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    quarta-feira, 25 de julho de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Missão: Impossível - Efeito Fallout", por Marlo George

    Dados da missão: Trata-se de uma produção impecável em diversos quesitos como som, fotografia, montagem, efeitos especiais e visuais, coreografia, direção de dublês, trilha sonora, figurino e direção de arte. Outro dado importante é o fato de que, sem ter assistido sequer um dentre os cinco filmes da franquia, você entenderá tudo, tudinho mesmo. Por outro lado, o longa apresenta algumas problemas de elenco, narrativa e alguns lances previsíveis.

    Agora você precisa decidir se assistirá ou não. Leia a crítica até o fim e faça sua escolha.

    A missão é sua, caso decida aceitá-la.


    Brincadeiras e referências à parte, Missão: Impossível - Efeito Fallout tem méritos e deméritos como qualquer outra produção cinematográfica bancada por um grande estúdio. Nesse caso, são mais méritos, pois trata-se de uma produção muito bem realizada em diversos aspectos. Nos técnicos o filme é primoroso e não deixa nada à desejar, o que é algo fundamental em filmes de ação.

    A mixagem e edição de som são imersivos, não há espaço para escapismos ocasionais durante a projeção do longa. Vindo de todas as direções (caso a sala de exibição tenha recursos pra isso) o som mantém o espectador conectado àquilo que está rolando na telona. A equipe do departamento de som está de parabéns.

    Quanto à direção de fotografia, posso dizer que ela nos faz testemunhar as peripécias de Ethan Hunt, personagem central interpretado pelo astro Tom Cruise, como se estivéssemos lá, com ele em sua missão. As cenas são de tirar o fôlego literalmente, pois, próximo ao final do filme, me peguei prendendo a respiração. No duro, impressionante. O responsável foi Rob Hardy, conhecido por Ex_Machina: Instinto Artificial, de 2014, e Aniquilação que entrou na grade da Netflix esse ano.

    Missão: Impossível - Efeito Fallout também é muito bem montado, remetendo aos tempos da clássica série de TV, que é o material original. Várias das trucagens de seriados e enlatados americanos clássicos são utilizadas, o que dá um charme todo especial no resultado final. A edição também impressiona, assim como a equipe de efeitos especiais, que entregou cenas realísticas ao extremo. E veja bem, extremo é um termo que se aplica bem ao protagonista da série, que precisou lidar com todo tipo de vilão durante o filme, desde os franzinos à brutamontes maiores que a vida, o que deu trabalho pra equipe de dublês e de coreografia de lutas. Trabalho que logrou êxito, pois as cenas de luta e que exigiam dublês (que em alguns takes foram dispensados por Tom Cruise, o que lhe custou uma fratura na costela, em agosto de 2017, durante as filmagens) foram bem realizadas.


    A direção de arte, compartilhada por Matthew Gray (A Origem, de 2010) e Steven Lawrence (Rogue One: Uma História Star Wars, de 2016), mostra aquele mundo de agentes especiais e vilões shakespearianos de modo muito crível. Os figurinos, assinados pelo veterano Jeffrey Kurland, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985), A Era do Rádio, (1987), Dunkirk (2017), entre outros, ajudaram na composição das personagens. Um trabalho que passará despercebido pelos menos exigentes, mas que chamaram minha atenção por conta dos detalhes. Tudo estava exatamente onde deveria estar e cada roupa e adereço criavam distinção sutil entre as diversas personas que habitam o mundo de Missão: Impossível - Efeito Fallout.

    Lorne Balfe compôs a trilha sonora, que usa e abusa de instrumentos de percussão, que marcam o ritmo do filme. Baseada, lógico, no tema de abertura da série de TV, eternizada por Lalo Schifrin nos anos 60, é bem legal. Em alguns momentos remete à trilha sonora de Mortal Kombat, filme baseado no videogame homônimo, de 1995, composta com inspiração por George S. Clinton. Recomendo que ouça antes de assistir o filme. Tem no Spotify, portanto, dá pra ouvir de graça.

    Apesar de tudo que foi dito até o momento, Missão: Impossível - Efeito Fallout tem alguns deméritos. Fora o elenco principal, com o qual os que acompanham a série já estão acostumados, todas as estrelas convidadas escorregam na caricatura e parecem abobalhados demais. Destaque para Vanessa Kirby, como a Viúva Branca. Meu primeiro contato com seu trabalho foi no excelente Questão de Tempo, de Richard Curtis, e lá a inglesa já parecia caricata ao extremo. Em Missão: Impossível ela passa dos limites do tolerável. Chega a irritar, especialmente nos closes, que são constantes. Outro caricato é Frederick Schmidt (o Metallo da série Supergirl, da Warner), que interpreta o irmão da Viúva Branca, Zola. Nossa, parece que caricatura é o negócio da família.


    Até mesmo Henry Cavill, que é o melhor interprete do Superman, desde Christopher Reeve, parecia pouco à vontade no filme. Rígido e inexpressivo, não acertava nem ao bancar o piadista. By the way, seu nome não era Walker, Mr. Cavill, estava mais para Senhor Overactor. Outra estrela de filmes de supers, é Angela Bassett, de Pantera Negra, que também erra feio ao apresentar mais caretas do que interpretação em sua performance.

    Preciso resguardar Wes Bentley, de Interestelar (2014), que apresentou um personagem insosso, passivo e paspalhão. Parece ter sido prejudicado pelo roteiro. Caso houvesse um pequeno conflito entre ele e o personagem de Cruise, havia espaço para isso, talvez tivesse tido oportunidade de desenvolver melhor. Mas o filme já tinha tanto conflito e é tão intrincado e com tantas reviravoltas, que uma nova pendenga era realmente desnecessária.

    Mas, pra equilibrar, o elenco principal é fantástico. Sean Harris, de Nação Secreta, está de volta como Solomon Lane (não confundir com Solomon Kane, de R.E. Howard). O ator é muito bom e entrega um trabalho no ponto. Outro que está de volta é Simon Pegg, figurinha recorrente em filmes produzidos pela Bad Robot (de J.J. Abrams). Pegg é um de meus ídolos dentre os atores dessa geração. Novamente é eficaz como coadjuvante, abrindo caminho para a estrela principal brilhar. Ator com assinatura própria, Pegg valida cada trabalho pelo qual passa, desde Heróis de Ressaca à Star Trek.


    Falando em Star Trek, a outra franquia lucrativa da Paramount Pictures, Michelle Monaghan faz uma referência à série clássica em seu retorno à Missão: Impossível. É uma bela atriz, com pouco tempo de tela, mas cuja personagem é a responsável pelos momentos mais ternos desse filme de ação.

    A badalada Rebecca Ferguson, de Missão: Impossível - Nação Secreta, é outra que retorna em Fallout. Com agenda agitada, lançando um filme atrás do outro, é uma das atrizes mais requisitadas do momento e isso não é à toa. Competente e com boa técnica, é uma boa adição ao filme, especialmente nas cenas de ação.

    Alec BaldwinVing Rhames estão fantásticos como sempre e não preciso dizer mais nada.

    Tom Cruise é o protagonista e produtor de Fallout. O ator já declarou que fará mais filmes da franquia caso Fallout vá bem nas bilheterias. Já que é assim, prepare-se para mais lesões, Mr. Cruise, porque esse sexto longa deve lucrar o suficiente para que um start para a sétima aventura seja autorizado em breve. Foi assim com Nação Secreta e, acredito, ocorrerá o mesmo com Fallout.

    Cruise, que busca ser reconhecido como um ator e não apenas como um rostinho bonito há 30 anos, parece que será reconhecido mesmo como um astro de filmes de ação. Sua performance é digna de nota e o fato de que ele dispensa dublês é ao mesmo tempo temerária e admirável. Dá pra sentir que ele se entrega de corpo e alma ao papel, possivelmente o mais importante de sua carreira, ao ponto de fazer o espectador se importar com o destino dele e daqueles com quem ele se importa. Ele dá veracidade à uma personagem impossível. Do alto de alto de seus cinquenta e poucos anos, mostra que a idade não pesou dessa vez, como aconteceu em No Limite do Amanhã e A Múmia, onde ele parecia inadequado para os papeis que encarnou.

    Brilhante Cruise! Dessa vez você acertou em cheio! Headshot, na mosca!


    Não assisti aos filmes anteriores, portanto, não conhecia as personagem e nem mesmo a história daquele mundo novo, mas isso não importa, pois elas são re-introduzidas em Efeito Fallout de maneira sintética. E esse é o grande trunfo do filme.

    O diretor Christopher McQuarrie, que já trabalhou com Cruise em Jack Reacher: O Último Tiro Missão: Impossível - Nação Secreta, realizou um longa frenético, ritmado, bem amarrado e agradável apesar de suas duas horas e meia de duração. Logrou êxito em quase tudo e deve retornar na sétima sequência da série. O filme é uma aposta alta e deve render muito, não só nas bilheterias, mas também na carreira de diretor de McQuarrie, que é mais conhecido como roteirista, tendo dirigido apenas 4 filmes, até o momento.

    Bem, dados explicados e alvo determinada, resta uma pergunta: Você aceita a Missão de assistir Missão: Impossível - Efeito Fallout?

    Essa crítica se autodestruirá... 

    Mentira, estou exagerando.




    Marlo George assistiu, escreveu e só entendeu a referência de Missão: Impossível 2 porque já conhecia um videoclipe do Metallica...
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