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    terça-feira, 19 de dezembro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Suburbicon - Bem-Vindos ao Paraíso", por Kal J. Moon

    Dirigido por George Clooney e com um elenco do quilate de Matt Damon, Julianne Moore, Oscar Isaac e o pequeno mas talentoso Noah Jupe, "Suburbicon - Bem-Vindos ao Paraíso" é um conto mórbido para saber até onde o ser humano vai por problemas causados pelo vil metal.


    O inferno é logo ali...
    As primeiras cenas de "Suburbicon" mostram, de forma eficaz, um extenso comercial da pacata e idílica comunidade formada por pessoas de bem que resolveram se mudar para este bairro no intuito de fugir da agressividade urbana dos engarrafamentos, da poluição e de outros problemas modernos. Essa era a principal preocupação das pessoas já nos anos 1950. O problema é que tudo em "Suburbicon" (filme e comunidade homônima) é superficial. A começar pela etnia de seus habitantes.

    A trama se passa em um caloroso subúrbio americano no final da década de 50, com casas organizadas e confortáveis - um lugar perfeito para viver em família. Por trás da suposta tranquilidade, no entanto, há uma perturbadora realidade que leva o marido e pai de família Gardner Lodge (Damon) a vivenciar o lado sombrio da cidade, que inclui traições, complôs, violência e a inevitável vingança.

    Logo no início, vemos uma família afro-americana chegar para morar na comunidade, causando um verdadeiro rebuliço. O que antes parecia uma personificação das ilustrações de Norman Rockwell (refletidas na ótima direção de arte de Christa Munro - do recente "A Lei da Noite" - e no inspirado figurino concebido por Jenny Eagan - de "Beasts of No Nation" - lembrando o que foi feito em "Edward Mãos de Tesoura"), revela-se a pequenez humana diante das diferenças (raciais, físicas, psicológicas, financeiras etc), num debate que, bem, não tem nada a ver com essa história principal. Ou tem, mas como subtrama.

    É interessante que "Suburbicon" não trata diretamente de racismo mas, sim, de cobiça, traição e mortes, MUITAS mortes - mais do que se imagina e de formas muito mais extravagantes do que supõe. O roteiro escrito por Grant Heslov, Joel Cohen, Ethan Coen e pelo próprio diretor Clooney procura mesclar o suspense de Hitchcock, com pitadas do cinema noir e a sanguinolência de Frank Miller nos quadrinhos "Sin City". Pena que o resultado não é tão satisfatório quanto o anúncio...

    Não que "Suburbicon" seja necessariamente um filme ruim. Longe disso. Temos atuações interessantes de Matt Damon, Julianne Moore (num papel duplo!) e o ator mirim Noah Jupe - que emociona o público com uma sinceridade que acreditamos que está realmente correndo risco de vida. Oscar Isaac não está mal mas sua personagem não é tão interessante. Tem também a direção de fotografia Robert Elswit - ganhador do Oscar por "Sangue Negro" - e a trilha sonora eficaz comandada por Alexandre Desplat - ganhador do Oscar por "O Grande Hotel Budapeste"...

    Mas o principal problema do filme é seu ritmo claudicante. A edição de Stephen Mirrione permitiu takes longos, muitos desnecessários, resultando num filme um tanto mais arrastado do que o necessário.


    É possível que essa fosse a intenção de George Clooney como diretor, numa visão de que a vida passa mais devagar em locais assim, cheio de preciosismo inerente a cada cena. Mesmo tendo isso em mente, tem-se a sensação de estar envelhecendo frente a tela de cinema ou de se perguntar quando começará a acontecer algo importante - e acontece, mas demora.

    Assista com paciência de Jó e, mesmo com final previsível, "Suburbicon" entrega uma boa história, digna dos pulps dos anos 1950. No fim das contas, nada realmente muda, mesmo após a mais densa tempestade. Assim como a vida real.




    Kal J. Moon ficou com medo de Matt Damon após assistir esse filme...
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