, apesar do esmero em desenvolver bem a personagem, esta ficou prejudicada por se parecer demais com dois vilões dos filmes do Homem de Ferro, Justin Hammer e Aldrich Killian, interpretados por Sam Rockwell e Guy Pearce, respectivamente. O Abutre é encarnado por Michael Keaton, o inesquecível Batman dos filmes de Tim Burton. Keaton, após passar um tempo no ostracismo, vem se destacando novamente, tendo sido inclusive indicado ao Oscar por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Em boa fase, entrega um trabalho dramático muito acima da média.

    O filme traz referências ao Universo Marvel de diversas mídias. A mais legal, e bem sacada é uma piada com uma das cenas clássicas do primeiro filme de Sam Raimi. É de morrer de rir, especialmente por conta do timing cômico de Jennifer Connelly, que faz uma participação especial.

    Piadas, aliás, são constantes como em outros filmes da Marvel. Mas dessa vez, como a personagem principal é famosa por ser um piadista de ocasião, todas são legais por "transpirarem" naturalidade. Assim como nos gibis, o Homem-Aranha faz piada e gracejo com tudo e com todos. Novamente os roteiristas beberam na fonte do cânone da personagem e incluíram cenas inspiradas e totalmente coerentes com o material original.

    Mas nem tudo são flores. O roteiro tem alguns probleminhas. O mais notável é referente ao plano do Abutre que, quando efetivado, resulta em algo que nós já tínhamos visto em Curta Marvel: Artigo 47. Isso deixou o filme com jeitão de "requentado".


    Reencontrando velhos conhecidos

    Desde Capitão América: Guerra Civil ficou clara a relação entre a Família Parker e Tony Stark. O Homem de Ferro era uma das minhas preocupações nesse filme. Não sei quanto a você, leitor, mas eu já estou com o saco cheio da personagem e de seu intérprete. Robert Downey Jr. mandou muito bem no filme que originou o Universo Cinematográfico Marvel e em Os Vingadores, mas é um pé-no-saco nos demais filmes. Tanto nos que protagoniza, quanto naqueles em que faz aparições.

    Só que, dessa vez, o playboy, milionário, gênio e filantropo Stark tem um papel importante na trama. Ao contrário do que eu imaginava, em Homem-Aranha: De Volta ao Lar o ator não faz aparições gratuitas e piadinhas enfadonhas. Sua presença cria um elo consistente entre o adolescente com poderes aracnídeos e os Maiores Heróis da Terra. Minha implicância foi, finalmente, derrotada e acabei gostando do papel do Homem de Ferro na trama.

    A polêmica Tia May gostosona, interpretada por Marisa Tomei, não tem muito tempo de tela, mas cumpre seu papel, criando mais background para Peter Parker. Me lembrou um pouco a Tia Cass, tiazona bacana do Hiro de Operação Big Hero, animação da Disney baseada em um gibi da obscuro Marvel. Ambas tem a mesma função.

    Jon Favreau, que dirigiu os dois primeiros filmes do Homem de Ferro, e que vive o guarda-costas de Tony Stark, Happy Hogan, também participa do filme e até mesmo fez uma menção à sua própria obra, nos momentos finais.

    Stan Lee, co-criador da personagem protagonista, também aparece no filme. Mas isso nem é lá uma novidade.

    Só pra constar, as aparições do Capitão América são impagáveis.


    Elenco de apoio teen desinteressante e desnecessário

    Se Downey Jr. se redimiu, Keaton assustou e Tomei continua linda de morrer, o elenco coadjuvante, jovem, decepciona.

    Eu esperava muito, muito mesmo, de Tony Revolori. Não é preciso dizer que ele, nem de longe, se parece com Flash Thompson, desafeto escolar de Peter Parker nos quadrinhos. Mas, como ele é um  ator talentoso, o que ficou provado em O Grande Hotel Budapeste, achei que Revolori acabaria encontrando um meio de me convencer como o valentão. Mas o roteiro não o ajudou e seu personagem não passa de um bobão endinheirado.

    Laura Harrier é o interesse romântico de Peter. Não tem muita postura e parecia pouco confortável em cena. Só não passa despercebida por ter mais tempo de tela que os demais atores do núcleo jovem. Outro personagem que também é bem explorado no roteiro, mas que é um desnecessário alívio cômico, é Ned, interpretado por Jacob Batalon. Bobalhão demais e superestimado pelo roteiro, o personagem é completamente desnecessário. As situações em que Ned se mete são forçadas demais. Não gostei e é um artifício que não tem funcionado desde o infame filme solo do Lanterna Verde, de 2011.


    Zendaya interpreta Michelle, uma estudante "pra frentex"com delírios de ativismo infantil. É a típica adolescente dos anos 2010, contestadora, politizada e metida a sabichona. A personagem tinha potencial, mas a atriz é tão carente de talento que no final Michelle não passa de, na ausência de palavra que mais educadamente a defina, uma "nojentinha".

    Interpretando uma importante personagem do Mundo do Aranha temos Angourie Rice, que dá vida à Betty Brant. Aparece muito pouco e é mais jovem que Peter, o que destoa com a versão dos quadrinhos. Ela é quem deveria ser o interesse romântico de Parker. Nos gibis, Betty é o primeiro amor, platônico, do aranhoso.

    Padrão Marvel

    Homem-Aranha: De Volta ao Lar tem produção caprichada. Os efeitos especiais são animais e criam cenas de ação de tirar o fôlego. Todo o trabalho de direção de arte segue o padrão da Marvel Studios. Os adereços, figurinos e equipamentos são visualmente belos e funcionais, com destaque para as asas de metal do Abutre, que são de deixar o Sam Wilson com inveja.

    A trilha sonora é muito legal. O tema do Abutre é digno do personagem interpretado por Keaton. Composta por Michael Giacchino, é uma das trilhas mais legais dos filmes de super-heróis. Falando em trilha sonora, preciso falar no repertório pop. Ramones (que é uma referência obrigatória quando o assunto é música e Homem-Aranha) e Rolling Stones são alguns dos artistas tocados durante o longa. A edição de som também impressiona, assim como a mixagem.

    Não assisti em 3D e, sinceramente, não senti falta da tecnologia. O filme funciona muito bem em salas tradicionais.

    Pra terminar um aviso importante: O filme traz duas cenas pós-crédito, conforme a tradição dos filmes da Marvel Studios.

    Pois é. Assim é Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Um filme muito além do previsto, que tem potencial para agradar fãs dos gibis, dos filmes de supers e o público em geral.



    Marlo George assistiu, escreveu e também já construiu uma Estrela da Morte.
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