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    quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Me Chame pelo Seu Nome", por Marlo George

    Baseado no livro de homônimo de André Aciman, "Me Chame pelo Seu Nome", dirigido pelo italiano Luca Guadagnino, traz narrativa pífia sobre um assunto que já dá sinais de desgaste


    Antes de mais nada, é importante que eu diga que apesar de não ser um fã de carteirinha do diretor Luca Guadagnino, curti seu trabalho em Um Sonho de Amor, de 2009, que traz no elenco a talentosíssima Tilda Swinton (Okja), um roteiro rico e uma direção primorosa, digna de nota. Assisti esse longa recentemente e foi com expectativa que eu aguardei seu mais recente trabalho, o badalado Me Chame pelo Seu Nome.

    Mas infelizmente tudo aquilo que chamou minha atenção em Um Sonho de Amor faltou em seu novo trabalho.

    Burocrático em seu mister, o diretor apresentou um filme, digamos, rígido demais. Falta descontração, dinâmica e beleza no trabalho como um todo. Com enredo linear e trama curriqueira, Me Chame pelo Seu Nome não emociona porque mostra, nada mais, nada menos, que um romance proibido, porém deveras comum, entre duas personagens desinteressantes. O pior de tudo é que, com ares de vanguardismo, o diretor tentou mostrar ousadia ao retratar algo que já foi feito anteriormente. Pelo menos essa foi a impressão que eu tive.

    O filme conta a história de Elio Perlman (Timothée Chalamet), um jovem musicista que recebe em sua casa, à convite de seu pai (Michael Stuhlbarg), um balzaquiano aluno de pós-graduação americano chamado Oliver (Armie Hammer). Elio e Oliver, após muito flertarem, acabam apaixonando-se e vivendo um grande amor. E é só isso. Sim, é só isso mesmo!

    Claramente incomodados nas cenas mais picantes, Chalamet e Hammer não convencem e é até de se estranhar que o primeiro tenha sido indicado ao Oscar de Melhor Ator, visto que sua performance ficou muito aquém daquela que apresentou em Lady Bird: É Hora de Voar, trabalho no qual representou, e muitíssimo bem, um adolescente muito parecido com Elio, complicado, confuso e imaturo. Data vênia que ele, um novaiorquino, tenha aprendido italiano e piano para interpretar sua personagem em Me Chame pelo Seu Nome, mas ele não mereceu a indicação que recebeu. Não por esse papel.

    Michael Stuhlbarg vive o pai de Elio

    Hammer continua sendo uma bela figura, fotografa muito bem e tem uma postura elegante, mas é desprovido de talento. Já Stuhlbarg, com sua entonação de voz e jeitão paterno perfeitos roubou as cenas, o que devo salientar nem foi tão difícil assim. Em sua cena final com o apático Chalamet, Stuhlbarg consegue, enfim, emocionar, mais por sua interpretação do que pelo contexto pobre do roteiro.

    Timothée Chamalet e Esther Garrel

    Uma presença interessante no elenco é a atriz francesa Esther Garrel, que se coloca muito bem em cena, tem carisma e força em sua interpretação. Vou prestar mais atenção ao seu trabalho, pareceu me uma atriz promissora, apesar de já estar trabalhando desde 2001. Infelizmente não vimos mais de seu trabalho sendo divulgado anteriormente. Garrel já foi confirmada na sequência de Me Chame pelo Seu Nome, anunciada em dezembro de 2017.

    A direção de fotografia é assinada por Sayombhu Mukdeeprom, do divertido As Damas de Ferro 2, de 2003. É muito bem feito o trabalho de fotografia, explorando ângulos interessantes, especialmente nas cenas de sexo, e talvez isso tenha deixado o filme mais bonito, mas não mais inspirador. Se há alguma beleza em Me Chame pelo Seu Nome esta reside em sua cinematografia. O filme também é muito bem editado por Walter Fasano, de Um Mergulho No Passado, de 2015, também dirigido por Guadagnino.

    Pode ser que tenha seu público, mas Me Chame pelo Seu Nome será uma "tortura italiana" para o espectador mais exigente.

    Se for um deles, passe longe.



    Marlo George assistiu, escreveu e odeia, com sua vida, Talking Heads.
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