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    quarta-feira, 20 de junho de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Hereditário", por Kal J. Moon

    Escrito e dirigido por Ari Aster, estrelado por Toni Collette, Gabriel Byrne, Alex Wolff e Milly Shapiro, "Hereditário" causou sensação no Festival Sundance de Cinema e vem dividindo opiniões.


    "Annie, você está bem?"
    "Hereditário" é o primeiro filme do diretor Ari Aster (que veio de  uma carreira de curtas-metragens) e conta a história de uma simples tragédia familiar que se transforma em algo profundamente sinistro. Quando a matriarca da família Graham, morre, sua filha (Collette) e seus descendentes começam a descobrir enigmas e segredos cada vez mais aterrorizantes. Quanto mais eles descobrem, mais eles tentam escapar do destino sinistro que parecem ter herdado.

    A qualidade do roteiro - assim como da direção em si (leia-se "a visão") - oscila. Por ser mais um terror psicológico, a trama tenta sugerir algumas coisas e escancara outras em desigual proporção, sem a menor parcimônia. Como todo estreante, Aster tenta espremer todas as suas referências (de Kubrick a Von Trier, passando pelo gore e pelo atual terror oriental) sem muita coesão narrativa, resultando num filme um tanto desconjuntado.
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    O terço final - onde o ~"mistério" é revelado - torna-se virtualmente problemático por conta de abraçar o fantástico e extraordinário, mesmo exigindo-se reações reais frente ao inconcebível.

    Certamente dividirá opiniões - assim como "mãe!" recentemente. Haverá quem defenda com fervor e haverá quem diga que não passa de um embuste, uma história simples porém engendrada para mostrar mais do que aparenta.


    Porém, existem muitos acertos. O elenco tem sinergia, com destaque óbvio a Toni Colette, cuja entrega emociona e perturba o espectador em diversos momentos. Embora existam cenas em qie parece perdida, é mais por culpa do roteiro do que da atriz. A jovem Milly Shapiro (que interpreta a bizarra Charlie) também defende a estranheza de sua personagem com afinco, gerando cenas interessantemente incômodas. Já Byrne, infelizmente, apenas diz suas falas sem muito entusiasmo, com um papel que lhe oferece pouquíssimo em cena -  o que, por si só, já é um pecado. E mesmo que Alex Wolff tenha mais destaque no terceiro ato, sua peculiaridade parece ser o fato de conseguir ficar com os olhos abertos pelo máximo de tempo possível e, assim como Edward Norton em "Clube da Luta", o auto-espancamento. Mas uma cena específica entre Wolff e Collette revela um embate bem interessante, revelando que o rapaz, quando bem orientado, pode mostrar a que veio...


    O filme possui bons momentos de tensão - auxiliados pela perturbadora trilha sonora comandada por Colin Stetson (nada muito original, é verdade, mas funcional e bem executada) - que deixará o espectador grudado na poltrona.

    A edição de Jennifer Lame é bem interessante em alguns momentos, criando uma criativa passagem de tempo, passando a sensação exata de desorientação espacial. Aliado a isso, a direção de fotografia de Pawel Pogorzelski também tem seus momentos, principalmente quando simula a artificialidade dos cenários em contraste com as maquetes utilizadas por Annie (Collette) - dando a impressão da manipulação mostrada no terço final da trama. O design de produção de Grace Yun também impressiona pelos cenários ora realista ora cavernoso...


    Se tivesse um corte de pelo menos uns 40 minutos, evitando algumas cenas realmente desnecessárias, poderia vir a ser um filme lendário nessa nova leva de terror psicológico.

    Mesmo com todos os problemas, o diretor segura bem a dramaticidade em diversas cenas de maneira digna - graças, também, ao entrosamento do elenco - assim como a tetricidade necessária a uma trama desse porte.

    Não é o tipo de filme para morrer de medo mas para refletir sobre temas que não passam por nossas cabeças com frequência. Para nosso próprio bem, devo alertar.



    Kal J. Moon nunca mais ouvirá um muxoxo da mesma forma novamente...
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