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    segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

    CRÍTICA [STREAMING] | "First They Killed My Father", por Kal J. Moon

    Produzido, co-escrito, dirigido por Angelina Jolie (foto), estrelado pela atriz mirim Sareum Srey Moch (foto) e indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 2017, "First They Killed My Father" ("Primeiro mataram meu pai", em bom português) - já disponível no catálogo da plataforma digital Netflix - mostra os horrores da guerra através dos olhos de uma criança. A pergunta é: já vimos esse filme? Boa pergunta...

    "O Senhor da Guerra não gosta de criança"
    Angelina Jolie não precisa provar que é muito mais que um rostinho bonito. Diretora de filmes e documentários, politicamente engajada, preocupada em fazer muito mais do que seu ofício determina, ela entrega talvez seu filme mais rico e completo até o presente momento.

    Na trama, Loung Ung (Moch), uma garota de apenas cinco anos de idade, luta para sobreviver em meio ao regime de terror do Khmer Vermelho - uma golpista ditadura militar - no Camboja.

    É bem interessante como a narrativa deste filme é construída de forma fugaz, sem tempo para floreios desnecessários ou mesmo frases motivadoras que a protagonista poderia se lembrar durante sua jornada. Há um senso enorme de urgência aqui. Primeiro, na saída premente de onde a família mora em direção a um destino que, supõe-se, ser melhor do que ficar e morrer nas mãos de uma milícia armada. Depois, quando a família é desfeita - por "n" motivos mas principalmente quando o patriarca é levado sob o pretexto de precisarem de seu esforço físico para consertar uma ponte. E, finalmente, quando vemos o treinamento da pequena Loung - e de diversas outras crianças de ambos os sexos - como parte do exército do Khmer Vermelho, mostrando toda a brutalidade que só a guerra pode proporcionar. Até chegarmos a sua conclusão, terrível por um lado mas positivo no fim das contas.

    Destaque óbvio à atriz mirim Sareum Srey Moch, que tem de, literalmente, carregar o filme nas costas, sem pronunciar muitas palavras, apenas testemunhando cenas terríveis e demonstrando sentimentos apenas com o olhar e com postura física adequada a cada instante, com uma naturalidade espantosa. E, claro, mais uma vez, isso também é mérito da visão da diretora Angelina Jolie, que sabia muito bem o que precisa exigir em cada momento de atuação - para quem não sabe, dirigir crianças exige paciência e ludicidade por parte de quem comanda a produção pois nem sempre temos atores e atrizes formadas dramaticamente numa idade mais tenra.

    Destaque também aos aspectos técnicos do filme, principalmente à precisa direção de fotografia comandada por Anthony Dod Mantle (de "127 Horas"), servindo diversas vezes como o olhar da pequena Loung, utilizando bastante de "contra plongée" (aquela tomada de câmera de baixo para cima, simulando o campo de visão de uma criança) e panorâmicas para estabelecer a localização. A trilha sonora original criada por Marco Beltrami (do recente "Logan") não é intrusiva e quando se estabelece, deixa o expectador ansioso e contraindo o esfíncter, tamanha a tensão da cena (quando você vir a cena, vai saber imediatamente a que me refiro).

    Já o roteiro escrito pela própria Loung Ung da vida real - baseado em seu livro homônimo (ao lado de Angelina Jolie) - escorrega ao alongar algumas situações, repetindo-as, perdendo muito do fluxo perpetrado inicialmente. Existe uma cena que, se concretizasse visualmente uma das falas de determinada personagem no segundo terço do roteiro, faria algo bem interessante, mesmo que se contrapusesse em relação à veracidade dos fatos. Traria a fantasia da criança em contraponto imediato ao horror instituído pela boçalidade da guerra. Mas a vida não é perfeita e nenhum filme precisa ser.

    Sim, "First They Killed My Father" é um filme político - como não poderia deixar de ser - e tem paralelos que podem lembrar filmes como "A Vida é Bela", "Lion - Uma Jornada para Casa" ou mesmo o brasileiro "Pixote - A Lei do mais Forte". Mas isso não é demérito. É estar num raro panteão de realizadores que conseguiram contar boas histórias estreladas por crianças, histórias necessárias independente da quantidade de dinheiro atrelado ao projeto. Mostre esse filme para quem ainda insiste em dizer que a guerra é algo indispensável à história da humanidade - pode até não mudar de ideia imediatamente mas o impacto fará o serviço a seu tempo...


    Kal J. Moon repudia todo e qualquer movimento de destruição do ser humano. Sempre.
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