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    terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Lady Bird - A Hora de Voar", por Andreas Cesar.


    Geralmente o cinema é composto de filmes que vão além do mundo ordinário. Com isso não quero dizer que o mundo real é posto de lado, mas sim a história de pessoas comuns, que não apresentam nada de extraordinário, levando vidas simples e, por vezes, entediantes. Porém, algumas vezes são exatamente essas banalidades que são retratadas por certos longas, como "Lady Bird: A Hora de Voar".

    Com um roteiro simples sobre uma adolescente que sonha com uma vida melhor, o filme tem seus momentos. Algumas cenas são divertidas, poucas são emocionantes, mas em sua maioria, "Lady Bird" desagrada por deixar os temas mais complexos - como a pobreza da família retratada - em segundo plano e focar na parte mais desinteressante da vida da personagem principal: suas relações amorosas. Creio que isso ocorreu devido à curta duração do filme, que impede que todos os aspectos sejam explorados de modo satisfatório, privilegiando somente o pior deles.

    Ainda que o roteiro seja regular, a roteirista/diretora Greta Gerwig não decepcionou na direção, sendo o filme bem conduzido e fluido. Também merecem destaque a fotografia e a montagem de algumas cenas, como nos flashbacks feitos pela personagem principal.

    Vale ressaltar, contudo, que o que realmente impressiona em "Lady Bird" são as atuações. Saoirse Ronan está impecável no papel de uma adolescente de 17 anos em conflito com suas experiências. A atriz realmente nos faz pensar que vivenciou a realidade de Christine, sua personagem no filme. Além dela, os atores coadjuvantes também estão muito bem em seus papéis, principalmente Laurie Metcalf, que interpreta a mãe de Christine. Outros nomes que precisam ser mencionados são Tracy Letts e Lucas Hedges.


    Por suas peculiaridades, "Lady Bird" me lembra de dois outros filmes com histórias parecidas : "Quase 18" e "Boyhood: Da Infância à Juventude". Me recordo de "Quase 18" devido à incrível atuação de Hailee Steinfeld em um papel semelhante ao de Saiorse Ronan, estando ambas as atrizes impecáveis na representação de uma adolescente com muitos conflitos. Já a semelhança com "Boyhood" se dá devido ao final desse longa, que é semelhante ao final de "Lady Bird". Essas duas similaridades são ruins no meu ponto de vista, pois indicam uma ausência de originalidade no roteiro escrito por Greta Gerwig, que conta uma história muito parecida com a de filmes que foram lançados pouco tempo atrás ("Quase 18" em 2016 e "Boyhood" em 2014). Pode-se dizer que "Lady Bird" está no meio termo dos filmes, já que é melhor que "Boyhood", mas não chega aos pés de "Quase 18".

    Vou aproveitar essa crítica para enfatizar algo que penso há muito tempo. Não basta que um filme apresente grandes atuações se ele se sustenta por um roteiro fraco ou regular. A parte mais importante é a história da trama, que conduz o longa a proporcionar experiências ao espectador que não poderiam ser recebidas em outros tipos de arte, o que torna o cinema único. A junção roteiro/atuação é o que realmente move meu amor pela cinematografia, só que é preciso colocar a escrita em um patamar maior do que a atuação, já que grandes atores não salvam um roteiro mediano, assim como em "Lady Bird".

    Sendo assim, é evidente que "Lady Bird: A Hora de Voar" se trata de um filme de grandes atuações em um roteiro simples e ordinário, assim como a história que é contada. Não é um grande clássico e, sem dúvida, não ficará em minha memória como um filme a ser reassistido, mesmo com o fato do tempo passar rápido devido a sua curta duração. Ainda assim, não é de todo ruim e merece ser assistido ao menos uma vez, devido ao trabalho impecável de Saiorse Ronan e Laurie Metcalf.


    Andreas Cesar assistiu e ficou triste por Lady Bird não conhecer The Doors...
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