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    quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Forma da Água", por Marlo George



    Repetindo fórmula e reciclando personagem, Del Toro decepciona em "A Forma da Água"


    Sabe aquela sensação incômoda de déjà-vu?

    Pois é! Foi assim que me senti ao assistir o badalado novo filme do diretor mexicano Guillermo Del Toro, de quem sou fã declarado. Em um mundo perfeito, A Forma da Água, filme que estreou no Brasil no Festival do Rio 2017, seria o meu filme preferido da temporada de premiações. Mas o mundo não é perfeito.

    O diretor, que costuma ser inovador e inspirado, erra feio ao apresentar um longa com roteiro demasiadamente parecido com o de seu filme mais memorável, O Labirinto do Fauno, de 2006. Novamente temos uma história que se passa em meados do século XX, tratando do tema da guerra com toques de fantasia. Mais um conto de fadas moderno com desfecho semelhante ao de seu antecessor, o que passa a impressão de que Del Toro, neste gênero, só sabe contar a mesma história.

    O diretor "usou a mesma forma de bolo", mas dessa vez esse solou, tendo em vista que a trama rasa e a falta de qualidade dos diálogos fazem de A Forma da Água um filme decepcionante.

    A dupla protagonista, interpretada por Sally Hawkins e Doug Jones, em sua concepção artística, não em seu desenvolvimento, são versões de Ofelia (Ivana Baquero) de O Labirinto do Fauno e Abe Sapien, de Hellboy, sua adaptação dos quadrinhos de Mike Mignola, de 2004, respectivamente. Vale ressaltar que Sapien também foi interpretado por Jones.

    Porém, deixando de lado o roteiro ruim e o caracter design equivocado, o filme acerta em diversos aspectos.

    A direção de arte, que recria a América do Norte no período da guerra fria é muito competente, criando cenários que são retratos fiéis daquela época. Os figurinos também são muito convincentes e proporcionam uma viagem no tempo. A Fotografia também impressiona ao explorar as situações dos melhores ângulos possíveis, tornando o filme agradável de se assistir, apesar do roteiro sofrível.

    É preciso dizer também que A Forma da Água é um filme que se destaca por seus intérpretes. O elenco está impecável e o longa traz algumas performances dignas de nota.

    Sally Hawkins é muito bem sucedida ao dar vida à Elisa Esposito, uma personagem muda. Feito incrível que foi mal aproveitado pela ausência de criatividade da narrativa.

    O duas vezes indicado ao Oscar Michael Shannon interpreta Richard Strickland, o vilão da trama, demonstrando mais uma vez que é um grande, talentoso e versátil ator. Com seu rosto sui generis e olhar forte é capaz de extrair o máximo de seus personagens, mesmo em situações nas quais o texto não contribua.

    A divertida Octavia Spencer também brilha ao tornar sua personagem, Zelda Fuller, um mero alívio cômico, na figura mais interessante do longa. Mérito único e exclusivo da atriz.

    Veterano, Richard Jenkins continua o bom trabalho com um personagem profundo que, de longe, é o mais bem construído do filme.

    E pra finalizar, preciso falar sobre Doug Jones. Velho conhecido dos fãs de Del Toro, Jones novamente transforma-se numa criatura impressionantemente crível e real. Seu trabalho corporal e colocação em cena são técnica e artisticamente inigualáveis.

    A Forma da Água não passa de um romance feérico ruim, tecnicamente competente e com ótimas atuações. É bem dirigido, pois o produto final é o que se espera de um diretor experiente como Del Toro, mas sem um roteiro decente, não há aspecto técnico que compense a escassez daquilo que considero primordial em uma produção cinematográfico: A história que está sendo contada.





    Marlo George assistiu, escreveu e se desencantou.
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