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    quinta-feira, 31 de maio de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Não Se Aceitam Devoluções", por Kal J. Moon

    Dirigido por André Moraes e estrelado por Leandro Hassum, "Não Se Aceitam Devoluções" é o filme mais arriscado desse comediante carioca. Mas é o melhor? Bem, vamos descobrir...


    Toma que o filho é teu...!
    Juntar comediantes e crianças num mesmo filme é praticamente uma receita para o sucesso. Chaplin, Robin Williams, Adam Sandler e até Schwarzenegger - que nem é comediante - já se arriscaram no filão. E chegou a vez de Leandro Hassum, maior fenômeno do cinema brasileiro, se utilizar do mesmo estratagema mas com um grande diferencial: "Não Se Aceitam Devoluções" é um drama!

    Baseado no filme argentino "No Se Aceptán Devoluciones" - escrito e dirigido por Eugenio Derbez, que já foi exibido na TV brasileira e pode ser facilmente encontrado "por aí -, a trama segue Juca Valente (Hassum), um mulherengo medroso que recebe a visita de Brenda (Laura Ramos), uma ex-namorada estrangeira que o engana, deixando a filha Emma para Juca cuidar. O então solteirão resolve procurá-la em Los Angeles, enquanto acaba trabalhando como dublê para filmes. Até que, depois de alguns anos, consegue encontrar Brenda - Emma (Manuela Kfouri) está, agora, com oito anos. E nada será como antes...

    O roteiro da dupla Ana Maria Moretzsohn & Patrícia Moretzsohn adapta razoavelmente bem o texto original, que começa como uma mistura de "Três Solteirões e um Bebê" com "O Garoto" mas que se transforma num "Kramer vs Kramer" com "Seis Semanas". O problema é que a adaptação segue o original tão de perto que é praticamente uma cópia fidedigna, com falas e piadas idênticas - mesmo as que já não funcionavam no original foram mantidas.

    Mas isso nem é algo tão grave assim e até dá para relevar. Os reais problemas de "Não Se Aceitam Devoluções" são o elenco e a direção. Nem Hassum nem ninguém do elenco consegue "alcançar a nota" da dramaticidade necessária para emocionar o público. E existem diversos momentos no roteiro que propiciam alguma oportunidade para tal. O que nos leva à frouxa direção de André Moraes, que não conduz seu elenco de forma correta para que a emoção aflorasse nos momentos adequados - o resultado mostra-se em diversas cenas onde "exagera-se na tinta", gerando cenas mal construídas do ponto de vista narrativo.

    Os mais prejudicados são o próprio Hassum e a jovem Manuela Kfouri (advinda da TV com apenas uma novela no currículo), que aparentam não ter tido a preparação de elenco necessária para seus respectivos papeis - o fato de Hassum ser um excelente comediante e mestre do improviso não o torna efetivamente capaz de assumir uma ou várias cenas dramáticas corretamente, sem o devido preparo.

    O que nos leva ao ponto de que tudo no filme parece meio apressado, talvez com o intuito de replicar o ritmo do filme original ou por alguma restrição orçamentária (que gerou cenas ~"feias" com uso perceptível de imagens geradas por computador - uma no início e outra num dos momentos de dublê de Hassum com uso de motocicleta). Se o filme se detesse em resolver de forma um pouco mais elaborada as questões da dramaticidade - sem a pressa mostrada na telona -, possivelmente teríamos algo com potencial para superar o filme original.

    Mesmo que a direção de fotografia - comandada por André Lavenére - entregue apenas o básico, algumas tomadas surpreendem pelos inusitados ângulos utilizados (com provável uso de drone, a nova moda em matéria de cinematografia). A trilha sonora - de Vivian Aguiar-Buff e do próprio André Moraes - também entrega melodia agridoce, infantil e ao mesmo tempo tristonha, totalmente adequada à trama.

    "Não Se Aceitam Devoluções" pode não ser o filme que muitos estavam esperando - que isso não se reflita na bilheteria -, muito menos o melhor estrelado por Hassum. Mas é de se admirar o risco que o comediante corre em entregar algo completamente diferente do que ele próprio tem entregue a seu público. Porém, mesmo com todos os problemas, ainda é entretenimento para toda a família e toca em celeumas pontuais desses tempos modernos como poucos filmes brasileiros ousaram fazer.



    Para Kal J. Moon, pai é quem cria. E mãe também...
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